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A importância de se desligar
Com o feriadão que acabamos de passar, surgiu-me uma reflexão. Até quanto podemos nos desligar? Após algumas dúvidas sobre deixar ou não deixar as obrigações profissionais de lado, cheguei a uma conclusão bastante simples. É fundamental se desligar sim, pois nenhum de nós consegue ficar tanto tempo sem descansar e usufruir do ócio tão merecido por todos. Porém, quanto mais estratégica for a posição do indivíduo, maior é a importância de permanecer de plantão, caso algo importante aconteça.
Algumas posições são insubstituíveis. O dono de uma empresa, por exemplo, é o responsável por algumas decisões que só cabem a ele tomar, e na sua ausência, ou as coisas param, ou a paz do descanso do líder vai por água abaixo, pois certamente ele precisará ser incomodado para resolver a situação. Mas, até onde a dedicação incessante à empresa é bom?
Gerindo pessoas e uma empresa voltada para o capital humano, respondo: dedicação é importante, mas não é sinônimo de viver em função da empresa. Costumo dizer que um profissional que se preze está sempre à disposição da empresa quando ela necessita dele, não importa se é sábado, domingo ou feriado, não importa se é de manhã, à tarde ou à noite. Isso não quer dizer ficar na empresa por todo esse tempo, mas sim que se por algum motivo específico e atípico a empresa precisar de sua disponibilidade nesse horário, o profissional deverá estar à disposição.
Seguindo por esse raciocínio, acredito que todos devemos aproveitar de momentos de descanso, sejam longas férias ou breves feriados. Até mesmo os brevíssimos fins de semana precisam ser aproveitados adequadamente, deixando o que é do trabalho lá na empresa e trazendo para casa apenas a empolgação pertinente a dias de descanso.
Agora mesmo, tivemos um longo feriado. Pergunto: o que você fez pela sua saúde física e mental? Viagens, passeios, brincadeiras com os filhos, bar com os amigos, cinema com o companheiro… o que de bom você fez? Você levou trabalho para casa, ou terminou tudo que tinha que ser feito antes de o feriado começar?
Quando falo sobre a importância de descansar e se desligar por inteiro do trabalho nesses dias, penso, inclusive, no bem da própria companhia, já que um profissional cansado somente se estressa e dificilmente rende o que deveria render. Quando uma pessoa trabalha no seu limite físico e/ou mental, dificilmente ele consegue produzir aquilo que seria capaz, caso a mente e o corpo estivessem descansados. Sendo assim, a atitude de deixar que seus funcionários descansem devidamente em suas férias, ou em feriados como o que tivemos na semana passada é uma atitude muito inteligente por parte de qualquer gestor.
Afinal de contas, já estamos em setembro, e muitos profissionais já estão com suas férias agendadas para os próximos meses. Cabe a esses profissionais aproveitarem da maneira correta seus dias de descanso, e à empresa proporcionar dias realmente livres a seus funcionários para que eles consigam se desligar completamente.
Por fim, gostaria de lembrar das horas extras. Infelizmente, muitos profissionais utilizam esse “recurso” como forma de tirar uma graninha a mais no final do mês, ou mesmo acumular várias horas no banco de horas, para tirar como bem entender. Entendo que a vida não é fácil pra ninguém. Mas antes de se matar trabalhando por um trocado a mais, pense com seriedade na sua saúde. De nada adianta se dedicar incessantemente, e depois ter de sair correndo para um hospital por causa de um piripaque qualquer ocasionado por estresse ou por um corpo, simplesmente, cansado. Pense nisso!
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Teste
Hora de testar algumas de suas práticas e a importância que você dá ao descanso:
1 – No trabalho, você:
a) Faz sempre muitas horas extras, passa a noite trabalhando para estar no trabalho no outro dia cedo novamente.
b) A empresa, seu superior e você reconhecem a importância do horário de trabalho regular, para que outras atividades sejam desenvolvidas fora do horário de expediente.
