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Os seis segredos básicos da gestão de pessoas
As décadas passam, novos estudos na área de gestão de pessoas surgem, mas as empresas continuam sofrendo os mesmos problemas de 25, 30 anos atrás – época em que comecei minha carreira. E pior, isso nunca irá mudar. Afinal de contas, há profissionais entrando e saindo do mercado o tempo todo.
Pode parecer redundante o que vou dizer, mas empresas sempre precisarão de pessoas e consultorias para assessorá-las. São contratações, demissões, análises de comportamento, pesquisas de mercado. Tudo para desvendar o mistério que impede o crescimento de uma área da empresa ou então para encontrar o profissional perfeito para uma posição específica.
Hoje voltarei um pouco ao básico, às premissas e alicerces que ajudam a harmonizar o principal componente das empresas: os profissionais.
Diria que mais de 90% das empresas nascem pequenas. Ao longo do tempo caminham, “evoluem”, crescem e, na medida do sucesso, é preciso recrutar mais pessoas. E qual é o segredo do crescimento das empresas que, atualmente, são de grande porte ou mesmo multinacionais?
Como eu disse, o primeiro passo está no recrutamento e seleção destes novos profissionais que ajudarão a empresa a crescer. Antes da escolha, é preciso planejar e descrever muito bem o cargo, suas atribuições e habilidades necessárias. Após isso, escreve-se como deve ser o perfil do profissional que ocupará aquele cargo. Caso estas duas características não estejam bem definidas, a chance de erro aumenta muito.
Uma vez admitido, a empresa deverá se esforçar não somente para mantê-lo na empresa, mas para fazer com que esteja sempre motivado com seu trabalho. E aqui entram as seis premissas do título.
Retendo seus profissionais
Há uma série de fatores que influenciam a permanência dos profissionais na empresa. A primeira delas é oferecer uma remuneração adequada. Adequada às funções desempenhadas, ao cargo, ao mercado e ao que o profissional tem capacidade de entregar e agregar à empresa.
A segunda e terceira resumem-se a desenvolver a cultura e o clima organizacional. Enquanto a empresa cresce, é preciso criar crenças e valores para o dia a dia da corporação. Essas atitudes determinarão a “energia” da companhia e a maneira com que os profissionais se comportarão dali em diante. Estas características geralmente estarão alinhadas às dos futuros profissionais e geralmente seguirão a filosofia de seu fundador. Por isso, muitas das vezes em que uma empresa troca sua presidência há uma grande dificuldade na adaptação e aceitação da equipe pelo novo modo de gestão. Sendo assim, é preciso compartilhar esses valores com todos e fazê-los se sentir parte integrante do processo de crescimento da empresa. Isto pode ser atingido com campanhas internas de comunicação ou simplesmente com uma gestão bastante transparente e viva dentro das equipes.
O quarto ponto é fazer com que as pessoas saibam trabalhar em grupo. Aqui entram muitas variantes, mas destacarei o principal agente de estímulo: o chefe. Deve ser participativo, transparente, que instiga a equipe, louva-a e dá méritos pelas conquistas e resultados alcançados. Pode parecer muita exigência para uma só pessoa, mas colocar uma pessoa errada em um cargo de gestão pode ruir todo um setor, fazer pessoas pedir transferências de setor ou simplesmente a demissão (mais comum). O líder certo é aquele que está alinhado às características comportamentais de sua equipe, às necessidades da empresa e dos resultados que ela precisa alcançar. O resto é com o time de especialistas.
O penúltimo princípio é propiciar desafios, estimulando o crescimento e desenvolvimento de todos. Uma missão difícil. Isso significa proporcionar tarefas estimulantes e relevantes para a equipe, algo que complemente sua carga de conhecimento profissional: estimular a discussão de ideias e o desenvolvimento de projetos, cobrar resultados, entre outros. Outro ponto-chave é mostrar a importância de continuar os estudos. Treinar uma equipe para atingir o nível mais alto de desempenho e conhecimento em uma área é formar sucessores de qualidade, que farão o seu trabalho com qualidade quando você estiver um degrau acima.
