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O legado de cada um
Como você quer ser lembrado? Esse pergunta é realmente instigante e nos afeta tanto como pessoas como profissionais. Comecei a coluna de domingo falando do legado e das impressões que Steve Jobs deixou no mundo. “O inovador”, “O criativo”, e por aí vai.
Talvez os líderes sejam os mais icônicos, justamente por possuírem um poder maior de influência perante as outras pessoas, mas lembro que todos nós, ambulantes ou presidentes, deixamos nossas marcas em algum lugar, com alguma pessoa, em algum momento de suas vidas. Hoje vou me ater justamente ao comportamento que alguns líderes têm, como eles influenciam suas equipes, e o rastro que deixam no local onde trabalharam mesmo quando saem da empresa.
Embora a variedade na personalidade das pessoas seja praticamente infinita, e que o comportamento delas seja único, resolvi dividir em dois grupos, basicamente: o chefe com influências positivas (ou bom) e o com influências negativas (ou mau).
Começo falando dos “pedras no sapato”. Todo mundo já teve aquele chefe com alguma característica negativa muito forte. As pessoas conseguem contar nos dedos quantos chefes assim tiveram, quais eram suas peculiaridades e quanto tempo e porque demoraram para sair.
O interessante, e igualmente perigoso, é que o ser humano consegue ser, na mesma proporção, bom e falso ao mesmo tempo. Explico como.
Certa vez uma moça que trabalhava em uma multinacional veio me procurar. Ela entrava na empresa por volta de 7h30, e saía de lá por volta de 21 h. Frequentemente ia trabalhar nos fins de semana. Quem fazia a equipe ir ao trabalho, não era a empresa, mas o chefe dela. Após meses nesta situação, percebeu que a equipe estava sendo manipulada de tal maneira que aquele trabalho excessivo não parecia ilegal, mas sim necessário para o crescimento da empresa. Tempo depois, esse chefe dela utilizou-se das dezenas de horas extras não contabilizadas dos funcionários para apresentar um projeto grandioso. Com o projeto foi promovido, dizendo que fora desenvolvido unicamente por ele.
Apesar de ser um pequeno exemplo, este é o tipo de influência negativa ao qual me refiro. Há pessoas que manipulam os objetivos, o trabalho dos outros, vendendo suas ideias como se fossem as corretas.
Essas pessoas geralmente usam o egoísmo para perpetuar suas ideias e aproveitam-se do poder para ganhar ainda mais com isso. Uma equipe pode ter dois líderes, sendo um bom e um mau. Mas este mau pode parecer tão bom quanto o outro, e vende suas ideias como se fossem boas.
As pessoas precisam aprender a discernir entre as boas e as más influências. Você já deve ter visto casos de chefes que conseguem plantar a rivalidade, a inveja na equipe. Com estes, o clima na empresa fica pesado, as pessoas não sentem prazer para ir ao trabalho, não conseguem desenvolver de maneira apropriada. É aquela laranja com fungos, que contamina o resto de seus colegas.
O interessante é que mesmo após sairem da empresa, o clima continua estranho ou pesado por algum tempo. E a “névoa” de improdutividade e negatividade que ali estava instalada dissipa-se lentamente, até que as coisas voltam ao normal.
O chefe bom
Sabe aquele chefe que algumas pessoas dizem “ter caído do céu” e não querem perder por nada? Não querem que troque de setor, ou que seja promovido… Ele adota a equipe como uma mãe cuida dos filhos, e quer que todos cresçam juntos e trabalhem pelo desenvolvimento de todo o conjunto. O líder que convence todos pelo seu carisma e otimismo. Apesar de CARISMA parecer algo “nato”que nasce com a pessoa, há alguns motivos por trás da personalidade que ajudam a tornar um chefe cativante, ou positivo, para a equipe.
Na história de domingo contei a história de John, um carismático chefe que, mesmo tendo saído da empresa após longos anos de trabalho, suas atitudes foram adotadas e perpetuadas por seus colegas mais próximos. Virou um mentor para vários colegas e deixou um rastro de boas influências.

Assista ao vídeo clicando na imagem acima.
Repare como em grupos com o comportamento otimista e apaixonado o trabalho flui com mais leveza, a rotina é mais leve e todos gostam de ir ao local de trabalho. Embora pareça utópico, conheço muitas empresas assim. E os líderes fazem uma diferença inquestionável nos quesitos “produtividade” e “cooperação” na equipe.
E como perpetuar este tipo de clima para o grupo? É bom lembrar que não somente os líderes conseguem influenciar os outros para difundir ideais e propósitos que visem a melhora do todo.
Há muitos exemplos na História de pessoas que tiveram seus ideais perpetuados em sua área de influência somente após terem dado suas vidas pelas causas que defendiam. O desafio está, agora, em ser reconhecido em vida com estes propósitos e influências.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Aposentadoria, um dia ela chegará
“Quem não morre novo, velho fica”. Eu costumava ouvir isso quando criança e, inegavelmente, é verdade. Todos os trabalhadores hão de passar um dia pela aposentadoria. O tempo passou, eu já me aposentei e continuo trabalhando na empresa que fundei. Mas, além do fator “continuar trabalhando ou não” – que é uma escolha pessoal – há uma série de outros fatores que envolvem a vida das pessoas, e quero relembrá-los sobre isso.
Instituições como a MetLife e o HSBC (vale a pena ler) desenvolveram pesquisas muito interessantes sobre aposentados, e levantaram uma série de apontamentos importantes a respeito das expectativas e anseios da 3.ª etapa da vida. Dados que envolvem o trabalho e o futuro afastamento dele, além do foco maior no lado pessoal da vida, pois cada um terá muito tempo livre para si.
Infelizmente, grande parte da última geração não foi instruída a planejar a aposentadoria, e acabam tendo que pedir ajuda à família, principalmente quando o assunto é saúde. Prova disso é que apenas um em cada quatro trabalhadores possui plano de previdência privada. É muito importante que as pessoas planejem este futuro. Seja poupando, seja contribuindo, seja investindo, o planejamento não deve começar quando se está nos últimos anos de contribuição. Deve começar quando ainda se é jovem.
A maior preocupação dos futuros idosos, segundo as pesquisas, é conseguir sustentar-se somente com os ganhos da aposentadoria no futuro. Isso inclui praticamente todas as despesas que se tem (casa, luz, água, telefone, gás, internet, IPVA, IPTU etc.), além de que, agora, haverá gastos maiores com plano de saúde e medicamentos.
Achei muito interessante algumas empresas criarem treinamentos que preparam os colaboradores para a aposentadoria. O trabalho começa a ser desenvolvido até dois anos antes da aposentadoria, e há toda uma questão de preparo psicológico para esta nova etapa da vida.
Há também empresas e consultorias que oferecem serviços como Aconselhamento de Aposentadoria, que visam auxiliar tanto aquela pessoa que deseja simplesmente parar, viver com tranquilidade e estabilidade financeira, quanto a que pretende continuar trabalhando.
Outra faceta é que muitos que se aposentam têm uma expertise e conhecimentos impressionantes em sua área de atuação. Há muitas empresas que convidam os futuros aposentados para se tornarem consultores. Com toda a expertise que desenvolveram em décadas de atuação no ramo, certamente ainda são muito úteis. Conheço pessoas que simplesmente amam seu trabalho e não pararam, mesmo após aposentadas!
Entrando no quesito saúde, aqui vai um alerta tanto para quem está começando, quanto para quem está terminando a carreira: pratique esportes, alimente-se bem e cuide da saúde. Você já deve estar cansado de ouvir os médicos falarem a respeito disso, mas muitos pagam caro (ganhando problemas de saúde) por não terem seguido a recomendação médica.