2 – Fora do trabalho:
a) Fica pensando no trabalho, ou trabalhando de casa em projetos menores – não consegue desligar de lá. O trabalho exige muito de você e não há tempo para descansar.
b) Esquece o mundo da empresa, desliga o celular e praticamente some. Fora da empresa você relaxa e faz suas tarefas normalmente.
3 – Fora do expediente:
a) Está sempre cansado, não consegue realizar outras atividades como gostaria.
b) Faz algum esporte, sai com amigos(as), pratica seus hobbies – há vida fora do escritório, afinal de contas.
5 – A sua alimentação:
a) É sempre corrida. Mal consegue mastigar a comida direito. Joga tudo para dentro para continuar trabalhando.
b) Os horários de alimentação são respeitados. Come calmamente, aproveita o tempo de sobra do almoço para relaxar, conversar e fazer outras coisas.
6 – À noite:
a) Fica fazendo outras coisas e sempre se deita tarde. Acaba dormindo poucas horas na noite e a sonolência atrapalha muito no trabalho.
b) Tem uma boa noite de sono, dorme o suficiente para não ter problemas como perder a hora no dia seguinte.
7 – Férias:
a) Entra ano, sai ano, vem feriado, vai feriado e nada de um descanso consistente.
b) Todo ano você escolhe um período para descanso. Viagem com a família, cônjuge ou sozinho são sempre ótimos para equilibrar mente e corpo novamente.
O teste é um pouco óbvio, mas serve como uma pequena lista para que cada um observe quais pontos têm deixado de lado – e qualquer um deles pode estar desequilibrando seu bom desempenho no trabalho. As alternativas “B” mostram as práticas mais recomendadas às pessoas. Se mesmo equilibrando bem o lado pessoal e profissional e respeitando os horários de descanso há alguma coisa que continua a incomodar, não seria má ideia consultar um médico. O fim do ano está chegando e planejar as férias desde já é uma ótima pedida. Bom descanso a todos!
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Precisa-se de descanso
Joel, criativo, simpático, dono de uma mente versátil. Desistiu de estudar arquitetura no último ano, cursou odontologia. Formou-se, ganhou duas paixões: sua esposa, uma cliente que gostava estranhamente de comparecer ao dentista a cada quinze ou vinte dias, e a profissão. Dez anos depois, ganhou três outras paixões: Isabela, 8, Marília, 9. Agora com 37, não sabe o que é tirar férias há muitos, muitos anos.
O garoto que começou como assistente/secretário em outros consultórios, sempre mostrou afinco e curiosidade pela profissão. Adorava auxiliar seus empregadores/dentistas nas consultas e não via a hora de ter os próprios equipamentos e uma sala para si. Alguns anos, e muito suor e dedicação mais tarde, já tinha a confiança e credibilidade necessários para conseguir a própria sala em um grande consultório, onde tinha a sala, a cadeira, seus equipamentos e dividia os custos com outros dentistas. Realizado, simpático e competente, conseguiu formar e fidelizar sua clientela.
Mais alguns anos e Joel abriu o próprio consultório. Nesta dura jornada de muito trabalho e esforço pelo próprio sucesso, ele não se recordava mais o que significava descanso. Apesar disso, e como um bom funcionário do ramo de saúde, alimentava-se cuidadosamente e praticava exercícios leves, cuidando principalmente das costas e da postura, devido à posição de trabalho dos dentistas. Para Joel, descanso era à noite, em casa, assistindo a filmes ou a novela com as três mulheres da casa, e nos fins de semana e feriados. Nos feriados, nunca os emendava. “Sempre haverá alguém precisando de uma consulta!”. De fato havia. Era comum atender inclusive aos sábados pela manhã, quando seu telefone tocava e lá ia Joel, atender (com muito prazer) aos chamados desesperados como dor de dente, dentes quebrados e por aí vai.