Por último, destacaria a importância da transparência da empresa. Deixar todos os colaboradores saberem quais são seus valores, crenças e informações é respeitar aqueles que trabalham pelo seu nome. É bom lembrar que transparência não significa compartilhar informações confidenciais. Significa compartilhar o status da empresa, mostrar seus resultados, objetivos e metas. Isso tudo difere bastante das informações estratégicas, restritas geralmente aos gestores da equipe.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado na coluna Talento em Pauta, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Trabalhos temporários
Quem ainda tem medo ou até preconceito dos trabalhos temporários pode perder uma grande chance de aprimorar os seus conhecimentos e até mesmo, dependendo do caso, ser contratado como um profissional fixo. No artigo de domingo, contei a história de um profissional que foi contratado temporariamente para ajudar na produção de ovos de chocolate para a Páscoa, mas acabou sendo efetivado devido ao seu excelente desempenho durante esses poucos meses.
Acredite, um estudo da Assertem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) e do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo), em parceria com o Ipema (Instituto de Pesquisa Manager), revelou que, para essa Páscoa, 71,5 mil trabalhadores temporários provavelmente seriam efetivados em todo o país. Esse número mostra como é grande a demanda e, consequentemente, as chances de alguém ser contratado efetivamente.
Para os jovens
Por não ter conhecimento suficiente sobre o mercado na prática e o que ele realmente oferece, o trabalho temporário pode ajudar o jovem a tomar uma decisão baseada em experiências e não apenas teorias. Devido a isso, poupa tempo “perdido” em cursos e empregos que o profissional não se encaixa. Todo mundo conhece alguém que passou por mais de um curso de graduação para descobrir o que realmente deseja fazer com sua vida profissional. Então, se você está nesse processo de decidir que futuro dar à sua carreira e possui tempo livre, procure um trabalho temporário. Mesmo se você não gostar do emprego, ganhará conhecimento, experiência e uma visão mais abrangente dos negócios.
Para quem gostou da ideia
Se você tinha algum preconceito, espero que agora não tenha mais. As vantagens do trabalho temporário são muitas e podem trazer mudanças positivas na sua vida. Acredito que a maior dúvida de quem nunca teve um emprego desses é como transformar esses benefícios que aqui citei em sua própria realidade. Para entender, primeiramente, é preciso saber que, por lei, o padrão de contrato para um trabalho temporário é de no máximo três meses, podendo ser prorrogado por mais três meses. Isso significa que quem foi contratado no final do ano passado por causa da Páscoa, está chegando a um momento decisivo – pode ter seus contratos prorrogados, ser efetivado, ou não.
O profissional que está em um trabalho temporário não deve ver a sua situação como instável ou ameaçadora, afinal é uma oportunidade dupla: tanto de aprendizado e aquisição de experiência e conhecimentos, quanto de efetivação.
Cada caso é um caso e transformar um emprego temporário em um fixo depende da empresa e do funcionário. Em alguns casos, não há possibilidade de contratação, pois a empresa precisa de funcionários extras somente por um determinado período. Entretanto, dependendo do profissional e do perfil da empresa, ele pode vir a ser contratado por apresentar características comportamentais e competências técnicas compatíveis com a empresa ou por realizar um trabalho com desempenho acima da média.
Num emprego temporário, o tempo para mostrar a sua competência e eficiência é muito curto, portanto, procure dar o máximo de si todos os dias e de todas as maneiras possíveis. Isso significa ser flexível, ter espírito de equipe, ser proativo e comunicativo. Ou seja, se você realmente desejar ser efetivado, mostre que merece.
Dicas
Em um trabalho temporário, a falta de organização e o atraso são ainda mais mal vistos que em um emprego fixo. Não deixe que esses detalhes o impeçam de ter um bom desempenho ou, até mesmo, de ser efetivado.
Seja proativo. Faça as coisas sem esperar uma ordem e, apesar do curto período de tempo, procure conhecer, o máximo possível, os produtos, a cultura e a empresa como um todo.
Toda experiência, por melhor ou pior que seja, traz algum aprendizado. Portanto, se você acredita que a experiência de um trabalho temporário pode ser boa para a sua carreira, não tenha medo de “perder tempo” com algo que não se identifica. De uma forma ou de outra, você, no mínimo, ganhará conhecimento.
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Por Bernt Entschev O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Temporários, mas não passageiros
Quando datas comemorativas como Natal, Páscoa e dia das mães se aproximam, além de muitas compras e presentes, outro fator que fica em evidência é o trabalho temporário. Meses antes dessas datas, as indústrias e o comércio já se mobilizam a fim de dar conta da produção em abundância. Para acompanhar o ritmo do mercado, as empresas contratam profissionais temporários. Entretanto, por mais que na maioria das vezes o trabalho tenha uma data de término, alguns profissionais que se destacam nesse período conseguem transformar o emprego temporário em fixo.
