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Quando nossas redes sociais falam mal de nós mesmos

Podemos ter tornado os smartphones e notebooks nossas extensões, mas, mais que isso, tornamo-nos nossos próprios acusadores, e deixamos provas, ora favoráveis, ora não, contra nós mesmos, por espontânea vontade


A construção e manutenção da nossa imagem frente a amigos e familiares é uma coisa à qual já estamos acostumados, mas a regra para o mercado corporativo é outra, totalmente diferente, e tão delicada quanto uma digna porcelana chinesa.

Ter a fama de um profissional que profana contra os outros, principalmente por suas costas, obviamente, é maléfico para sua própria reputação. Por isso, se quer ser lembrado, que seja pelo bem, por resultados, por elogios, comentários bons a respeito de ex-colegas, ex-chefes e ex-subordinados.

Há algo que todos já sabem sobre a contratação de profissionais: a maioria dos contratantes busca referências dos candidatos em seus antigos empregadores. Além de notas sobre desempenho e qualificação, que são facilmente obtidas por meio de uma breve entrevista com o próprio candidato ou o currículo, eles buscam referências sobre a parte comportamental. O comportamento é, muitas vezes, considerado mais importante que a qualificação em si, já que ela pode simplesmente ruir toda uma equipe, ou fazê-la cada vez mais coesa e unida, de maneira que trabalhe com eficiência impressionante. Mas há, também, o outro lado da moeda. O ser humano, como todos sabem, é capaz de realizar proezas que até seus semelhantes duvidam e podem, sim, mascarar atitudes de seus ex-compatriotas facilmente. Sabendo disso, um novo local de busca nasceu, já rico em informações críveis: a internet.

Percebo por várias pessoas e conhecidos que volta e meia me adicionam nas redes sociais. Muitos misturam seus perfis entre profissional e pessoal, ou simplesmente são muito descuidados com suas mensagens escritas e com o rastro deixado por elas.

Ao entrar no perfil de qualquer um em qualquer rede social, é possível, de maneira rápida e silenciosa, descobrir alguns pensamentos, comportamentos e atitudes desta pessoa. Podemos ter tornado os smartphones e notebooks nossas extensões, mas, mais que isso, tornamo-nos nossos próprios acusadores, e deixamos provas, ora favoráveis, ora não, contra nós mesmos, por espontânea vontade.

Aquela velha máxima “quem não é visto, não é lembrado” estende-se perfeitamente aos sites e redes que estamos conectados, mas é bom pensar duas, três vezes antes de postar qualquer mensagem. Atualmente, muitas redes permitem o compartilhamento de informações entre si, mas nem sempre o foco de uma é igual ao foco da outra. O LinkedIn, por exemplo, é uma rede social com perfil profissional e lá devem ser tratados aspectos estritamente profissionais. Já outras redes, como Facebook, Twitter, Orkut etc., têm um perfil mais pessoal, onde, mesmo assim, há que se ter cuidado com o que se posta lá.

Há alguns segredos que ajudam a manter nossa reputação e credibilidade em seu devido lugar: conosco. Primeiro, não seja rabugento ou reclamão e não faça de seu mural na rede social um mural de lamentações e reclamações; segundo, saiba guardar segredos, vire o seu próprio túmulo e o dos outros – lembre-se que um segredo bem guardado é um segredo não contado (ou seja, só você o conhece); terceiro, limpe seus rastros. Seja um carrasco de seu próprio comportamento e policie-se mais sobre suas atitudes; quarto, não seja rancoroso. Guardar intrigas e raiva de antigos colegas nunca é bom. Um dia, eles podem aparecer novamente como seus colegas, ou mesmo como chefes; quinto e último, seja grato pelo seu antigo emprego. Se eles eram bons ou maus colegas, isso não vem ao caso. A empresa abriu as portas para você gentilmente, não seja turrão de fechá-la com um pontapé. Quem sabe, esse pontapé não ache o caminho de volta um dia também.

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Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui para acessar o local original de publicação.

O mal pode estar em você – O Efeito Lúcifer – Vídeo

Identificou você ou alguém com as características?

Para saber mais e saber como lidar com o fenômeno, leiam o artigo abaixo.

 

Abraços do Bernt.

O mal pode estar em você – O Efeito Lúcifer – Dicas, teste

O Efeito Lúcifer

(Publicado na Gazeta do Povo em 26 de Outubro de 2010)

 

Pessoas comuns e…maldosas?

Pode acontecer sim, sobretudo, no trabalho. Esse comportamento foi estudado e tem um nome.: Efeito Lúcifer. Veja no artigo abaixo se você se enquadra no perfil ou se identifica alguém no seu ambiente de trabalho que age dessa forma e, claro, saiba como lidar com o fenômeno.

 

Estudada por Philip Zimbardo, o Efeito Lúcifer têm sido muito comentado no meio corporativo. Simplificando a teoria do estudioso, esse efeito diz respeito às maldades feitas por pessoas comuns, algumas, inclusive, aparentemente muito tranquilas. Dentro das empresas é ainda mais fácil ver esse fenômeno acontecer, já que todos nós sofremos com pressões diárias. Porém, levando a teoria de Zimbardo em consideração, atenho-me à uma pergunta: por que profissionais tão bons, eficientes, capazes e de perfis comportamentais considerados ideais, às vezes cometem atos tão abusivos e antiéticos?

Acredito que o princípio de tudo está na cultura organizacional. Dentro de uma empresa, quem define a forma com que aquela empresa agirá e reagirá diante de cada situação que envolve o mundo corporativo, são os líderes. Um líder, seja o dono da empresa, seja o Presidente ou mesmo chefes de pequenas equipes precisam ser exemplos para seus subordinados. Quando nervosos e arrogantes, a tendência é que os profissionais que estão abaixo deles ajam da mesma forma.