Grande parte das profissões se tornou muito “estática” nos últimos anos. Áreas como a engenharia de hardware, software e robótica contribuíram muito na criação de máquinas e programas que substituem o trabalho humano, física e intelectualmente. Passar oito, dez horas por dia sentado à frente do computador, e chegar em casa e ficar outras horas sentado no sofá assistindo à televisão certamente não contribui para a manutenção básica da musculatura humana – regulada pela prática de exercícios físicos. A prática de esportes é assunto sério ligado à saúde, sim. Eu mesmo faço minhas caminhadas e me sinto muito bem com isso.
Finalizando, prepare-se para ter tempo livre. Muito tempo livre. Não é difícil achar idosos que começaram a ter depressão por ficar tempo demais em casa, por não fazer nada, ou terem consolidado o estado de sedentarismo. Não posso julgar os outros pelo modo que cada um é. Eu sou uma pessoa que, por exemplo, simplesmente não consegue ficar parado. Acredito que o ócio extremo vicia a mente e adoece o corpo.
Pode-se aprender um novo idioma, enfrentar as novas tecnologias, jogar o bom e velho dominó, participar de programas de terceira idade, viajar para os locais em que se passou a vida sonhando ou, até mesmo, continuar trabalhando. A vida é um presente divino, e cada fase deve ser aproveitada ao máximo.
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Teste
1) Como você se sente quando chega em casa?
a) Está sempre muito cansado. Nunca tem fôlego e disposição para fazer outras atividades fora do expediente. Só quer jantar e descansar.
b) Sempre faz atividades extras. Esportes, idiomas, dança etc. “Quanto mais coisas você faz, mais disposição você tem”.
2) Além de contribuir com o INSS, você:
a) Gasta todo o salário em outras coisas. Não separa nenhuma quantia mensal para investir, guardar ou fazer render.
b) Com a ajuda de um economista, planejador financeiro ou mesmo sozinho, você conseguiu montar um esquema para fazer aquele “fundo reserva extra”. Tudo para ter segurança e estabilidade financeira maiores, além do salário da aposentadoria.
3) Falta pouco tempo para você se aposentar:
a) Apesar de a hora de se aposentar já estar chegando, não tem a menor ideia do que fazer no tempo livre. Está perdido e sem rumo.
b) Já sabe qual será seu rendimento médio e já tem planos claros das atividades que irá desenvolver quando tiver todo o tempo livre somente para você.
4) Sua família:
a) Não sabe quando você se aposentará, nem quais mudanças isso implica na sua vida e na deles.
b) Está ciente de quando isso tudo acontecerá e está pronta para auxiliar no que for preciso.
5) No seu trabalho:
a) Sabem quando você se aposentará, mas não há planos específicos para sua saída. Não lhe comunicaram sobre os procedimentos que devem ser tomados e também parece que não haverá orientações neste período. A impressão é que você simplesmente sairá da empresa e pronto.
b) Os gestores estão prontos e já planejam uma saída gradual para você, além disso, já há uma preocupação com o seu futuro pessoal. Preparação psicológica e apoio dos setores responsáveis, por exemplo.
As respostas mais adequadas estão um tanto quanto evidentes (letras “b”). Pensar na aposentadoria é como planejar a carreira, planejar um filho, planejar a compra de uma casa ou um carro, é simplesmente mais uma etapa deliciosa da vida. Espero ter lhes ajudado de alguma maneira com isso. Agora a bola está com vocês.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
A importância de se desligar
Com o feriadão que acabamos de passar, surgiu-me uma reflexão. Até quanto podemos nos desligar? Após algumas dúvidas sobre deixar ou não deixar as obrigações profissionais de lado, cheguei a uma conclusão bastante simples. É fundamental se desligar sim, pois nenhum de nós consegue ficar tanto tempo sem descansar e usufruir do ócio tão merecido por todos. Porém, quanto mais estratégica for a posição do indivíduo, maior é a importância de permanecer de plantão, caso algo importante aconteça.
Algumas posições são insubstituíveis. O dono de uma empresa, por exemplo, é o responsável por algumas decisões que só cabem a ele tomar, e na sua ausência, ou as coisas param, ou a paz do descanso do líder vai por água abaixo, pois certamente ele precisará ser incomodado para resolver a situação. Mas, até onde a dedicação incessante à empresa é bom?
Gerindo pessoas e uma empresa voltada para o capital humano, respondo: dedicação é importante, mas não é sinônimo de viver em função da empresa. Costumo dizer que um profissional que se preze está sempre à disposição da empresa quando ela necessita dele, não importa se é sábado, domingo ou feriado, não importa se é de manhã, à tarde ou à noite. Isso não quer dizer ficar na empresa por todo esse tempo, mas sim que se por algum motivo específico e atípico a empresa precisar de sua disponibilidade nesse horário, o profissional deverá estar à disposição.
Seguindo por esse raciocínio, acredito que todos devemos aproveitar de momentos de descanso, sejam longas férias ou breves feriados. Até mesmo os brevíssimos fins de semana precisam ser aproveitados adequadamente, deixando o que é do trabalho lá na empresa e trazendo para casa apenas a empolgação pertinente a dias de descanso.
Agora mesmo, tivemos um longo feriado. Pergunto: o que você fez pela sua saúde física e mental? Viagens, passeios, brincadeiras com os filhos, bar com os amigos, cinema com o companheiro… o que de bom você fez? Você levou trabalho para casa, ou terminou tudo que tinha que ser feito antes de o feriado começar?
Quando falo sobre a importância de descansar e se desligar por inteiro do trabalho nesses dias, penso, inclusive, no bem da própria companhia, já que um profissional cansado somente se estressa e dificilmente rende o que deveria render. Quando uma pessoa trabalha no seu limite físico e/ou mental, dificilmente ele consegue produzir aquilo que seria capaz, caso a mente e o corpo estivessem descansados. Sendo assim, a atitude de deixar que seus funcionários descansem devidamente em suas férias, ou em feriados como o que tivemos na semana passada é uma atitude muito inteligente por parte de qualquer gestor.
Afinal de contas, já estamos em setembro, e muitos profissionais já estão com suas férias agendadas para os próximos meses. Cabe a esses profissionais aproveitarem da maneira correta seus dias de descanso, e à empresa proporcionar dias realmente livres a seus funcionários para que eles consigam se desligar completamente.
Por fim, gostaria de lembrar das horas extras. Infelizmente, muitos profissionais utilizam esse “recurso” como forma de tirar uma graninha a mais no final do mês, ou mesmo acumular várias horas no banco de horas, para tirar como bem entender. Entendo que a vida não é fácil pra ninguém. Mas antes de se matar trabalhando por um trocado a mais, pense com seriedade na sua saúde. De nada adianta se dedicar incessantemente, e depois ter de sair correndo para um hospital por causa de um piripaque qualquer ocasionado por estresse ou por um corpo, simplesmente, cansado. Pense nisso!
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Teste
Hora de testar algumas de suas práticas e a importância que você dá ao descanso:
1 – No trabalho, você:
a) Faz sempre muitas horas extras, passa a noite trabalhando para estar no trabalho no outro dia cedo novamente.
b) A empresa, seu superior e você reconhecem a importância do horário de trabalho regular, para que outras atividades sejam desenvolvidas fora do horário de expediente.
2 – Fora do trabalho:
a) Fica pensando no trabalho, ou trabalhando de casa em projetos menores – não consegue desligar de lá. O trabalho exige muito de você e não há tempo para descansar.
b) Esquece o mundo da empresa, desliga o celular e praticamente some. Fora da empresa você relaxa e faz suas tarefas normalmente.