Depois do Natal e do dia das mães, a Páscoa é a terceira festividade do ano que mais oferece oportunidades para esse tipo de emprego, principalmente nas áreas de indústria e comércio. Além de serem abertas dezenas de milhares de vagas, os trabalhos temporários podem ajudar jovens profissionais a escolher uma carreira e também a agregar conhecimento a outras pessoas que, por algum motivo, estavam desempregadas ou há algum tempo fora do mercado de trabalho.
Recebi um e-mail de um leitor sobre esse assunto que me inspirou a escrever o artigo de hoje. Paulo tem 36 anos e até três meses atrás não havia se estabelecido em um emprego por muito tempo devido a um problema pessoal que o impedia de ter uma rotina de trabalho saudável. Frequentemente, ele precisava faltar um ou mais dias de trabalho e deixar o seu expediente mais cedo, o que aborrecia seus superiores. Isso fazia com que não criasse raízes em uma empresa, enfraquecendo o seu currículo e referências profissionais.
Há um ano, Paulo estava desempregado, mas o problema que o impedia de trabalhar normalmente foi resolvido. Era de se pensar que, finalmente, ele poderia focar na sua carreira, porém as dificuldades de encontrar um novo emprego só aumentavam. Isso acontecia devido ao seu currículo, cujo número de empregos era relativamente grande, porém o tempo de permanência em todos eles muito curto. Para os contratantes, isso mostrava instabilidade e, à primeira vista, uma ameaça, afinal ninguém quer contratar alguém que dentro de alguns meses largará o emprego.
Meses se passaram e, quando as contas ficaram mais difíceis de serem pagas, Paulo decidiu aceitar qualquer emprego que lhe oferecessem. Por sorte, um amigo dele o indicou para uma vaga temporária dentro de uma indústria de doces e chocolates que estava no processo de produção de ovos de Páscoa. Isso foi há três meses e, como o emprego era temporário, foi contratado mais facilmente, com menos critérios de seleção.
O que Paulo não sabia, nem seu superior, era que ele seria perfeito para o trabalho. Tanto suas competências técnicas quanto as suas características comportamentais se encaixaram com o perfil e valores da empresa. Ele era proativo, determinado e sabia se relacionar com todos da sua equipe. Passados os primeiros três meses do contrato, para sua surpresa, Paulo foi efetivado.
Dei o exemplo de Paulo para acabar com a crença de que trabalhos temporários são instáveis e não levam a lugar algum. Pelo contrário, um emprego desses pode abrir muitas portas tanto para quem deseja ser efetivado, quanto para quem ainda não sabe qual carreira seguir. De um jeito ou de outro, a experiência com certeza lhe trará aprendizados e agregará conhecimento.
Na coluna de terça-feira falarei mais sobre as vantagens dos trabalhos temporários e como, nesta Páscoa, muitos profissionais tiveram uma oportunidade de trabalho em todo o país. Até lá!
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Por Bernt Entschev O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Profissional generalista – qual sua importância?
Há uma pergunta que muitos profissionais costumam se fazer: é melhor especializar-se em uma área determinada ou saber um pouco sobre tudo, sobre cada área que uma empresa pode ter? Claro que a resposta depende de uma série de fatores, como o tipo de empresa em está, o ramo de atividade, o porte da empresa, o objetivo do profissional e assim por diante, mas hoje quero focar nos profissionais generalistas. Aquele profissional que é um “faz-tudo”, sabe da área de processos, comercial, finanças etc.
Se você pensa que não há mais profissionais que fazem tudo, está enganado. Eles ocupam grandes cargos, sobretudo nas empresas de pequeno e médio porte, pois acumulam um grande número de responsabilidades sob si. Além disso, geralmente figuram entre os gestores de grandes empresas também, pois conhecem não só a empresa, mas todos os processos como a palma da mão. Mas, como eles surgiram e de onde vêm?