Não satisfeito, Joel decidiu participar de uma associação voluntária de dentistas, cujo propósito era viajar a cidades do interior que não tinham consultórios odontológicos e visitar comunidades para fazer trabalhos preventivos com a população local que não tinha dinheiro para pagar por um tratamento –uma atitude honorável, diga-se de passagem.
Como se não bastasse ter o próprio consultório e ser dentista voluntário, ele queria ampliar seus conhecimentos na área e aprender outras especialidades e habilidades novas. Isso também fazia com que tivesse que viajar todos os meses para estudar.
Certa época, Joel começou a sentir algumas dores de cabeça. Pensando ser uma dor comum, disfarçava com analgésicos, e as dores diminuíam e cessavam. Porém, os sintomas, que eram inicialmente disfarçados pelos analgésicos, começaram a aparecer no corpo. Em uma manhã, começou a ter espasmos e dores musculares. Seus músculos de um braço e de uma perna travaram. Joel teve uma crise de estresse.
Obrigado a tirar férias pelo seu médico, Joel atendeu ao pedido relutante. Acostumado a trabalhar muito (inclusive nos fins de semana), ser voluntário, pai de família e ainda estudante, estava escrito claramente que uma crise nervosa ali se instalaria cedo ou tarde. O médico ainda o alertou: “Se você fosse sedentário, não praticasse exercícios e não cuidasse da alimentação, poderia ser pior. Outros casos acabam com um enfarte ou até mesmo um AVC”.
Joel sem dúvidas tomou um susto. Apesar de cuidar da saúde, abusou dos limites do corpo e das atividades – por mais que desse conta, o corpo não suportou. Na coluna Talento em Pauta desta terça-feira, falarei mais sobre as melhores maneiras de equilibrar o trabalho e o descanso, além da importância da dedicação em cada um deles, é claro. Até lá!
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
A importância dos estagiários
É bom relembrar que os estagiários não devem ser aproveitados como mão de obra barata e muito menos como escravos
Ao contrário do que se pensa, não é somente nos cargos altos e estratégicos que falta mão de obra qualificada. Há algum tempo vi uma matéria que falava sobre a falta de uma mão de obra essencial em todas as empresas: os estagiários. Nesse caso o problema é claro, é a falta de interesse de jovens querendo trabalhar. Muitos jovens, ainda embalados pelo espírito jovial, pensam somente nos prazeres que essa época proporciona. Querem somente “curtir” as inúmeras festas, divertir-se com os amigos e sem ter uma vida cheia de responsabilidades. Não desejo proibir isso de maneira alguma, mas ressaltar que há como equilibrar carreira e lazer perfeitamente.
Obviamente não se pode generalizar, há muitos jovens mais responsáveis que alguns adultos, mas o que entristece muito os recrutadores é a oportunidade que eles mesmos estão desperdiçando de construir e iniciar uma carreira sólida.
Todos os profissionais deveriam passar por estágios. O maior exemplo, acredito, são os médicos. Mesmo depois de formados, eles passam anos fazendo residência, que nada mais é que um estágio. Nesse tempo eles colocarão em prática tudo aquilo que estudaram por muitos anos, sob a orientação de quem já tem anos de prática e experiência. Afinal de contas, seria muito perigoso e irresponsável que os recém-formados saíssem, por exemplo, receitando remédios e operando sem qualquer experiência. Sendo assim, não há porque ser diferente com as outras profissões.
Mas para aqueles jovens que têm esse zelo com a própria carreira é bom lembrar de algumas regras. Os jovens, no geral, tem um espírito muito apressado. É preciso ter humildade com suas habilidades (pois eles facilmente têm mais conhecimentos nas novas tecnologias que os chefes) e paciência para esperar as coisas acontecerem.
Além disso, a empresa não é uma extensão da casa e é preciso agir com moderação, sem exageros na conduta. Se todos dessem a devida importância a essas empresas, certamente sairiam com mais experiência e, por sua vez, com mais oportunidades de se formar já empregados.