3 – Fora do expediente:
a) Está sempre cansado, não consegue realizar outras atividades como gostaria.
b) Faz algum esporte, sai com amigos(as), pratica seus hobbies – há vida fora do escritório, afinal de contas.
5 – A sua alimentação:
a) É sempre corrida. Mal consegue mastigar a comida direito. Joga tudo para dentro para continuar trabalhando.
b) Os horários de alimentação são respeitados. Come calmamente, aproveita o tempo de sobra do almoço para relaxar, conversar e fazer outras coisas.
6 – À noite:
a) Fica fazendo outras coisas e sempre se deita tarde. Acaba dormindo poucas horas na noite e a sonolência atrapalha muito no trabalho.
b) Tem uma boa noite de sono, dorme o suficiente para não ter problemas como perder a hora no dia seguinte.
7 – Férias:
a) Entra ano, sai ano, vem feriado, vai feriado e nada de um descanso consistente.
b) Todo ano você escolhe um período para descanso. Viagem com a família, cônjuge ou sozinho são sempre ótimos para equilibrar mente e corpo novamente.
O teste é um pouco óbvio, mas serve como uma pequena lista para que cada um observe quais pontos têm deixado de lado – e qualquer um deles pode estar desequilibrando seu bom desempenho no trabalho. As alternativas “B” mostram as práticas mais recomendadas às pessoas. Se mesmo equilibrando bem o lado pessoal e profissional e respeitando os horários de descanso há alguma coisa que continua a incomodar, não seria má ideia consultar um médico. O fim do ano está chegando e planejar as férias desde já é uma ótima pedida. Bom descanso a todos!
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Você pode ser um bom líder
É bobeira acreditar que um profissional bom tecnicamente necessariamente deve ser um bom líder. Entendo que uma pessoa que apresenta qualidade no desempenho de um trabalho técnico não precisa, necessariamente, saber gerir uma equipe. Conheço inúmeros casos de pessoas que apresentavam excelentes resultados técnicos em seu trabalho e, justamente por isso, foram promovidos a líderes de equipe em que se perderam em meio aos trâmites e afazeres de um gestor.
Existem muitos cursos que auxiliam no desenvolvimento de um gestor. Algumas atividades são indispensáveis e elencarei algumas delas para seguirmos na reflexão:
O bom líder inspira em seus funcionários a vontade de se doar pela empresa. Ele consegue fazer com que todos se engajem por um trabalho melhor. Não falo de motivação, pois isso vem de dentro pra fora, ninguém pode motivar você. Porém um líder competente consegue guiar seus funcionários na direção correta, onde certamente encontrarão resultados mais eficazes. Além disso, um gestor competente consegue estimular seus funcionários o tempo todo, desafiando-os a fazer seu trabalho cada vez melhor.
Outra característica de um líder é a preocupação em formar sucessores, pois ele entende que seu principal papel é orientar os profissionais que estão abaixo de si, para que eles se desenvolvam e cresçam juntamente com os resultados que eles mesmos propiciam à empresa. São pessoas que encontram soluções, ao invés de problemas, mesmo que para isso precisem ouvir ideia por ideia de seus próprios funcionários. Aliás, eles não menosprezam seus colaboradores, pelo contrário, entendem que cada um possui um talento diferente e valioso para a organização.
Neutros em suas decisões, estão sempre em busca do novo. Não se acomodam jamais, pois buscam incessantemente fazer muito mais do que a empresa espera de sua equipe.
A neutralidade se expande no que diz respeito também a forma com que se posicionam diante dos colegas de empresa, não confundindo o pessoal com o profissional e guardando para si cada problema pessoal que tiver.
São pessoas extremamente dotadas de paciência. Sabem esperar a hora certa de agir. Além de compreender cada peculiaridade de seus funcionários, respeitando cada um da forma que eles são.
Um bom líder entende que seu papel não é colocar a mão na massa, a não ser que isso seja extremamente necessário numa situação atípica. Seu papel é coordenar corretamente que faça isso. Há uma máxima, inclusive, que diz: chefe não faz, chefe lidera. E apesar de chefia ser bem diferente de liderança, entendo que para o bom desempenho de uma equipe, o líder precisa se ocupar com a garantia de que seus funcionários farão seu trabalho adequadamente, ao invés de fazer o trabalho junto com eles.
E, por fim, acredito que uma característica bastante marcante de um bom líder é a inteligência emocional. Eles não misturam as estações, prejudicando-se com rompantes de nervosismo. Pelo contrário, conseguem pensar friamente na hora em que precisam agir assim, da mesma forma que conseguem se envolver numa causa com a emoção pertinente ao momento, sem jamais deixar a razão se sobressair a emoção.
Postas essas características, pergunto: um profissional que estudou uma determinada técnica tem alguma obrigação de saber agir dessa maneira? É justamente por entender que não, digo que ao promover um excelente profissional técnico, algumas empresas perdem excelentes mão de obra, enquanto esses profissionais perdem seus empregos. Pois, é isso que acontece, quando você dá poder a uma pessoa que não sabe o que fazer com ele.
Conheço companhias realmente muito sérias que se preocupam com o desenvolvimento de lideranças. Em alguns casos, um profissional nem sequer pode assumir um cargo de liderança sem ter passado por uma carga horária de algum curso de gestão de pessoas. Concordo plenamente com essas empresas, já que colocar alguém num cargo de liderança que não sabe lidar com pessoas é praticamente um tiro no pé.
Teste
1) O atual líder, em sua maneira de conduzir:
a) Dita e manda – mantém o poder pelo medo, pela imposição.
b) inspira e lidera – mantém o poder pela empatia e confiança no time.
2) A preocupação dele é:
a) Simplesmente manter o trono e o grupo de subordinados, centralizando o poder em suas mãos.
b) Preparar sucessores e promover o crescimento do grupo, levando em consideração as aptidões de cada um.
3) Nas decisões, o líder:
a) Ouve as opiniões e sugestões de todos os subordinados, mesmo que elas apenas confirmem o que ele já desconfiava.
b) Prefere pesar e refletir com os próprios conhecimentos para decidir – influências externas só vão lhe confundir.
4) A empresa:
a) Aposta no treinamento formal dos melhores funcionários. Afinal, eles conhecem os processos como ninguém e conduzirão o grupo com sabedoria.
b) Prefere ser adepta à máxima “Em time que está ganhando não se mexe”. Uma vez chefe, sempre chefe, uma vez subordinado, sempre subordinado. No máximo um reajuste.
5) O líder, ao avaliar a equipe:
a) Leva em consideração as aptidões e peculiaridades da personalidade de cada um.
b) Só considera habilidades e conhecimentos técnicos, assim como a produtividade e rapidez na execução de tarefas.
6) Nas promoções internas, a empresa:
a) Avalia o potencial de liderança e todas as habilidades correlatas necessárias (entre personalidade, formação, tempo de experiência e desempenho) para a função.
b) Apenas leva em consideração o desempenho ou formação para definir o quão longe ele irá.
O teste aqui não visa reprimir certos tipos de líder, ou mesmo as práticas de algumas empresas – cada uma tem suas políticas e as define conforme a necessidade e possibilidade. Mas o importante aqui é que todos (empresa, subordinado e líder) reflitam sobre seus verdadeiros papeis e seus respectivos posicionamentos. Até onde podem chegar, o que pretendem com certas ações, o que devem estimular melhor etc. Assim como nem todos nasceram para ser presidentes, nem todos nasceram para serem operacionais a vida toda. Deixei as alternativas mais adequadas como as de letra “A”. Se as alternativas “B” foram marcadas, talvez seja bom reavaliar a situação e verificar se isto não está prejudicando a empresa ou o crescimento do time.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Por onde continuar?
