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Preconceito com obesos

Apesar de a sociedade estar mais civilizada, muitas pessoas carregam alguma carga negativa sobre determinados tipos físicos ou de personalidades

Desde que há registros do Homem na História, há contos sobre preconceitos. Fossem eles de cor, raça, credo, beleza ou gênero, o homem sempre julgou seus semelhantes à forma que tinham e ao modo que pensavam. Atualmente, mesmo havendo penas legais sobre o assunto, a temática continua polêmica e está, também, no meio empresarial.

Apesar de a sociedade estar mais, digamos, civilizada, muitas pessoas carregam consigo alguma carga negativa sobre determinados tipos físicos ou de personalidades. Seja porque a vida lhes ensinou isso (experiência), seja pelos padrões que a sociedade em que cada um vive prega. Mas o principal problema neste pré-julgamento está na ignorância: porque julgar alguém que, na maioria das vezes, sequer conhece?

Hoje eu venho discorrer sobre as pessoas que estão acima do peso. Sempre alvo de chacotas, ou bullying para os termos mais modernos, muitos obesos têm problemas no âmbito profissional, seja para conseguir um emprego, seja para construir uma imagem competente. E isso não é achismo, pesquisas comprovam que uma série de empresas têm fortes preferências por não contratar pessoas com peso excessivo. O curioso é o motivo que elas dão para não fazê-lo.

Muitas delas alegam sobre a morosidade para execução de trabalhos e outras várias apontam para o “desleixo”. Elas seguem a seguinte linha de raciocínio: “como só é gordo quem quer, qualquer um que apareça aqui e seja gordo é uma pessoa desleixada por não cuidar da própria saúde e aparência”. Grandioso engano. Ninguém, ou quase ninguém, tem quilos a mais porque quer.

Vários são os fatores: ou há predisposição genética para ganho de peso e retenção de gordura ou, realmente, a pessoa não regula a alimentação que ingere e também não procura por exercícios físicos, ou por questões emocionais etc.. É verdade que o estilo de vida hoje, na maioria das sociedades, favorece muito ao sedentarismo, mas todos sabem que a escolha pela prática de exercícios físicos só beneficia o corpo.

As empresas simplesmente não podem vetar pessoas pelo quanto elas pesam, pois isso simplesmente não faz sentido. Se formos seguir a lógica da questão, e considerando que todo obeso seja desleixado, ou desorganizado com a vida, quer dizer então que todo magro é saudável? Ser magro não é sinônimo de saúde, tampouco ser obeso. Há muitos gordinhos que cuidam, e muito bem, de suas dietas e rotinas, mas simplesmente não conseguem emagrecer por razões genéticas. Muitos acabam se submetendo às cirurgias bariátricas por conta disso, mas esse não é o foco de nossa discussão.

Algumas pessoas, eu diria corajosas, alegam que obesos deveriam ganhar menos, já que a probabilidade de eles serem preguiçosos, lentos, improdutivos e suscetíveis a afastamentos por motivos de saúde é muito maior que outra pessoa qualquer. Piada. Se a profissão necessita esforço físico constante, isso talvez possa ser verdade. Mas qual a relação entre peso e liderança, inovação, negociação, capacidade de vendas e produtividade? Nenhuma. Exatamente por esses motivos eu repugno qualquer um que releve a capacidade de um profissional, simplesmente baseado pelo tipo físico que ele apresenta.

Só para complementar: nos últimos dois anos, estatísticas apontam que o Brasil possui pouco mais de 40% da população com sobrepeso e aproximadamente 13% com obesidade. Imagino quantos destes, que são excepcionais profissionais, são descartados por recrutadores sem sequer poderem mostrar a que vieram. O que torna cada um diferente do outro, falando principalmente no âmbito profissional, é o esforço que se faz para colocar em prática toda a capacidade que todos os indivíduos têm. As aparências, jamais.

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Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Assunto do dia – Preconceito contra obesos e sobrepesos

Vídeo – Hoje é o dia mundial de combate à Obesidade

(Vídeo veiculado no Bom Dia Paraná em 08 de outubro de 2010)

Olá, queridos amigos. Como não postei o vídeo no meu Canal do Youtube ainda, coloco o link do vídeo aqui para vocês. É só clicar na imagem abaixo.

Abraços do Bernt.

Bom Dia Paraná - 08 de outubro de 2010

Assunto do dia – Preconceito contra obesos e sobrepesos [2]

Artigo: Quem vê cara, não vê coração

(Publicado na Gazeta do Povo em 12/10/10 [Acesse aqui])

Não é de hoje que brigamos por direitos iguais para todos, independentemente de raça, credo, condição social, ou seja lá o que for. Porém, infelizmente, ainda há muito preconceito por aí. Não é novidade, por exemplo, que as mulheres, principalmente as que ocupam cargos mais estratégicos, ganham consideravelmente menos que os homens. Por que isso acontece? Porque, como o próprio nome diz, todos nós prejulgamos pessoas, situações e/ou coisas de acordo com as experiências que já vivenciamos ou, até mesmo, de acordo com as imposições da sociedade. O problema é que esse conceito que fazemos, muitas vezes é feito sem que nós mesmos conheçamos e, com isso, estereotipamos sem perceber o quão perigoso é isso.

