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O limite da (in)conveniência
Pode parecer exagero, mas a utilização de novas tecnologias requer educação
Você está prestes a fechar um negócio e seu interlocutor não para de desviar o olhar para a tela do computador. Imagine agora que durante uma importante reunião, na qual as pessoas levam os notebooks para pequenas anotações, alguém não para de teclar. Ou, então, o seu próprio telefone começa a tocar. Sinceramente, difícil dizer em qual destas situações eu sentiria mais vergonha – ou raiva.
Smartphones, net e notebooks, celulares e outros gadgets foram desenvolvidos com o intuito de nos ajudar, claro, mas até onde seu uso é considerado saudável? Todas as situações revelam inconveniências que o uso indiscriminado de tecnologia pode proporcionar. Nessas situações, prefiro que os aparelhos estejam sempre desligados. Assim, reuniões, almoços e outros eventos não serão cortados por uma chamada inesperada.
A verdade é que nem sempre é possível se abster da tecnologia, já que podemos estar à espera de uma ligação importante, mas essas são exceções. Por isso, sou a favor do discreto vibracall. Enquanto ele toca, pode-se pedir licença para atender sem que a pessoa que está no local se sinta tão ofendida. Alguns exemplos de urgência: alguém da família muito doente; a esposa prestes a ter um bebê ou uma ligação da escola dos filhos. O importante é saber que você é o único que pode priorizar os assuntos e filtrar as ligações. E, claro, caso alguma situação dessas aconteça, peça licença e atenda longe dos outros.
Outro tipo de aparelho que ganhou muita popularidade recentemente foram os smartphones. Extremamente úteis por unir computador, caixa de e-mails e telefone, eles conseguem fornecer informação em tempo real e em qualquer lugar. Mas assim como eles facilitaram nossas vidas também podem nos gerar problemas. Já estive em reuniões em que as pessoas checavam mensagens e e-mails o tempo todo. Como se não bastasse fazer isso na reunião, tem gente que usa o aparelho enquanto dirige, em casa, durante o almoço e até mesmo no banheiro. Um exagero.
Parece que estamos cada vez mais dependentes da tecnologia para realizar atividades simples. Tudo o que precisamos nos lembrar é de uma regra quando se trata de tecnologia: é possível aproveitar tudo isso sem ser indelicado. Muito menos inconveniente.
Abraços do Bernt!
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Dicas e teste 3/3 – Sobre celulares e outras tecnologias nas empresas
Teste
Vamos ver em que nível está seu envolvimento com a tecnologia. Será que você está passando dos limites toleráveis da boa educação e polidez?
1) Em um consultório, visita a cliente, reunião e outras situações empresariais que demandem 100% de sua atenção:
a) Você se esquece da existência de seu celular. Afinal de contas, o importante é tratar bem o cliente e, também, respeitar o profissional que está lhe atendendo.
b) Você deixa o aparelho para tocar normalmente, ou em vibracall. Seus telefonemas são sempre muito importantes, por isso, não pode se desligar do mundo desta forma.
2) No trabalho, no trânsito, no elevador, no ônibus, em todos os lugares, você:
a) Não consegue parar de olhar se chegaram mensagens ou e-mails novos para você. Mas, acha isso normal…
b) Esporadicamente olha. Consegue manter sua concentração e não se abstrair com chamados externos de pouca ou nenhuma relevância. Tem consciência disso.
3) Em uma reunião onde possa utilizar seu computador pessoal, você:
a) Utiliza a máquina somente quando necessário. Por exemplo:, fazer anotações, buscar informações complementares, enriquecer a discussão/diálogo.
b) Olha e-mails, mensagens e/ou usa bate-papo com seus colegas que estão fora e dentro da reunião, falando sobre assuntos particulares. Mas (acha que) consegue manter 100% da atenção no que está acontecendo.
4) Você está sendo atendido para fechar um negócio ou adquirir um produto e o aparelho celular da pessoa que lhe atende toca, ou ela constantemente desvia o olhar para a tela do computador e digita algo. A sua reação é:
a) Deixa que ele atenda à chamada ou fale com as pessoas, afinal, profissionais são sempre ocupados e isso já é normal nos dias de hoje. Não vivemos sem tecnologia!
b) Acha isso uma total falta de respeito com você. Você está ali para comprar um produto ou serviço, não prestando um favor a ele. É até capaz de se levantar e sair andando do recinto, tamanha indignação.
Se você marcou “b” nas questões 1 e 3, e “a” nas questões 2 e 4, é bom rever seus hábitos de utilização dessas tecnologias. Você pode já ter cometido uma série de gafes além de ter desrespeitado outras pessoas. Tome cuidado e faça o uso, mas consciente!