Se você não sabe se casa ou se compra uma bicicleta, dar-lhe-ei alguns bons motivos para iniciar uma especialização o quanto antes puder. Apesar de clichê, não é mentira que hoje em dia a graduação é um pré-requisito básico para alguém que queira se dar bem no mercado de trabalho. Existem casos de pessoas que se deram bem na vida, sem ao menos terminar o ensino médio. Mas, convenhamos, são pessoas que contaram com uma boa dose de sorte, além de seu perfil visionário. E também existem casos, infelizmente, de pessoas que se formaram em alguma profissão e não conseguiram fazer suas carreiras deslancharem com toda a pompa que se tem direito.
Mas analisemos grandes nomes de executivos que conhecemos. A maioria deles tem um currículo vasto, com graduação, pós-graduação, línguas, experiências em grandes empresas etc. O caminho até o sucesso não é simples pra ninguém, mas ele fica muito mais fácil se o profissional tiver boas instituições respaldando cada um de seus empreendimentos, no que diz respeito ao conhecimento adquirido propriamente dito. A troca de informações e experiências num desses cursos é algo realmente muito valioso.
Algumas escolhas precisam ser feitas. Uma delas depende, por exemplo, da intenção do indivíduo com aquele curso. Se a ideia é seguir na área acadêmica, o ideal é optar por um curso de Mestrado ou Doutorado. Já se a ideia é aplicar o conhecimento adquirido na vida profissional corporativa, o ideal são os MBA, pós-graduações e demais especializações.
O segundo cuidado é a escolha da instituição. Infelizmente, preciso ser sincero, instituições oferecendo cursos há em muitos lugares, praticamente uma em cada esquina. Por isso, procure por aquela reconhecida, que contém em seu corpo docente os melhores profissionais do mercado e da qual você sempre ouve falar bem. Se tiver dúvidas, procure opiniões de pessoas que podem lhe dar (a opinião) com credibilidade.
Escolhidos o curso e a instituição, chega a hora de escolher os melhores dias (para aquelas que oferecem escolha). Pode parecer bobeira essa dica, mas não é. Com a rotina atribulada que temos, é fundamental que essa escolha seja baseada no que nos permitirá a dedicação pertinente à situação. Profissionais que viajam muito, por exemplo, ou que morem em outra cidade que não a da instituição escolhida, podem optar por cursos aos fins de semana. Para aqueles, porém, que não se submeteriam a uma imersão em pleno fim de semana, melhor que escolha dias da semana. Isso é fundamental para conquistar o maior número de presenças possíveis. E não pela presença em si, é claro, mas pela importância de não perder as valiosas discussões que ocorrem a todo o momento.
Por fim, eu diria que outra preciosa questão é a convivência com os mais diversos profissionais num único lugar. Algumas instituições promovem entre seus alunos o convívio contínuo, para que possam efetivamente se conhecerem e trocarem informações entre si. Sabemos que na atual situação do mercado, a network é fundamental para os negócios e para a sobrevivência no mercado de trabalho. Para aquele tímido que entra no curso mudo, e sai calado, certamente a experiência não é a mesma daquele que interage com os colegas e professores. Na coluna de domingo, por exemplo, eu contei sobre uma moça que encontrou até um marido na pós-graduação. Acreditem, isso não é incomum.
Saber aproveitar as oportunidades que temos é algo que precisamos desenvolver o tempo todo, já que algumas pessoas nem mesmo enxergam o que são oportunidades. Eu diria que qualquer situação, numa pós-graduação, pode ser considerada uma oportunidade. Afinal, um grande cliente ou mesmo seu futuro empregador, pode estar sentado na mesa ao lado. Acreditem nisso! Se precisava de bons motivos para se matricular, aproveite… essas são realmente relevantes.
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Teste
Será que está na hora de retomar os estudos?
Você vê a importância de um curso de graduação como:
Irrelevante. A qualificação extra é necessária somente para quem quer virar pesquisador ou professor.
Necessária. A graduação é somente o primeiro passo na carreira. A especialização agrega valor e importância àquele profissional.
Conhecer outros idiomas e culturas é:
Importante para quem lida com questões internacionais somente, como diplomatas, jornalistas e empresários.
Um pré-requisito para a entrada nas grandes corporações, além de um adendo importante para o profissional, sobretudo intercâmbios para estudo e trabalho.
Qual é o critério adotado na escolha da instituição:
O preço. Não importa quem faz parte do quadro de professores ou qual é a grade curricular do curso, o que importa é constar no currículo depois.
A reputação da instituição e professores renomados. Estudar em uma instituição que tenha processos de seleção rigorosos prova que não é somente pagando que alguém se qualifica, mas realmente se interessando pelo estudo.
Atualmente, na sua empresa, você:
Sente-se estagnado, parado, sem perspectivas de crescimento, desmotivado por não aderir a novas funções.
Gostaria de acrescentar e colaborar melhor com a empresa, mas não qual a melhor maneira nem o melhor caminho.
Você, como funcionário que precisa aprimorar a qualificação:
Está cada vez mais desmotivado com a função atual, pois não vê oportunidades de crescimento nem novos desafios e a empresa não lhe estimula a procurar isso.
Verifica se a empresa dá subsídios ou tem uma política de ajuda aos funcionários – ou mesmo pede ajuda à empresa, mostrando os motivos pelos quais você precisa se qualificar mais e como isso dará retorno à empresa.
A sua rede de contatos está fechada, estagnada:
Você não procura conversar com colegas de profissão, não tem afinidade com fornecedores e clientes. Está isolado do mundo.
Procura colegas para trocar ideias, a direção da empresa para pedir conselhos, participa de eventos empresariais para trocar contatos e cartões, está sempre promovendo sua marca pessoal.
Reduziria este teste, e talvez até este artigo a uma frase: “só sei que nada sei”. A célebre frase de Platão ecoa há dois milênios e meio e ainda há profissionais conformados com a qualificação ou emprego. A escolha é pessoal, claro, mas se há uma boa maneira de definir novos rumos para a carreira, o conhecimento é a melhor porta de saída (dos problemas), e também de entrada (de novas ideias e soluções). Se você marcou a maioria das questões B, seu comportamento e maneira de pensar levarão você ao caminho certo. Caso as alternativas A tenham sido as preferidas, é bom rever alguns de seus conceitos, descobrir qual é o motivo de sua inquietação e partir para a mudança.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Colabore
Pode parecer óbvio para uns, mas acreditem, um dos maiores problemas que líderes de empresas de diversos segmentos tentam resolver diariamente é o relacionamento entre os membros de suas equipes. Por mais que isso seja pregado e propagado por revistas sobre empregabilidade e matérias sobre comportamento corporativo, ainda há muitos colaboradores que não entendem a importância de um bom relacionamento interpessoal e, principalmente, do fundamental espírito colaborativo que deveria permear as relações profissionais.
Sinto informar, porém, que esse papel é primordialmente da empresa. É ela (a empresa) quem deve direcionar seus colaboradores sobre esse comportamento, através de valores bem definidos e seguidos pelos próprios gestores da empresa. Afinal, de nada adianta ter a missão, visão e valores penduradas em belos quadros nas paredes de um escritório se o que está escrito lá é desconhecido, e pior, não é seguido por seus colaboradores. Um líder deve incentivar que seus colaboradores desempenhem seus talentos únicos em cada projeto da empresa, orientando-os a sugerir inovações constantemente, pois quando um colaborador se sente ajudando ele tende a ajudar cada vez mais.