Às empresas
Olhando pelo ponto de vista do empregador, é bom relembrar que os estagiários não devem ser aproveitados como mão de obra barata e muito menos como escravos. Conheço pessoas que pedem: o paletó que esqueceu no carro, o café na mesa às 9h15 e até mesmo “faça orçamentos de bolos de chocolate. Hoje é aniversário do meu filho e não tenho tempo para ver isso”. A escravidão acabou há séculos. Muitos estagiários têm um potencial imenso, como uma pedra preciosa é preciso lapidar para tirar o melhor deles. Nunca se sabe o potencial que cada um guarda dentro de si. Você pode estar subestimando um verdadeiro talento, ou então descobri-lo e fazer dele “a menina dos olhos da empresa”.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
A importância da imparcialidade
O chefe ou gestor deve utilizar as informações e dados que lhe são passados ou sugeridos para tomar a melhor decisão para a equipe ou empresa
Você consegue desligar suas emoções antes de decidir algo? Analisar os fatos e dados, a verdade nua e crua, saber qual o melhor caminho antes de dizer “é por aqui que vamos”. Acredito que a imparcialidade está no limite entre a razão e a emoção, e por isso mesmo é tão difícil tomar decisões sábias, sem se deixar influenciar pelo ambiente.
Para ilustrar esse tema, posso citar a imprensa. Quando um jornal noticia um debate político, o programa não pode dizer que é a favor de um ou outro. Essa decisão deve ser tomada pelo público, baseado nos fatos e dados que foram coletados para exibição no jornal. No meio empresarial ocorre o mesmo, mas no caminho inverso.
O chefe ou gestor deve utilizar as informações e dados que lhe são passados ou sugeridos para tomar a melhor decisão para a equipe ou empresa. Por mais que a melhor ideia tenha vindo daquele subordinado que o gestor teve uma discussão na semana passada, há que se ter juízo e racionalidade para decidir. Afinal de contas, escolhas erradas podem ruir empresas inteiras e levá-las à falência.
Um exemplo ainda mais prático de uma situação dessas é uma promoção. Suponha uma equipe de cinco gerentes onde um só deve virar diretor. Se somente os méritos pessoais fossem levados em consideração na decisão, e fosse escolhido aquele pelo qual o presidente tem a maior empatia, ele pode ter cometido um grande erro. Ao escolher aquele que não é o mais capacitado, mas é somente o mais amigável dentre os outros, pode ter dado início ao declínio de sua empresa, ou então limitado o crescimento da mesma até tal proporção, sendo que o colega dele, mais linha dura, pudesse fazer os rendimentos duplicarem.
É por isso que um gestor deve conhecer profundamente todos os setores e processos de uma empresa – desta maneira, ele evita ter que pedir opiniões a todo momento, e pode tomar mais decisões sem influências de terceiros. Ou então, quando uma decisão envolva mais pessoas, como em uma reunião ou assembleia, o melhor a se fazer é que todos falem. Por mais que nenhuma das ideias seja a ideal, a união de características de cada uma delas pode ter a resposta final para um problema.
É bom ressaltar também a conduta e o tratamento individual. Empatias grandes ou até mesmo negativas não podem ser determinantes de maneira alguma na inclusão ou exclusão de uma pessoa em um processo, reunião ou em um direito de opinar. Não é porque ela não conhece direito um determinado processo que seja incompetente – ela pode ser especialista em outros assuntos. Embora a reputação não seja a melhor, ser aquele frio e calculista, muitas vezes, é tudo o que uma empresa precisa. Isso se aplica em decisões, contratações, promoções, reuniões e, claro, na vida pessoal.
Por Bernt Entschev
Artigo publicado no Blog Vida Executiva, em 21-02-11.
Para acessar o local original de publicação, clique aqui.
Abraços do Bernt!




