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Furtos, desvios e até roubos – fraudes dentro da empresa
O que leva um funcionário a fazer isso contra seus próprios colegas de trabalho ou empregadores?
Uma das maiores decepções de um empresário é descobrir que um funcionário em quem confiava anda cometendo furtos dentro das paredes que cercam a empresa. E é sobre isso que venho falar hoje, já que, infelizmente, esse assunto é tão frequente e, muitas vezes, nem mesmo tomamos conhecimento. Afinal de contas, ao falar de furtos, roubos, fraudes etc., podemos imaginar uma infinidade de situações. O que leva um funcionário a fazer isso contra seus próprios colegas de trabalho ou empregadores?
Então, vamos por partes. Acredito que ao detectar uma situação dessas na empresa, o primeiro passo é ponderar o porquê disso. Será que os gestores têm feito vistas grossas diante de condutas inadequadas, ou confiando demais em funcionários que mal conhecem? O clima organizacional pode influenciar, sim, uma má conduta por parte de um funcionário. Quando todos na empresa se mostram insatisfeitos com a forma de condução de uma empresa, é porque algo está errado. E, o que é pior, o clima ruim acaba influenciando negativamente àqueles mais vulneráveis, que só esperavam um pretexto para abusar da falta de atenção alheia. Aliás, não posso deixar de comentar que essa vulnerabilidade é algo que já vem com o indivíduo e está diretamente ligada à sua personalidade, ética e moral. Ou seja, quando o profissional já possui traços em sua personalidade que o permitem cometer esse tipo de ato (furtos, desvios, roubos etc.), é muito provável que venha a fazer algo contra a empresa mais cedo ou mais tarde. Mesmo assim, é fundamental cuidar do clima organizacional para que ele jamais influencie negativamente aos funcionários.
Há maneiras, porém, de evitar roubos dentro da empresa. Uma delas, mais conhecida por todos nós, é a constante vigilância. Conheço empresas onde os funcionários são totalmente vigiados através de câmeras, guardiões, e até células de trabalho em pequenas salas rodeadas por vidros. Não considero exagero, e sim precaução, já que hoje em dia mal podemos confiar em nossa própria sombra. Acompanhar o trabalho de seus funcionários também é fundamental. Sei que para empresas grandes, isso é humanamente impossível ser feito por uma única pessoa. Mas, se cada gestor de área fizer a sua parte, po¬¬de ter certeza de que muitos ca¬¬sos poderão ser evitados.
Bom, suponhamos então que uma dessas situações aconteceu e não há mais o que fazer. O caso, então, é tomar as providências perante o funcionário. O primeiro passo é chamá-lo para uma conversa franca e explanar que a empresa já sabe de tudo. O segundo é denunciá-lo. E é nessa etapa que deparo com reações inacreditáveis. Algumas empresas, por medo (ou qualquer outra coisa que eu não entendo) preferem não denunciar o funcionário, e apenas demitem sem deixar que eles tenham qualquer benefício, como se fosse uma espécie de acordo: eu não te denuncio, mas você também não entra na Justiça contra mim por não ter te dado os direitos da demissão. Lamentável, mas pode acreditar que acontece.
E o resultado disso? Muito fácil responder a essa pergunta: a impunidade permitirá que aquele profissional continue cometendo esses abusos em outras empresas. E parte da culpa, nesse caso, é daquela empresa que não fez a sua parte de denunciar e punir da forma correta.
Não podemos ter medo de agir com vigor diante de funcionários desse tipo. É preciso falar abertamente com toda a empresa, orientando a todos sobre a cultura da empresa e sobre sua intolerância com esse tipo de coisa. Uma vez que fica oculta a opinião da organização a respeito disso, fica mais fácil para aquele funcionário com personalidade duvidosa fazer o que bem entender… ele nem sabe se será punido! Da mesma forma, é de direito da empresa vigiar suas instalações em prol da segurança de seus funcionários e de sua própria segurança. Pense nisso e avalie se sua em¬ presa não tem sido negligente diante de situações realmente muito sérias.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Dicas e Teste: Fraudes – Fique de olho
DICAS
- Espalhe câmeras de segurança e vigilantes nas instalações da empresa. Cada empresa necessitará de um tipo de sistema de segurança, avalie qual o melhor para a sua empresa;
- Deixe bem claro para seus funcionários a opinião da empresa em relação a fatos abusivos, como furtos etc.;
- Cuide do clima organizacional. Muitos profissionais se sentem influenciados negativamente pela forma como todos na empresa agem. Se o clima não estiver leve e tranquilo, a própria empresa poderá causar situações contra si própria;
- Não seja negligente. Se alguém cometer algum ato ilegal dentro dos seus domínios, denuncie;
- Caso algo aconteça, tome as devidas ações para resolver o conflito da melhor forma possível.
TESTE
Às vezes somos cúmplices de atos criminosos mesmo sem perceber, vamos a algumas situações hipotéticas:
Você viu um colega mexendo no estoque e ele:
( ) Pediu que você não contasse a ninguém.