Mas a continuidade desse espírito colaborativo só é possível se o líder tiver alguns respaldos. Um deles, por exemplo, é a comunicação fluida inter e intrassetores. As áreas de uma empresa trabalham juntas com o objetivo de atender bem seus clientes e não, ao contrário do que algumas pessoas pensam por aí, para competir entre si. Quando um problema surge, por exemplo, é ignorância perder tempo apontando culpados, quando, na verdade deveria haver um esforço comum em resolver tal problema. Quando a comunicação é bem tratada por todos, a chance de problemas ocorrerem é bem menor do que quando as áreas da empresa não se conversam.
Aliás, outro respaldo que praticamente provém da boa comunicação é a cooperação e suporte. Por exemplo, se a área comercial sabe que a área de finanças está com problemas com clientes inadimplentes, ela pode, de alguma maneira, ajudar a resolver o problema, seja numa melhor explanação no ato da venda, seja entrando em contato com o próprio cliente. A maneira, enfim, não cabe aqui, o que importa é a ideia de que todas as áreas de uma empresa devem trabalhar interligadas, atendendo às necessidades da empresa e não suas próprias necessidades.
O líder, por sua vez, precisa conceder autonomia a seus funcionários, para que ele se sinta seguro em colocar ideias que possam ajudar seus colegas, pois muitos se sentem tolhidos ao imaginarem que ajudando outra área, deixarão de produzir em favor dos próprios resultados. A ideia não é essa! Afinal, qual é o maior propósito dos profissionais de uma empresa? Trazer resultados positivos para a companhia. Se para isso for preciso que numa situação atípica a área de Marketing possa ajudar a resolver problemas da área Operacional ou vice-versa, é isso que deverá ser feito. O importante é o resultado final.
É muito fácil, aliás, reconhecer um profissional com esse espírito colaborativo, pois eles tem foco no resultado da empresa. Entendem que precisam dar de si 100% ou mais para alcançar resultados positivos. São pessoas que, normalmente, compreendem a organização como um todo (visão sistêmica) e se envolvem constantemente nas decisões, já que participam efetivamente em reuniões e discussões importantes da companhia.
Porém, para trabalhar em equipe de forma assertiva é fundamental saber lidar com distintas culturas organizacionais, respeitando as diferenças pessoais e mantendo sempre uma postura profissional. Outra questão indispensável é saber liderar, mas também saber ser liderado, pois praticamente todos nós, em algum momento, exercemos um papel e o outro também. O bom relacionamento ajuda nesse caso, mas não resolve o problema por inteiro. Saber receber e dar feedbacks também entra para essa lista, já que isso faz parte das relações profissionais.
Trabalhar em equipe não é um tormento como algumas pessoas, infelizmente, pensam. Essas, normalmente, batem no peito e dizem: “Se eu quero bem feito, faço eu mesmo!” Uma pessoa que sabe trabalhar em equipe, pensa diferente. Ela diz: “duas cabeças pensam melhor que uma. Vamos fazer juntos?”
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Teste
Será que há algo de errado na sua empresa alterando o clima organizacional e incentivando a competitividade não saudável entre os colaboradores? Façamos o teste:
1) Dentro da equipe:
a) Todos são focados em seus trabalhos, mas nunca negam ajuda a um colega em necessidade.
b) Há uma ou mais pessoas em específico que atiçam os colegas, incitando a competitividade irracional e o individualismo na empresa.
2) A pessoa que está na gestão da(s) equipe(s):
a) Compreende todas as áreas e suas respectivas necessidades e trata todas as equipes de maneira igualitária.
b) Pensa somente no crescimento de si mesmo ou de uma equipe em específico.
3) Os funcionários:
a) Têm autonomia para colocar ideias em prática, principalmente as que ajudam os colegas.
b) Costumam deixar as descobertas e novas ideias para si. O que importa é o desempenho individual.
4) Missão, visão e valores:
a) Funcionam de verdade. São constantemente reforçados aos colaboradores e devem ser incorporados pelas pessoas e equipes.
b) Funcionam somente na teoria. Dizem respeito a algo que nem empresa, nem funcionários praticam.
5) O relacionamento entre os membros da equipe:
a) É cooperativo. Todos procuram atingir um objetivo em comum, que foi traçado com sabedoria pelo gestor.
b) É competitivo. Os objetivos individuais e da equipe não deixam claro o quê é mais importante. Todos se digladiam para ver quem faz mais, melhor ou mais rápido.
6) A empresa se preocupa com a Comunicação entre os setores, colocando canais de comunicação interna, propõe reuniões diárias ou semanais envolvendo equipes e gestores para ver quem tem sugestões, ideias e troca de favores e ajuda.
a) Reconhece que a importância da fluidez da informação e eficiência das equipes está apoiada na Informação e Comunicação.
b) Não se preocupa com nada disso. É tudo supérfluo e perda de tempo. É preciso vender, e muito.
7) As metas estabelecidas pela empresa:
a) São principalmente estabelecidos para a equipe. Dessa forma, todos pensam em atingir o mesmo objetivo da melhor maneira possível.
b) Tornam o clima entre funcionários tenso, para que cada um pense somente na individualidade para conseguir os resultados.
8 ) Quando alguém erra:
a) Apresentam o erro a toda equipe, para que ninguém mais o cometa. Após isso, o time decide a melhor maneira de repará-lo.
b) Apontam o erro e o culpado, diminuindo a moral e confiança do mesmo, hostilizando a equipe contra ele. Busca-se culpar a pessoa pelo erro ao invés de apontar soluções e prevenções a novos problemas.
Não é somente o líder, ou a empresa e suas normas, ou as próprias pessoas que atrapalham a riqueza da coletividade no trabalho, mas uma combinação desses fatores. Se algumas alternativas “B” foram marcadas, é sinal de que algo pode estar interferindo na moral dos funcionários e clima da empresa. Trabalhe na união do grupo. Afinal, apesar de ser clichê, é ela que faz a força.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Chefes apaixonados por funcionários
O que você faria se você percebesse que de repente se apaixonou por um de seus funcionários? Ninguém manda nos nossos sentimentos, correto? Então, como resolver essa questão, caso algo do tipo aconteça? Eu já abordei o tema sobre relacionamento no trabalho algumas vezes, mas o foco que quero dar hoje é chefe x funcionário. Até porque, a gente pode até não cogitar muito, mas é muito mais comum do que podemos imaginar o envolvimento entre patrão e funcionário. Aliás, uma curiosidade: outro dia conversando com um amigo comerciante, ele me contou um dado estatístico muito interessante… as três datas que mais vendem joias no ano são Dia das Mães, Dia dos Namorados e, acreditem, Dia da Secretária.
Se tem marmanjo pulando a cerca por aí, nem quero discutir. O ponto que proponho hoje é o relacionamento sério mesmo. Aquele em que o casal se propõe a construir algo, talvez dividir suas vidas mesmo e, quem sabe, constituir família.
Quando um líder percebe um sentimento diferente por determinado funcionário, a veracidade e intensidade desse sentimento devem ser ponderadas. A primeira pergunta que faço é: dá para evitar? Sim, pois nem tudo é inevitável e se for uma paixão volúvel, melhor deixá-la de lado a interferir na tal reputação profissional.
No mundo corporativo o que sempre prevalece é o lado racional. Jamais devemos deixar o emocional nos guiar quando o assunto é relações profissionais. Há muitos interesses em jogo, negociações acirradas, brigas de poder e dinheiro envolvidos. Logo, se o racional deve prevalecer, uma vontade súbita de se relacionar com o funcionário deve, sim, ser evitada. Não quero que me entendam mal… sou a favor do amor e acredito piamente que todos nós devemos ter nosso lado emocional bem desenvolvido, de preferência com um parceiro que seja companheiro de verdade, para suprir nossas necessidades emocionais. Porém, acredito que o melhor lugar para se procurar esse companheiro é bem longe de seu local de trabalho.