O preconceito a que quero me ater hoje é com pessoas que estão acima do peso. Pesquisas nesse sentido já foram feitas e o resultado apontado é de que realmente existe certo preconceito no meio profissional com pessoas obesas. Apesar de qualquer tipo de preconceito ser ilegal, ainda é possível tomar conhecimento de situações onde profissionais são descartados pelo simples fato de serem gordinhos. Sabemos que apenas empresas não idôneas cometem esse tipo de infração, porém vale discutir o assunto. O que não podemos é tapar nossos olhos para o que está errado e deixar que dia após dia verdadeiros talentos percam preciosas oportunidades por causa do que apresentam em sua carcaça.

Vários são os motivos que levam uma pessoa à obesidade. Algumas, por exemplo, possuem distúrbios metabólicos que impedem a gordura dos alimentos que elas ingerem se transformar em fonte de energia, acumulando calorias com maior facilidade que outras que não possuem esse tipo de problema. Outros, infelizmente, realmente não cuidam da alimentação e, consequentemente, da saúde. É por causa desses que vem o preconceito. Alguns gestores acreditam que se uma pessoa não é capaz de cuidar de si mesmo, não é apto para assumir responsabilidades e dar conta de fazer um trabalho com capricho. Eles associam, na verdade, a gordura ao desleixo.

É preciso ficar claro, entretanto, que não é verdade a máxima de que “só é gordo quem quer”. Alguns se esforçam, fazem tratamentos, exercitam-se, possuem uma excelente alimentação e uma disciplina impressionante, porém, nem assim conseguem diminuir alguns números na balança. Apesar de os hábitos da vida moderna favorecerem a obesidade, nem todos os gordinhos podem ser considerados sedentários, assim como, ser magro não é sinônimo de saúde. Se pararmos para refletir, é ignorância pensar que uma pessoa gorda não é capaz de cuidar de algo, pois o inverso seria verdadeiro – o magro ser capaz de cuidar bem de um trabalho, já que cuida bem de sua saúde – e sabemos que isso nem sempre é verdade. Aliás, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Há quem diga, inclusive, que os obesos deveriam ganhar menos, já que eles possuem uma maior probabilidade de serem morosos, improdutivos ou qualquer coisa do gênero. Talvez para cargos que requeiram esforços físicos, isso possa ser uma verdade. Mas o que isso tem a ver com liderar, criar, vender, inovar? Absolutamente nada. Exatamen­­te por isso, repugno qualquer pessoa que ignore as capacidades técnicas de um profissional, simplesmente pelo tipo físico dele. Claro que, se as competências comportamentais deixarem a desejar (entrando na história do desleixo), há que se repensar a contratação. Mas, volto a dizer, isso não tem a ver com a pessoa ser gorda ou não. Tem a ver com personalidade, responsabilidade consigo mesmo etc. Uma série de fatores que excluiria qualquer profissional independentemente de até onde vai o ponteiro da balança.

Levando em consideração que no Brasil existem cerca de 10,5 milhões de obesos, fico imaginando quantos profissionais excepcionais temos e que são descartados antes mesmo de poderem mostrar a que vieram. A advertência vale para aqueles que estereotipam ideias de talentos de acordo com a cor do cabelo ou da pele, da idade e do sexo. Por isso vale a lembrança, todos somos capazes. O que nos torna diferentes uns dos outros é o esforço que utilizamos para colocar em prática essa capacidade. Jamais podemos ser aprovados ou eliminados em um processo seletivo por causa de qualquer atributo físico ou crença.

Teste

Você se deixa levar pelo preconceito?

1. Você está fazendo uma negociação por telefone com uma vendedora com uma voz bonita e muito simpática. Ao conhecê-la pessoalmente no dia do fechamento do negócio, você descobre não é bonita como você imaginava. Você:

a) Desiste do negócio.

b) Fecha, mas evita continuar contato com ela.

c) Fecha assim mesmo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

2.Você é promovido a diretor e herda uma secretária que está bem acima do peso. Você:

a) Troca de secretária.

b) Fica com ela, mas faz de tudo para que ela se demita.

c) Fica com ela, afinal ela é uma excelente profissional.

3. O departamento de seleção lhe indica um excelente profissional para uma função em sua área, mas que possui 10 anos a mais que você. Você:

a) Nem entrevista o candidato.

b) Entrevista, mas dá um jeito de reprová-lo.

c) Entrevista, e, se atender ao perfil, contrata-o.

4. Você entra no avião e antes da decolagem você descobre que o piloto é uma mulher. Você:

a) Sente vontade de descer do avião.

b) Faz umas gracinhas a respeito.

c) Acha interessante, pois não é muito comum.

5. Você recebe os resultados de testes técnicos realizados pelos candidatos e descobre que a melhor nota é do candidato mais novo e menos experiente. Você pensa:

a) Ele colou.

b) Teve sorte.

c) O profissional está muito bem preparado.