( ) Disse que o chefe tinha pedido para ele fazer uma contagem, mas seu chefe negou a informação.
Você flagrou um colega no ato de um furto (como uma peça ou mercadoria):
( ) Ele te chantageou, subornou ou até mesmo ameaçou de alguma maneira para não contar a ninguém.
( ) Ele te convidou para entrar no esquema.
Você nota uma diminuição lenta e constante no estoque de determinado produto:
( ) Seus colegas dizem sequer terem notado isso.
( ) Dizem achar estranho, mas não sabem o porquê e nem se preocupam em descobrir a causa (desconversam).
Mais algumas situações hipotéticas:
( ) Algum colega já lhe perguntou sobre algumas informações mais interinas da empresa e pediu que você não comentasse com ninguém sobre aquela conversa.
( ) Um colega já pediu relatórios ou quis saber sobre determinado assunto que não tem a ver com a área em que ele trabalha – como os de finanças ou fluxo de mercadorias.
( ) Alguém tentou lhe tirar informações confidenciais ou tentou fazer uma “troca” de informações.
( ) Uma fraude foi descoberta na empresa e você notou que foi pouco tempo após seu colega ter pedido demissão (ou disse ter uma outra oportunidade melhor). Além disso, ele estava agindo estranho ultimamente.
Se qualquer uma das alternativas foi marcada, é bom ficar atento: alguém pode estar com segundas intenções dentro da empresa.
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Por Bernt Entschev
Este artigo foi publicado do caderno Classificados do Jornal Gazeta do Povo, em 15-03-11.
Para acessar o local originãl de publicação, clique aqui.
Fraudes: fique de olho
Uma das maiores decepções de um empresário é descobrir que um funcionário em quem confiava anda cometendo furtos dentro das paredes que cercam a empresa. E é sobre isso que venho falar hoje, já que, infelizmente, esse assunto é tão frequente e, muitas vezes, nem mesmo tomamos conhecimento. Afinal de contas, ao falar de furtos, roubos, fraudes etc., podemos imaginar uma infinidade de situações. O quê leva um funcionário a fazer isso contra seus próprios colegas de trabalho ou empregadores? Será que o clima da empresa anda propiciando esse tipo de situação? O quê fazer ao descobrir que um funcionário comete atos ilegais dentro da empresa? São inúmeras questões e eu poderia levantar uma série de perguntas, muitas delas, aparentemente sem solução.
Então, vamos por partes. Acredito que ao detectar uma situação dessas na empresa, o primeiro passo é ponderar o porquê disso. Será que os gestores têm feito vistas grossas diante de condutas inadequadas, ou confiando demais em funcionários que mal conhecem? O clima organizacional pode influenciar, sim, uma má conduta por parte de um funcionário. Quando todos na empresa se mostram insatisfeitos com a forma de condução de uma empresa, é porque algo está errado. E, o que é pior, o clima ruim acaba influenciando negativamente àqueles mais vulneráveis, que só esperavam um pretexto para abusar da falta de atenção alheia. Aliás, não posso deixar de comentar que essa vulnerabilidade é algo que já vem com o indivíduo e está diretamente ligada à sua personalidade, ética e moral. Ou seja, quando o profissional já possui traços em sua personalidade que o permitem cometer esse tipo de ato (furtos, desvios, roubos etc.), é muito provável que venha a fazer algo contra a empresa mais cedo ou mais tarde. Mesmo assim, é fundamental cuidar do clima organizacional para que ele jamais influencie negativamente aos funcionários.
Há maneiras, porém, de evitar roubos dentro da empresa. Uma delas, mais conhecida por todos nós, é a constante vigilância. Conheço empresas onde os funcionários são totalmente vigiados através de câmeras, guardiões, e até células de trabalho em pequenas salas rodeadas por vidros. Não considero exagero, e sim precaução, já que hoje em dia mal podemos confiar em nossa própria sombra. Acompanhar o trabalho de seus funcionários também é fundamental. Sei que para empresas grandes, isso é humanamente impossível ser feito por uma única pessoa. Mas, se cada gestor de área fizer a sua parte, pode ter certeza de que muitos casos poderão ser evitados.
Bom, suponhamos então que uma dessas situações aconteceu e não há mais o que fazer. O caso, então, é tomar as providências perante o funcionário espertalhão. O primeiro passo é chamá-lo para uma conversa franca e explanar que a empresa já sabe de tudo. O segundo é denunciá-lo. E é nessa etapa que deparo com reações inacreditáveis. Algumas empresas, por medo (ou qualquer outra coisa que eu não entendo) preferem não denunciar o funcionário, e apenas demitem sem deixar que eles tenham qualquer benefício, como se fosse uma espécie de acordo: eu não te denuncio, mas você também não entra na Justiça contra mim por não ter te dado os direitos da demissão. Lamentável, mas pode acreditar que acontece.