Mas, se acontecer, o que deve ser feito? Como chefe (líder), o primeiro grande cuidado a ser tomado é não deixar que esse envolvimento interfira em suas decisões. A minha maior preocupação a esse respeito é que o chefe passe a beneficiar seu “protegido”, já que o que sente por ele é algo muito maior do que simplesmente admiração profissional. Se existe, por exemplo, uma oportunidade de promoção, a escolha deve ser baseada (racionalmente) nas capacidades, méritos e competências do funcionário para assumir tais responsabilidades. Essa decisão jamais deve ser tomada através de um sentimento pessoal, amoroso.
Até porque a paixão, quando nos arrebate, faz de nós seres não muito inteligentes. Na verdade, tornamo-nos cegos, mesmo que momentaneamente, e vez ou outra abrimos mão de certa dose de prudência. Na tentativa de agradar o amado, fazemos coisas realmente inacreditáveis e, volto a dizer, no mundo corporativo o que deve prevalecer é a racionalidade. Por mais que o indivíduo seja emocionalmente inteligente, há grande chance de seus interesses se confundirem quando tomados pelo sentimento da paixão.
Por outro lado, chamo atenção para um detalhe que muitas vezes esquecemos de nos ater quando o assunto envolve esse tipo de emoção. No princípio de todo relacionamento tudo é muito legal, mil maravilhas. É o momento de descobertas, de querer agradar ao outro. Com o tempo e com a rotina, porém, os defeitos alheios começam a aparecer, as desavenças ocorrem com maior frequência e, se pensarmos bem, ter que dividir o mesmo local de trabalho com o companheiro pode ampliar o efeito disso exponencialmente. Pior… ter que liderar, ou se subordinar, ao namorado (a) num momento de briga pode ser algo insuportável para ambas as partes. E, pior ainda, se o relacionamento der certo, pode ser que a única alternativa seja o desligamento de uma das partes, provavelmente, aliás, da parte mais fraca na corda. Pergunto: e a responsabilidade profissional nesse momento, onde fica?
Algumas pessoas, quando acometidas pelo fracasso emocional se tornam indivíduos extremamente vingativos. Acontecem muitos casos de pessoas que tornam a vida do outro um verdadeiro inferno, simplesmente por deter o poder e não saber lidar com a rejeição. São nesses momentos que ocorrem os maiores problemas relacionados a esse envolvimento.
Por isso, sugiro: pense muito, mil vezes se for preciso, antes de se envolver emocionalmente com seu funcionário ou seu chefe. As chances de algo dar errado são muito grandes. Porém, se o sentimento for realmente verdadeiro, vá fundo, mas saiba que o seu campo profissional pode ser prejudicado de alguma forma.
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TESTE
Pressupondo que haja a possibilidade de um relacionamento desse tipo na empresa, vamos seguir por uma linha lógica, onde devem ser marcadas as questões com as quais se identifica:
( ) A sua empresa permite relacionamentos dentro da empresa? E que todos saibam disso?
( ) A empresa aceita que haja cônjuges no mesmo setor e em relação de chefe/subordinado?
( ) Houve uma aproximação de ambas as partes? É recíproco?
( ) O relacionamento foi assumido perante a chefia, para que ela decidisse o que é o melhor a ser feito?
( ) Caso a chefia tenha aceitado e mantido os dois na condição de chefe/subordinado, o relacionamento está influenciando negativamente seu bom desempenho profissional?
( ) O relacionamento já influenciou alguma vez em uma decisão? Por exemplo: optou dar um novo trabalho/aumento/bônus ao cônjuge, tudo por causa do vínculo emocional. Não avaliou o lado racional.
( ) Promoveu o cônjuge, mesmo sabendo que ali há profissionais mais competentes e melhores para o perfil de gestão.
( ) Houve brigas e o relacionamento atrapalhou seriamente o trabalho. O clima ficou pesado e chato, mesmo com os colegas do escritório.
( ) Os colegas de mesmo nível hierárquico do subordinado se sentem injustiçados com o tratamento e as preferências que o chefe dá ao parceiro.
( ) O chefe deixou de dar satisfações/ser sociável com pessoas do sexo oposto devido ao ciúme do parceiro.
( ) O relacionamento fica “indo e voltando”, ou o casal vive brigando, e isso atrapalha o clima da empresa.
( ) Terminou. Cada um está na sua, mas continuam sendo colegas. Após isso, um não respeita mais as ordens do outro, não fala com o outro ou dá um jeito de faze-lo sofrer (como tarefas excessivas ou desnecessárias).
Este teste serve como uma autoavaliação. No começo do relacionamento, ele deve ser assumido perante os responsáveis diretos dos dois. Quanto mais alternativas foram marcadas (tirando as quatro primeiras, que são pré-requisitos necessários para seguir adiante e sem problemas com colegas e chefia), mais o relacionamento está influenciando no bom desempenho profissional. O resultado, vocês já sabem: pode resultar no desligamento de uma ou ambas as partes. Faça as escolhas sabiamente, todas, sejam positivas ou negativas, tem desdobramentos calculáveis.
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Por Bernt Entschev
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Descruze os braços, seja proativo
Você vai além do que esperam de você? Pense na seguinte situação: você é contratado para uma determinada função que, por incrível que pareça, não toma 100% do tempo em que você está na empresa. O que você faz? Aproveita o tempo restante para bater papo no Skype, ligar para aquele amigo para marcar a balada do fim de semana e vai até o canto do cafezinho conversar com outros colegas de trabalho; ou aproveita o tempo restante para adiantar o que pode ser adiantado e para pensar em inovações que podem ser úteis no ambiente de trabalho.
O mercado busca hoje profissionais com a tal da proatividade. Mas o que seria isso exatamente e como ela se aplica no dia-dia?
O profissional proativo é aquele que vai muito além do que pedem pra ele. É aquele que quando você pede para comprar uma passagem aérea para aquela reunião dali dois dias, ele já volta com a passagem, a previsão do tempo, a reserva dos hotéis, dicas de restaurantes próximos ao hotel e agenda cultural. Ou então, é aquele profissional que lê muito sobre sua área de atuação para sempre ter boa fundamentação em suas opiniões, além de sugerir constantes melhorias aos seus gestores.
Pessoas com esse perfil normalmente são muito inquietas, pois não se acomodam com o fácil, não se satisfazem com a rotina, querem sempre mais. Não se trata de ganância, pelo contrário, são pessoas criativas que acreditam que sempre há uma forma de melhorar determinado trabalho. Nunca estão paradas, pelo contrário, elas ficam eternamente em movimento, atentas ao que o mundo tem de novo para oferecer e, com isso, angariar ideias para oferecer também o melhor à empresa e à sua própria vida.
Do outro lado estão os profissionais que vivem de braços cruzados. Sabe aquele que vê que o colega precisa de ajuda e nada faz, mesmo que seu trabalho já tenha sido feito? Normalmente, esse profissional vive soltando frases como: “eu não sou pago pra isso”; “esse não é meu trabalho”; “se me pagarem hora extra, eu faço”. Aonde será que essas pessoas querem chegar?
Sempre digo que um profissional top, daquele que está nas camadas mais altas da pirâmide não trabalha oito horas por dia, cinco dias por semana. Eles trabalham muito mais que isso, e esse é um dos motivos que os fizeram chegar aonde chegaram.
Em qual dos dois times você se encontra? Com quais características você se identificou mais? Espero, sinceramente, que tenha sido com o perfil proativo, pois do contrário tenho uma notícia não muito promissora a você: os seus dias estão contados.