6. Você descobre que seu colega de trabalho com o qual você tem grande afinidade é homossexual. Você:

a) Afasta-se dele.

b) Mantém a relação, mas esfria um pouco.

c) Não muda nada.

Se suas escolhas estão entre as alternativas “a” e “b”, você está deixando seu preconceito influenciar em suas decisões. Pondere. Você pode estar se afastando de excelentes pessoas por pequenos detalhes que não valem a pena.

Assunto do dia – Preconceito contra obesos e sobrepesos

Artigo – Sempre rechaçada

(Publicado na Gazeta do Povo em 10/10/10 [Acesse aqui] e em O Correio do Povo em 16/10/10)

Volta e meia atendo profissionais em meu escritório no intuito de conhecer suas histórias e aconselhá-los sobre os melhores rumos para suas carreiras, ou até mesmo ajudá-los com alguma recolocação, na medida do possível. Confesso que muitas vezes me deparo com situações deveras inusitadas, que me fazem refletir sobre o movimento do mercado, das contratações e dos profissionais de uma forma geral. Foi num desses atendimentos que conheci Joana, uma moça de 30 anos completamente insatisfeita com a forma como as coisas aconteciam em sua trajetória profissional.

Ao iniciar nossa conversa, já pude notar que havia algo de errado com a moça. Ela parecia desacorçoada e envergonhada. Ao falar, não olhava diretamente nos meus olhos, seu tom de voz era muito baixo, quase inaudível, e sua linguagem corporal denotava total desconforto na cadeira. Não sei se o incômodo era causado pela suposta timidez, ou se era por Joana estar muitos quilos acima do seu peso ideal. A verdade é que a moça sofria notavelmente de problemas com obesidade.

Joana relatou os últimos anos de sua vida profissional de uma maneira sem entusiasmo. Pela idade e pelos atributos técnicos que possuía, deveria ocupar pelo menos um cargo de coordenação. Mas, infelizmente, e ela não sabia explicar o porquê, ainda respondia como analista financeira de uma empresa sem notoriedade no mercado brasileiro. E, o que era pior, não possuía nenhuma perspectiva de crescimento nos próximos anos. Sua carreira se mostrava estagnada e sem nenhuma possibilidade de deslanchar. Ela tinha consciência, porém, de que o problema não estava em sua formação, pois sempre investira bastante em sua empregabilidade. Por outro lado, admitia não ser uma pessoa tão fácil de se conviver, já que sua baixa autoestima pela obesidade lhe causava constantes problemas de relacionamento.

Perguntei a ela, então, se alguma vez ela havia recebido algum feedback relacionado ao fato de ela estar acima do peso. Com as faces rubras, Joana contou sobre certa vez em que um chefe, tomado por um acesso de nervosismo, insinuou que, assim como ela poderia ser desleixada com sua alimentação e sua saúde, poderia, também, ser descuidada com seu trabalho e com suas responsabilidades. A moça contou que ficou dias deprimida com o que ouviu. Pensou em processá-lo por assédio moral, em pedir demissão, e até em desistir da profissão e ir em busca de um emprego autônomo, onde não precisasse mais ouvir grosserias de nenhum chefe desaforado. Porém, tomada por sua insegurança, permaneceu onde estava, sem sequer exigir que o chefe se retratasse da indelicadeza que havia cometido com a jovem.

Em seguida, Joana se lembrou de outra vez, quando estava em um evento importante na área de finanças e tentava se aproximar das pessoas desconhecidas para formar um vínculo profissional, sendo, porém, sempre rechaçada. De acordo com a moça, foi muito constrangedor tentar puxar papo com pessoas desconhecidas que simplesmente a repeliam, virando-lhe as costas e deixando-a excluída. Depois desse evento, negou-se a ir a qualquer ambiente em que não pudesse ter um acompanhante.

Perguntei a Joana o que exatamente a incomodava mais: a sua aparência física ou a maneira com que as pessoas aparentemente reagiam a isso. A moça, curiosamente, assumiu que sentia um complexo muito grande por ser como era. Explicou-me que tinha problemas com seu metabolismo muito lento, e, por mais que tentasse emagrecer, não conseguiria, já que o problema a impedia de emagrecer. Foi então que mostrei à moça que o que a deixava abandonada do meio social não eram as pessoas à sua volta, mas ela própria. Seu complexo com a própria aparência era tão evidente que ela mesma se excluía do convívio social. Sem que ela percebesse, afastava as pessoas a quilômetros de distância de si mesma. Com isso, mantinha-se fechada em seu mundo, sem permitir que suas competências comportamentais aparecessem tanto quanto suas competências técnicas, o que a deixava estacionada na carreira. Era uma bola de neve. Quanto menos ela se importava em estar bem consigo mesma, mais ela regredia profissionalmente.

Não nego que haja preconceito com os gordinhos; porém, para crescermos na carreira, vários fatores são levados em consideração, inclusive a maneira com que você se comporta diante de suas próprias condições. Ainda falarei um pouco mais sobre esse preconceito e sobre a importância de se manter bem e alheio a pormenores que, definitivamente, não compõem um bom profissional.

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