Dicas
- Na empresa, deixe sempre seu celular para vibrar;
- Se preferir deixá-lo para tocar, escolha toques tradicionais e deixe no volume baixo;
- Se estiver em reunião, desligue-o. Se precisar atender alguma ligação importante, faça-a de forma breve e fora da sala onde acontece a reunião;
- Não fique olhando os e-mails no smartphone sem parar, quando estiver com outra pessoa ou em reunião. É sinal de total desrespeito com quem está com você;
- Facebook, twitter e MSN são muito bons. Mas, não para serem usados durante uma reunião, pelo smartphone.
Artigo 2/3 – Tecnologia: use com moderação
Por BERNT ENTSCHEV
Uma das coisas mais comuns no meio corporativo, hoje em dia, é o uso da tecnologia a favor da rapidez em que as coisas acontecem. Notebooks, smartphones e outros equipamentos que facilitam, e muito, a nossa vida tão corrida e atribulada. Afinal, nos dias de hoje, quem não estiver conectado corre sérios riscos de ficar para trás, tanto no que diz respeito à informação, como no que diz respeito ao fechamento de negócios. Aliás, convenhamos, uma coisa está diretamente atrelada à outra.
Porém, como tudo nesta vida, há o lado negativo de tanta positividade: o uso desenfreado de tais tecnologias acaba gerando certo desconforto no meio empresarial. Afinal, até para usar nossos celulares precisamos ser educados. Explico: quantas vezes você se viu num elevador com uma pessoa que falava alto ao celular? Ou, quantas vezes você estava numa reunião que fora interrompida por alguém que precisava atender ao celular? Ou, pior, quantas vezes o seu almoço com aquele colega de trabalho foi cortado ao meio porque o aparelho dele tocou e ele parou tudo para atender?
Acreditem, há forma adequada de usar seu celular. Eu diria, aliás, que cabe melhor dizer que a maioria de nós usa o celular de forma inadequada. Em reuniões de trabalho, por exemplo, por mais informal que ela seja, os aparelhos devem ficar desligados. Se é uma reunião profissional, independentemente se você é o chefe ou o subordinado, ela não deve ser interrompida por nada, nem mesmo por um telefonema para você. Essa regra só deve ser quebrada, caso seja um cliente (eles sempre terão preferência), ou uma ligação pessoal extremamente importante, mas, nesse caso, avise antes da reunião começar que você, possivelmente, irá receber uma ligação importante. Assuntos pessoais que podem ser considerados de tal maneira: a mulher grávida que está próximo de dar à luz; alguém doente na família que pode precisar te ligar; chamadas da escola do filho; ou outros assuntos que você julgue realmente relevantes. Atenção, só você é capaz de priorizar os assuntos que irá tratar. Cabe a você filtrar tais ligações. E, se for o caso de precisar atender, peça licença e saia para atender longe da reunião. Se não der para desligar o telefone, coloque pelo menos no vibracall.
E, por falar em vibracall, é nesse perfil que o seu aparelho deve ficar dentro da empresa. Acontece de sairmos da mesa em alguns momentos e se o telefone toca, sem que você esteja na mesa para atendê-lo, seu toque incomodará seus colegas. Por isso ou deixe-o no vibracall, ou carregue-o sempre contigo. Se optar pelo toque, escolha os mais tradicionais, nada da música da última moda na balada. Deixe esses para quando você estiver fora do ambiente profissional.
É claro que existem outras regrinhas básicas, como falar baixo quando precisar atender o telefone em meio a outras pessoas, não se prolongar em conversas intermináveis, retorna à ligações perdidas o quanto antes etc.
Porém, sinto-me na obrigação de falar sobre a nova onda que tomou conta dos escritórios: os smartphones. Eles são, sem dúvidas, extremamente úteis para profissionais de todos os tipos, já que podem checar seus e-mails de onde estiverem, ou acessar a internet e obter as informações que necessitarem. Durante uma reunião, por exemplo, é possível buscar dados que faltam para solucionar algum problema posto na mesa de discussões.
Mas, infelizmente, há quem os utilize de forma extretamente deselegante. São pessoas que, normalmente, não param de fuçar os aparelhinhos. Durante uma reunião, por exemplo, essas pessoas passam mais tempo curvados sobre a pequena tela, do que prestando atenção no que diz o porta-voz da reunião. E, não adianta dizer que a atenção não está sendo desviada, pois é inevitável que isso aconteça.
Esse é, sem dúvida, um dilema. Ter as informações em tempo real é uma ótima maneira de competir com nossos concorrentes. Alguns negócios são fechados por causa da agilidade em que os clientes são atendidos. Porém lá dentro da empresa, ou em reuniões com clientes, ficar o tempo todo checando e-mails que chegam de cinco em cinco segundos no smartphone é extremamente deselegante.