As empresas têm se tornado intolerantes com profissionais acomodados. Elas querem o contrário disso, querem profissionais que resolvam seus problemas. Não tenho dúvidas de que alguém que espera tudo cair do céu e só faz o feijão com arroz não é tão capaz de resolver os problemas mais esdrúxulos que aparecerem no caminho.
Se for para aconselhar a esse respeito, eu diria: leia bastante, sobre diversos assuntos e, principalmente, sobre o movimento que o seu segmento anda fazendo. Ler ajuda a ser criativo, ter ideias diferentes e demonstrar o quão antenado sobre as últimas novidades você está. Sendo assim, não tenha medo de opinar e de sugerir mudanças, afinal, melhor receber um “essa ideia não é muito boa, mas podemos melhorá-la assim” do que um “você não tem nenhuma ideia?”.
Por fim, deixe de lado a preguiça. Se você está no escritório é para trabalhar e não para bater papo. Se conseguiu fazer seu trabalho todo num curto espaço de tempo, parabéns! Mas o que mais você pode fazer? Será que ninguém precisa de sua ajuda? Será que não é hora de sugerir algo novo? Pense no seu futuro… se for para crescer, você precisará absorver mais responsabilidades, que vão muito além do feijão com arroz que você faz hoje.
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Teste
Ser um profissional bom é diferente de ser um as. Vejamos como está sua dedicação e iniciativa para ser aquele que faz a diferença:
( ) Procura sempre estudar. Pós, MBA, idiomas, cursos, intercâmbios, viagens.
( ) Procura sempre notícias sobre assuntos diversos, mas principalmente sobre o mercado e sua área de atuação, seja no jornal, rádio, televisão, internet.
( ) Realiza os afazeres com esmero para poder colocar novas ideias em prática.
( ) Busca ajudar colegas com problemas ou trabalho demais.
( ) Com as novas ideias que tem, procura promover treinamentos e sempre dar orientações aos colegas, visando beneficiar todo o grupo.
( ) Mesmo que não participe de reuniões importantes, você sempre leva suas anotações e considerações importantes ao seu chefe para que ele procure implantá-las.
( ) Nas reuniões, por mais que não seja do tipo “falador”, sempre procura dar pelo menos uma opinião embasada, seja para concordar ou um bom motivo para discordar ou mesmo para alterar a ideia proposta.
( ) Acha importante ter iniciativa em diferentes tarefas, afinal, “quem não é visto não é lembrado”.
Se você marcou a maioria das questões, parabéns! Você está no caminho e certamente já é um profissional que chama a atenção por algum motivo: seja pela iniciativa, pela inteligência ou ideias brilhantes. Você já sabe agora em que pontos deve aprimorar para chegar lá. Mas se a tinta da caneta mal chegou a tocar o jornal, cuidado! De duas, uma: ou você está fadado a virar um velho livro na prateleira da empresa, e não se mover a nenhum lugar, ou o caminho da rua pode estar lhe esperando. Mexa-se, levante a poeira e mostre para o que você veio (se isso é o que você quer)!
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Por Bernt Entschev
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A sua empresa dos sonhos
Você trabalha numa empresa dos sonhos de qualquer profissional? Sinceramente, acho difícil que todos respondam sim. Outro dia conversando com um jovem que trabalha numa dessas empresas consideradas as melhores para trabalhar, percebi o brilho em seus olhos ao falar da companhia. Observei que aquele profissional provavelmente teria um orgulho fora do comum em trabalhar naquela empresa e certamente faria o que fosse possível para fazê-la progredir sempre e sempre. A questão é: será que todos os profissionais que ali trabalham sentem o mesmo entusiasmo que aquele jovem?
Costumo brincar que não existe empresa perfeita. Mas, a verdade é que mesmo que umas empresas se destaquem mais que outras, algumas menores têm condições em proporcionar ambiente tão agradável quanto as maiores (e famosas por isso), guardadas as devidas proporções.
Proporcionar boas condições de trabalho, programas de desenvolvimento, salários compatíveis aos cargos, bonificações e benefícios atraentes é algo que a maioria das empresas pode fazer por seus colaboradores. Porém, infelizmente, a realidade é muito diferente. Grande parte das corporações que conheço está tão preocupada em pagar suas contas no fim do mês, que mal pensam nas necessidades de seus funcionários. Muitas não se preocupam em proporcionar subsídios para que seus colaboradores se especializem, ou não pensam na importância de desafiá-los, acrescentando funções a seus trabalhos e, consequentemente, agregando valor e aumentando seus salários de tempos em tempos. Sem contar nos famosos PRL’s (Participações nos Resultados e Lucros), que dão um gás naqueles que contribuem ano após ano para os resultados da empresa. Aliás, convenhamos, não é só a recompensa financeira que conquista um profissional. Há todo um contexto, desde a mesa mais confortável para trabalhar, até a forma com que os líderes se reportam a suas equipes.
Essas empresas consideradas as melhores para trabalhar não se preocupam apenas com a remuneração de seus funcionários. Pelo contrário, sua preocupação abrange situações que vão muito além do holerite puro e simplesmente. São empresas que pensam o tempo todo no bem-estar de seus funcionários, afinal, colaborador satisfeito é sinônimo de trabalho bem feito e bons resultados para a empresa. Normalmente se preocupam com transporte confortável, café da manhã e da tarde reforçados, almoço, ginástica laboral e espaços destinados a um breve descanso. Sem contar, é claro, de estações de trabalho ergonômicas, com equipamentos de última geração que propiciam um trabalho bem feito. Afinal, como exigir, por exemplo, um relatório em uma hora, se o computador que a empresa oferece a seu funcionário parece ter sido fabricado na idade da pedra e demora horas para salvar um documento? Acredite, tem empresas que ainda usam fax!
Mas, voltando à empresa dos sonhos… pode ser que a sua empresa dos sonhos não ofereça tantas regalias assim. Costumo dizer que cada um sabe o tamanho das montanhas que gostariam de subir. Alguns profissionais que conheço almejam essas grandes e admiráveis empresas para construir suas carreiras. Outros preferem pequenas empresas, onde podem atingir patamares mais altos num espaço menor de tempo. Alguns, ainda, querem ter suas próprias empresas e se tornam pequenos empresários para tentar colocar em prática aquilo que não podiam enquanto funcionários de outra companhia.
Vejam, gostaria de demonstrar aqui minha profunda admiração por essas empresas realmente maravilhosas que vêm construindo uma bela história no meio corporativo. Mesmo assim, ainda acredito que é possível que pequenas e médias empresas possam fazer coisas tão boas aos seus colaboradores. E a eles, por sua vez, aconselho: o que você quer para sua vida? Então vá em busca do que quer. Pode não ser fácil conseguir uma oportunidade naquela empresa que você almeja pra sua carreira. Mas, se souber aonde quer ir, isso já será um passo para chegar lá. Se você está insatisfeito numa companhia, não precisa ficar nela. Esperar que seu empregador decida o seu futuro é uma das piores coisas que alguém pode fazer por si próprio.
Teste
Façamos uma breve avaliação de sua empresa. Será que ela está adequada aos funcionários ou será que há muito o que fazer por ela e por seus funcionários?
( ) A direção pensa que está tudo bem com todos os funcionários, apesar de nos corredores e cafés todos fazerem queixas.
( ) A direção não realiza pesquisas de clima, logo, não sabe o que está bom e o que precisa melhorar.
( ) Gestores percebem que os funcionários escondem ou demonstram insatisfação por algo, mas não sabem ao certo o que é.
( ) A carga horária dos funcionários é excessiva ou inadequada de acordo com as funções.