E o resultado disso? Muito fácil responder a essa pergunta: a impunidade permitirá que aquele profissional continue cometendo esses abusos em outras empresas. E parte da culpa, nesse caso, é daquela empresa que não fez a sua parte de denunciar e punir da forma correta.
Não podemos ter medo de agir com vigor diante de funcionários desse tipo. É preciso falar abertamente com toda a empresa, orientando a todos sobre a cultura da empresa e sobre sua intolerância com esse tipo de coisa. Uma vez que fica oculta a opinião da organização a respeito disso, fica mais fácil para aquele funcionário com personalidade duvidosa fazer o que bem entender… ele nem sabe se será punido! Da mesma forma, é de direito da empresa vigiar suas instalações em prol da segurança de seus funcionários e de sua própria segurança. Pense nisso e avalie se sua em presa não tem sido negligente diante de situações realmente muito sérias.
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Por Bernt Entschev
Este artigo foi publicado do caderno Classificados do Jornal Gazeta do Povo, em 15-03-11.
Para acessar o local originãl de publicação, clique aqui.
Debaixo do próprio nariz
Uma das situações que mais me deixam perplexos nessa vida são as que envolvem roubos, furtos, desfalques, fraudes e qualquer coisa do gênero. Não consigo entender como que algumas pessoas aproveitam da ingenuidade dos outros a seu redor para conquistar algo de forma antiética, imoral e, muitas vezes, ilegal. Recentemente soube de uma situação que me deixou envergonhado só de pensar na cara da pessoa que abusou da boa vontade e confiança de seus empregadores.
Caio trabalhava na área financeira e, como qualquer profissional dessa área, lidava diretamente com os cofres da empresa. O jovem com pouco mais de 30 anos era responsável por aquela área e, por isso, usufruía de algumas regalias comuns de quem trabalha nesta área, como acesso à talões de cheque, cartões de crédito com limite ilimitado, dentre outras.
Por alguns anos Caio comandou a equipe sem maiores problemas. Não havia nada que fizesse seus chefes desconfiarem dele, pelo contrário, sua postura sempre muito profissional fazia com que todos acreditassem que ele era realmente muito confiável.
Até que um dia, todo aquele mundo perfeito que o rapaz havia construído fora por água abaixo por um deslize inaceitável. Durante uma viagem de visita a uma das unidades da empresa, um estagiário ficou responsável por ações menos importantes. Aliás, nem mesmo Ricardo (o estagiário) imaginava a importância do que viria saber durante aqueles dias.
Ainda inexperiente no que diz respeito aos relatórios financeiros, Ricardo encontrou em alguns deles, números que não batiam. Achando que se tratava de erros de cálculos, pôs-se a tentar inúmeras vezes fechar aquela conta, sem sucesso. Passou quase uma tarde inteira mergulhado em contas e mais contas, documentos fiscais e conferências de relatórios onde tentava achar o número que faltava.
Desconfiado de que, quem sabe, pudesse estar certo, chamou um colega analista da área para lhe auxiliar a encontrar o erro. No dia seguinte, os dois passaram horas buscando uma solução para o problema, sem êxito. Foi aí que, juntos, notaram que algo errado estava acontecendo e, desconfiados de que pudesse ser algo realmente muito sério, chamaram o diretor da empresa.
Em poucos dias, após contatos com a contabilidade da empresa e com gerentes de contas da empresa, perceberam que Caio vinha, há um bom tempo, desviando dinheiro da companhia. Lamentável, eu diria, mas uma realidade relativamente comum, principalmente em pequenas empresas, onde o controle do que entra e sai não é tão fidedigno.
Enquanto a empresa investigava Caio, obviamente ele nem mesmo imaginava isso. No dia em que o rapaz passou a saber tudo que haviam descoberto a seu respeito, ele não sabia a onde enfiar a cara de tanta vergonha e, para surpresa geral (e minha também) o jovem não negou… alegou que tinha tomado aquele dinheiro como um empréstimo e que pretendia devolver o quanto antes.
Acontece que não estamos falando de quinhentos reais, ou mil e quinhentos reais. Estamos conversando sobre um desfalque de oitenta mil reais. Quando será que Caio pretendia devolver esse dinheiro? Desde quando alguém pega dinheiro emprestado (anda mais uma quantia dessas) sem avisar ninguém?
Seus empregadores ainda foram complacentes e não o denunciaram, apenas o demitiram sem que tivesse direito algum. Ainda me pergunto sobre a decisão da empresa em não ir até as últimas consequências com Caio. Até porque, uma pessoa como essa solta no mundo, sem pagar pelo que faz, pode, certamente, fazer o mesmo mais uma, duas, três vezes.
Caio não teve o que merecia e nem a empresa recebeu o dinheiro de volta. Indigno-me com situações como essas, pois sonho com o dia em que caminharemos nos trilhos. Mas, enquanto isso não acontece, sigo acreditando que isso poderá ser possível um dia!
Por Bernt Entschev
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Este artigo foi publicado na Gazeta do Povo, no caderno Classificados, em 13/03/2011.
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