Antigamente, e coloco aqui 30 ou 40 anos na conta, as pessoas tinham um costume maior de pensar que suas atividades estavam limitadas para aquilo ao qual foram contratadas. “Fui contratado para ser um assistente, logo, só farei as atividades de um assistente”. Era um pensamento comum nessa época, visivelmente oposto ao que se vê hoje. Não era difícil ver pessoas se aposentarem em cargos semelhantes ou muito próximos dos quais começaram a carreira. Esse tipo de pensamento prejudicava o profissional e a empresa, que perdia a oportunidade de ter um profissional “multiuso” e com potencial maior de trabalho e desempenho de atividades em seu baralho. É preciso levar em consideração também que as empresas naturalmente possuíam um estilo de gestão mais engessado.
Porém, o tempo mudou a visão das empresas e dos profissionais e, atualmente, uma das necessidades dos cargos de gestão é ter um conhecimento amplo do negócio. As pessoas não só gostam de ter profissionais generalistas, como investem para que eles o sejam. É comum ver grandes empresas adotarem o job rotation como programa inicial dos juniores que acabaram de entrar. O objetivo, além de descobrir qual área a pessoa terá mais afinidade, é também fazê-las entender como a empresa funciona como um todo.
Nas empresas de pequeno e médio porte, esses profissionais são potencialmente estratégicos. O que particularmente acho interessante é a certa facilidade de troca e versatilidade que esses profissionais têm quanto ao seu emprego. Por terem uma visão ampla de negócio e capacidade múltipla nas pequenas e médias empresas, muitos desses profissionais são caçados para empresas de grande porte, na qual se especializarão em um setor específico com grande eficácia, além de conseguir entender como o todo funciona. O contrário também acontece. Profissionais que eram gerentes ou coordenadores em empresas grandes e cansaram da imaleabilidade nos processos da empresa ou de trabalhar em um setor só, e procuram um cargo de maior relevância em empresas menores, para que possam agir com mais liberdade, entram com facilidade.
Seja você um profissional generalista ou especialista, o ideal é encontrar um ponto de equilíbrio. Ao generalizar demais, a pessoa corre o risco de não conseguir executar um trabalho exemplar por não ter conhecimento específico de nada. Por outro lado, ser específico demais no trabalho faz com que o profissional se torne mecânico e “bitolado”, sem visão ampla da empresa e dos negócios.
Além disso, outro fator que é muito levado em consideração para ganhar uma promoção ou ser contratado por uma empresa é a capacidade relacional e de liderança que a pessoa tem. Entender um número infinito de projetos, mas não saber gerenciar e lidar com pessoas diferentes não irá garantir uma promoção, mas uma posição de destaque como um exímio executor no nível operacional com certeza.
Porém, não são todos que conseguem se desenvolver nesses quesitos. Isso gera um impasse para as empresas: como reter um profissional com potencial e não perdê-lo para os concorrentes?
A empresa deve oferecer condições adequadas de empregabilidade, como uma remuneração adequada à média do mercado e benefícios materiais e imateriais (como bolsas para estudos e idiomas e outros incentivos). Contudo, a principal maneira de reter o profissional é oferecendo-lhe desafios.
Não há nada que motive mais uma pessoa em seu trabalho que desafios e tarefas novas. Cabe, portanto, à alta gerência ter uma visão apurada para diversos fatores: primeiro, determinar quem são os profissionais com esse potencial de desenvolvimento, segundo, reconhecer seu trabalho, terceiro, mantê-lo estimulado e quarto, observar se o chefe direto dessa pessoa não está barrando seu desenvolvimento, dando-lhe tarefas sem importância ou trabalhos que não lhe sejam relevantes profissionalmente. A alta capacidade de desenvolvimento de algumas pessoas pode significar “falta de desafios” (ou em curtas palavras “tédio e desmotivação”) em um curto ou médio período de tempo. Por isso, manter o profissional envolvido em novos desafios, acompanhando as atividades e o desempenho de perto, fará com que ele sinta sua devida importância para a corporação, em seu devido tempo.
Mas há outros fatores que também influenciam esse profissional, além da pressão natural que deve vir de cima para baixo. Algumas pessoas vão além de responder aos pedidos do chefe, trabalham sob “autopressão”. Gostam de fazer pressão na qualidade do próprio trabalho o tempo todo. Querem fazer melhor, mais rápido e com mais eficiência seu trabalho.
Por isso, fique atento aos talentos de sua casa e saiba valorizá-los –e aqui incluo os especialistas também. Enquanto uns possuem a alta capacidade de desenvolvimento e retenção de conhecimento técnico, outros profissionais terão essa visão mais geral e ampla do negócio. Aproveite este fim de ano para avaliar a produtividade, desempenho e potencial dos profissionais que você tem na equipe para que, no ano que vem, tudo comece diferente – e talvez, assim, os negócios engrenem de vez.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Especialista ou generalista – qual o seu potencial?