( ) Mesmo sabendo de problemas como trânsito e distância devido à localização geográfica, a empresa não flexibiliza os horários de entrada e saída.
( ) A remuneração média de determinados (ou todos) cargos está abaixo do que o mercado proporciona e ninguém se preocupa em oferecer mais a todos para ser benquista no mercado.
( ) Apesar de a empresa crescer sem parar, nada é investido no bem-estar dos funcionários. Seja com melhorias em benefícios, equipamentos, transporte, alimentação ou infraestrutura.
( ) Os funcionários vivem se queixando da empresa. A infraestrutura está aquém do tamanho dela.
( ) A empresa poderia investir bem mais no bem estar e qualidade dos equipamentos que oferece aos seus empregados.
( ) Havendo ou não pesquisas de opinião, havia sugestões de colaboradores, mas todos pararam de enviá-las. A empresa simplesmente não as ouve ou realiza quaisquer mudanças propostas por quem praticamente vive na empresa todos os dias.
Se qualquer uma dessas opções foi marcada, está na hora de reavaliar as políticas da empresa. O mercado se adapta facilmente e os concorrentes estão sempre buscando profissionais competentes para compor seus quadros e fazer a empresa prosperar. Quem não acompanha as mudanças ou se preocupa com a felicidade dos funcionários simplesmente afasta os talentos da empresa. Oferecer somente um salário, seja ele bom ou ruim não é tudo. Para ser atraente, primeiro uma empresa precisa querer ser atraente e, para isso, é claro, deve por a mão no bolso.
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Por Bernt Entschev
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Feedforward
Criticar é fácil, não é mesmo? Apontar erros, dizer que o trabalho poderia ter sido diferente, mostrar falhas é muito simples quando não nos envolvemos no processo. E é sobre isso que vim falar hoje.
O feedback, já conhecido por todos nós, normalmente aponta o passado, ou seja, faz uma análise do que passou. Infelizmente, porém, a maioria dos gestores pecam ao dar o feedback a seus subordinados, por entenderem que ele deve ser utilizado como forma de apontar erros e defeitos. Alguns, inclusive, mal conseguem elogiar o desempenho de seus funcionários, pois acreditam ser desnecessário.
Outro termo, ainda desconhecido por muitos, mas com um princípio muito mais lógico, é o feedforward. Enquanto o feedback olha o passado, o feedforward controi o futuro. Trocando em miúdos, a pessoa que vai dar um feedforward ao colega, subordinado, ou seja lá quem for, já vai preparado para apontar a direção. Ex: “seria interessante se da próxima vez utilizássemos tal abordagem ao cliente”. Desta forma, quem se arrisca a botar um defeito, reclamar de algo ou apontar falhas na execução de certo trabalho, acaba se envolvendo no processo, comprometendo-se como parte integrante na busca de um resultado melhor.
Se observarmos, ao dar feedback nos prendemos em algo que passou e, como dizem, não vale a pena “chorar o leite derramado”. O que passou, passou, não dá para mudar. Porém, quando identificamos um problema e focamos nossas energias em encontrar soluções para o futuro, potencializamos nossos recursos e inteligência na construção de algo que pode dar certo desta vez, se feito de forma diferente.
Isso, porém, não quer dizer que a prática do feedback acabará, já que é ela quem permite nos orientarmos com base no que somos hoje. Para que um trabalho seja reorientado, é preciso que antes ele seja identificado como ineficaz e o feedback que nos permite isso. Com isso, é possível dizer que um complementa o outro. Primeiro se faz uma análise do que foi feito de forma ineficaz, depois se reconstrói de forma mais eficiente.
Porém, independentemente dos termos em si, e se eles se complementam ou não, o fato a que quero me ater aqui é o seguinte: todos nós devemos saber olhar a empresa em que estamos inseridos de forma sistêmica e contribuindo para que os processos sejam sempre otimizados. Ao invés de apontarmos de longe que fulano faz tal coisa errado, ou que sicrano não segue os processos internos adequadamente, é melhor focarmos nossas energias no esclarecimento do que se espera de fulano e sicrano.
Quanto mais desenvolvidos intelectualmente são os colaboradores de uma empresa, mais possível é conseguir achar soluções para a reorientação de coisas que não estão adequadas. Aliás, incentivar que eles ajam desta forma é uma maneira de fazê-los se desenvolver em áreas distintas, sem contar que é desta forma que se aprende a enxergar a empresa sistematicamente.
Para entender melhor, vamos praticar: pense em algo que um funcionário ou colega de trabalho fez e que você não considerou adequado. Ao invés de criticá-lo em pensamentos ou, simplesmente, chegar e apontar o erro, pense em como aquela tarefa poderia ser executada de forma mais assertiva. Mas, atenção, você precisa embasar essa reorientação. Ou seja, nada de “achismos” baseados em opiniões pessoais, afinal, opinião cada um tem a sua. Quando embasados em estudos, dados e estatísticas, você deixa de ser um mero crítico “reclamão”, e passa a ser alguém que entende do que está falando, que tem base sobre aquilo e que pode ajudá-lo a fazer tudo de forma mais inteligente.
Cuidado, é claro, com a arrogância. Achar que somos melhores em tudo e que sabemos mais que nossos colegas o tempo inteiro pode soar arrogante. Saiba falar. Aliás, é por isso que apenas falar sobre o passado não é interessante. O ideal é construir, juntos, o futuro.
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TESTE
Hora de praticar. Será que você prefere criticar o passado ou ajudar as pessoas a melhorarem no futuro?
1) Seu colega tem contato com clientes o tempo todo, por telefone e pessoalmente, fala muito errado e tem vários vícios de linguagem, você:
a) Reclama para “Deus e o mundo” que o colega fala errado, mas não faz nada para que isso mude.
b) Chega para a pessoa, delicadamente, e pergunta se pode fazer algumas observações a respeito do atendimento dela, a fim de melhorar o desempenho. No final, indica um curso ou um livro que a ajudará a melhorar seu vocabulário.
2) Sua equipe cometeu um grande erro. Você:
a) Dá o feedback somente aos culpados, apontando todos os erros e problemas que surgiram com o acontecimento.
b) Reúne todos para que atualizem as conquistas e problemas do processo. Ao apontar os erros, não mostra necessariamente o dono. Orienta toda a equipe sobre a melhor forma de realizar as tarefas, assim, esse tipo de problema não acontecerá novamente com ninguém.
3) Como subordinado, você:
a) Espera que o chefe sempre lhe dê retornos, mas nunca dá. Quando dá, é só um “muito bom” ou uma enorme bronca.
b) Caso o chefe não seja do tipo que fala, você periodicamente pede um retorno sobre seu desempenho e nos pontos que pode melhorar.
4) Ao apresentar sugestões de mudanças ou novos projetos para o superior, ele:
a) Não aceita mudanças, tenta boicotar os planos, dizer implicitamente que você não é capaz e que você sempre errou ao fazer outras atividades ligadas a isso. “Como conseguiria colocar uma coisa dessas em prática?”
b) Ele reconhece e elogia a iniciativa e avalia a aplicabilidade da ideia, sempre orientando a melhor maneira de colocar aquilo em prática.
Personalidade é algo difícil de se mudar, mas há sempre uma maneira de orientar e conduzir. Ao pedir feedbacks (positivos ou negativos) e feedfowards você lembra que não é criticando que se pode fazer uma equipe melhorar os resultados. Se marcou as alternativas A, é bom reavaliar se o problema está no seu comportamento, na equipe ou no superior. “Não encontro defeitos. Encontro soluções. Qualquer um sabe queixar-se.” – Henry Ford. Vale a reflexão.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.