Não há ninguém 100% bom, nem ninguém 100% mau. As pessoas são conduzidas a agirem de acordo com o ambiente em que estão inseridas. Por exemplo: se uma pessoa “boa” convive com colegas de trabalho que abusam moralmente de seus subordinados e nada faz para evitar que aquilo aconteça, ela está, de certa forma, anulando-se e compartilhando do ato abusivo. É por isso que é fundamental que as regras de uma empresa estejam sempre muito claras para os profissionais que nela trabalham. Desta forma, quem agir fora das regras poderá ser alertado e deverá se responsabilizar pelos próprios atos.

Porém, uma coisa é fato. Ninguém comete atos antiéticos sem ter predisposição a isso. Pode ser que uma pessoa prefira sempre agir de forma politicamente correta, seguindo sempre as regras que lhes são impostas. Porém, lá no íntimo, sem que ela mesmo saiba, esconde ímpetos de agressividade, má índole e desconsideração com o próximo. Assim, tendo um motivo, por mais banal que possa parecer ser, qualquer fagulhinha pode virar um incêndio aparentemente inexplicável. Se você parar e pensar um pouco, certamente se lembrará de situações em que pessoas admiradas por sua tranquilidade, perderam a cabeça e agiram de forma repulsiva. Nós mesmo, às vezes, não conseguimos entender como pudemos reagir a determinada situação de forma como nunca fizemos antes. Isso, porque, quando centrados, conseguimos equilibrar nossas ações e reações. Porém, quando sob pressão, tendemos a colocar instintos escondidos, ou influenciados pelo meio que vivemos, para fora.

Infelizmente, um relacionamento só se deteriora, quando atos de humilhação e desvalorização alheia ocorrem. Um subordinado que cria a coragem de ser desrespeitoso com seu chefe uma vez, por exemplo, tenderá a ser sempre insubordinado.

Há outros fatores que fazem com que pessoas, aparentemente boas, tornem-se monstros diante de determinadas situações. A ambição descomedida é uma delas. Algumas pessoas perdem a noção do limite, quando o que está envolvido são os seus desejos cada vez mais pretensiosos. É preciso saber lidar com as próprias emoções. Não há nada de errado em ansiar por crescimento, e sucesso profissional e financeiro. O problema está em como lidamos com esses desejos e o que somos capazes de fazer para conquistá-los.

Por isso, se posso dar um conselho, diria que é importantíssimo acabar com situações de desvalorização do próximo, com brincadeiras pejorativas, que humilham nossos colegas. Algumas vezes, nem temos a intenção, mas, por não saber controlar nossos impulsos, falamos coisas que deixam nossos colegas tristes. E, o pior, às vezes nem notamos. Por isso, não podemos ser inconsequentes com o que fazemos e dizemos. Tudo, absolutamente tudo, precisa ser pensando antes. Nunca sabemos quando uma inocente brincadeira vai magoar nossos colegas. E, o que considero o principal, precisamos deixar de ser tolerantes às maldades. Ver atos abusivos diante de nós e não fazer nada é o mesmo que cometer os maiores absurdos do mundo.

DICAS:

  • Abra um canal para feedbacks para seus subordinados. Às vezes abusamos, e não percebemos.
  • Não se cale diante de atos abusivos. Quando você finge que não vê alguém humilhando outra pessoa, você acaba participando daquilo, por tabela;
  • Não deixe que o ambiente em que você está inserido te influencie negativamente;
  • Ao explodir com alguém, cuide para que a relação volte às boas. Caso contrário, ela se deteriorará dia após dia, chegando a uma condição insustentável. Isso só tem a prejudicar ambos;
  • Se você é chefe, cuide para que não cometa nenhum tipo de assédio com seus subordinados. O assédio varia muito, de acordo com a visão de quem o recebe. O que é uma brincadeira para você, pode ser uma ofensa muito grande pra quem recebe;
  • Se você é subordinado, jamais desrespeite seu chefe, mas também não se permita ser humilhado. É o seu emprego que está em jogo;

TESTE

Marque X nas questões com as quais você se identifica:

(   ) Você acha que exagera, às vezes, na rispidez com as pessoas com as quais trabalha.

(   ) Quando você é cobrado por um trabalho, procura logo alguém para transferir a responsabilidade.

(   ) Você se acha estressado.

(   ) As pessoas de sua equipe preferem se restringir a assuntos profissionais com você.

(   ) Você já foi acusado de assediar moralmente alguém.

(   ) Você considera pesado o clima da sua empresa.

(   ) Há muito tempo você vem se sentindo desmotivado em continuar na empresa a onde trabalha.

(   ) Puxando pela memória, você consegue se lembrar de algumas vezes em que assumiu uma postura muito agressiva diante de uma situação atípica.

(   ) A sua relação com seus colegas de trabalho já não é tão boa como antigamente.

(   ) Muitas vezes você prefere que as pessoas não lhe tomem como exemplo.

(   ) Quando você vê alguém fazendo algo errado, normalmente prefere não interferir e fingir que não viu nada.

(   ) Às vezes você tem a impressão que as pessoas não confiam em você.

(   ) Volta e meia você se percebe participando de fofocas e brincadeiras pejorativas.

Se você marcou a maioria das questões acima, cuidado! Nem sempre precisamos parecer vilão da novela das oito para nos tornarmos pessoas ruins. Muitas vezes, fazemos o mal ao próximo sem nem perceber.

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