Artigo publicado na Gazeta do Povo em 21/12/10. Para ler na íntegra clique aqui.
Artigo 1/3 – Confiscando celulares
Por BERNT ENTSCHEV
Dia desses estava em um almoço de negócios, quando meu telefone tocou. Sem hesitar, pedi licença às pessoas que estavam comigo e atendi. Tentei ser o mais breve possível, para que o fio de meada não fosse perdido. Mesmo assim, quando desliguei e retomei a conversa, percebi que minha atitude não havia sido das mais corretas. Já que o assunto anterior havia sido cortado, pedi desculpas e aproveitei o gancho para expor minha opinião a respeito do meu próprio ato. De forma surpreendente, uma das executivas que almoçava comigo, Adriana, aproveitou para me contar o que os telefonemas fora de hora na empresa que ela trabalhava, causaram.
Adriana era gerente de RH de uma empresa de tecnologia. Todos lá dentro possuíam aparelhos telefônicos de última geração, sendo a maioria deles smartphones com acesso ilimitado à internet. Quando os aparelhos foram cedidos aos colaboradores, as reuniões passaram a ter um novo componente para tirar a atenção dos participantes. Antes dos smartphones, todos levavam seus notebooks e celulares. Porém, mesmo com os notebooks em punho, poucos eram os casos de colaboradores que se dispersavam durante as reuniões. Pelo contrário, o equipamento sempre agregava, já que eles podiam fazer anotações em tempo real e, até mesmo, buscar informações complementares aos assuntos abordados. Com isso, sempre tinham conteúdos interessantes para serem discutidos. Como o notebook já não era novidade para ninguém, Adriana acredita que ninguém fazia uso inadequado durante as reuniões.
Mas, ao serem beneficiados com o smartphone, a coisa mudou de figura. Segundo a gerente, a cena mais comum de se ver em toda a empresa, mesmo quando os colaboradores estavam diante de seus notebooks, eram cabeças baixas mexendo nos aparelhinhos. Não bastasse isso, durante as reuniões, a impressão que se tinha é que ninguém mais prestava atenção no que era falado. Em cima da mesa de reuniões, podia-se sentir aparelhos vibrando de cinco em cinco segundos, e seus donos esticando os braços para pegá-los e rapidamente responder a mais um e-mail.
Isso sem contar nas infinitas mensagens deixadas no Twitter e Facebook. Mensagens essas, muitas vezes bobas e insignificantes, como: “Em reunião”, “Preciso de um café” ou qualquer coisa do gênero. Adriana e outros gestores perceberam que tais coisas não aconteciam quando o uso era restrito ao notebook e até chegaram a considerar as reuniões de antigamente mais produtivas que as atuais, já que antes o foco era utilizar sites de busca para encontrar informações relevantes às reuniões. O mesmo, porém, não acontecia com os aparelhinhos, quando seus usuários se limitavam a checar e-mails, bater papo no msn e “twittar” a torto e a direito.
Tratando-se de uma empresa de tecnologia, a dúvida de cortar os aparelhos era realmente cruel. Tentaram, antes de tudo, conscientizar a todos pela forma correta de usar o equipamento. Chegaram a fazer murais, mandar e-mails com cartilhas montadas pela área de comunicação da empresa e até repreender, individualmente, alguns profissionais que abusavam um pouco mais dos aparelhos. Nada parecia adiantar.
Adriana conta que o dilema era grande, já que ela sabia de todos os benefícios que o uso de tecnologia pode nos proporcionar. Mas, naquele momento, infelizmente, os smartphones estavam atrapalhando a produtividade de seus funcionários. Foi, então, que resolveram tomar a atitude que consideraram a mais adequada e coerente.
Deram uma última chance aos colaboradores. Eles poderiam, sim, usufruir do equipamento que lhes fora ofertado, desde que o utilizasse de forma consciente. Caso o contrário fosse notado por um dos gestores, o aparelho seria confiscado por uma semana, para que, assim, quem sabe, todos pudessem dar o valor adequado ao equipamento: o uso consciente profissional. De acordo com Adriana, no primeiro mês foram confiscados 15 aparelhos. No segundo, apenas cinco. E no terceiro, ninguém mais utilizou os smartphones de forma inadequada.
Ao terminar de me contar essa história, Adriana brincou: “o seu aparelho não será confiscado desta vez, mas tome isso como uma advertência!”.
Artigo Publicado na Gazeta do Povo em 19/12/10. Leia na íntegra aqui.