Para a história de hoje, me inspirei na dúvida que muitos profissionais tomam para si sobre a carreira: especializar-se em um assunto ou técnica, e fazer disso o seu grande diferencial, ou ser um generalista e entender de tudo um pouco, usando esses amplos conhecimentos para gerir o negócio?
Por mais simples que pareça ser escolher entre um e outro, as aptidões e habilidades de cada um são diferentes, tornando cada indivíduo mais adequado para uma situação que outro. É preciso se autoavaliar na hora de escolher entre ser um profissional generalista ou especialista. É claro que os dois casos se misturam vez ou outra, mas, mesmo assim, saber suas limitações e qualidades é essencial para escolher corretamente que futuro deseja dar a sua carreira.
Para melhor exemplificar esse quadro tão comum, vou contar uma história de dois conhecidos meus. Bruno e Paulo eram melhores amigos e se conheciam desde a infância. Estudaram juntos do primário à faculdade. Foram aprovados, passaram pelo trote e cursaram, então, Economia. Ambos eram garotos muito aplicados, porém, cada um ao seu estilo.
Bruno estava sempre cercado de amigos. Por conhecer muita gente, era sempre ele que organizava as festas e churrascos da faculdade. Os professores e colegas o adoravam pelo seu jeito carismático que cativava a todos. Já Paulo não tinha a habilidade de lidar tão bem com pessoas quanto Bruno devido à timidez. Entretanto, tirava notas ainda maiores que o amigo, pois era mais dedicado aos estudos e procurava se especializar na área o máximo possível.
Os dois amigos se formaram juntos e começaram a trabalhar em empresas diferentes, porém, no mesmo ramo: finanças. Bruno foi trabalhar em uma empresa de auditoria. Como era extremamente carismático e sociável, desde o início procurou conhecer todos os colaboradores e compreender as mais diferentes áreas da empresa. Seu colega Paulo, por outro lado, foi trabalhar em um banco. Como sempre foi muito estudioso, tinha grande conhecimento técnico e por isso era muito elogiado em seu ambiente de trabalho.
Após vinte longos anos na vida e carreira dos garotos, eis a situação de cada um: Bruno se tornou vice-presidente da empresa de auditoria e Bruno diretor da área de controladoria do banco – reportando-se diretamente à presidência.
O que quero dizer com essa história é que existe espaço no mercado de trabalho para ambas as personalidades. Bruno, por ser mais extrovertido e saber lidar melhor com as pessoas, alcançou um alto cargo dentro da empresa, onde controlaria sabiamente diversos setores da empresa e subordinados com diversas personalidades. Por outro lado, Paulo, que era mais tímido, porém tinha muito conhecimento técnico, se tornou diretor de um departamento específico do banco, onde colocaria em prática suas habilidades técnicas.
Existem pessoas que desenvolvem mais suas habilidades comportamentais e de relacionamento do que as técnicas e vice-versa. Não importa se você tem perfil de um profissional generalista ou de um especialista contanto que desempenhe bem o seu papel. As pessoas são diferentes, portanto reconheça seus pontos fortes e fracos. Não insista em tornar-se especialista em uma área, se a sua grande qualidade é possuir uma ampla visão de negócios. Em outras palavras, invista nas suas qualidades, no seu potencial e saiba reconhecer suas fraquezas. Não existe fórmula para o sucesso, apenas pessoas que aproveitam suas qualidades e neutralizam seus pontos não tão fortes.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Ele mal entrou na empresa e já conseguiu uma promoção
Você trabalha há anos na mesma empresa, chega no horário e cumpre todas as suas tarefas. Apesar de nunca ter ouvido uma reclamação sequer sobre seu trabalho, ao abrir uma vaga de liderança, o sujeito que está apenas há três meses na empresa consegue preenche-la. E você não. É familiar com essa situação? Se você não consegue subir na carreira, talvez não esteja oferecendo o que a empresa necessita.
A empresa, ao procurar um líder, deseja encontrar alguém que possua potencial para crescer, ou seja, até onde a pessoa consegue chegar num intervalo de tempo. Naturalmente, a pessoa que mostrar ser capaz de alcançar metas maiores dentro de um prazo menor, terá maiores chances de conseguir a promoção. Além de potencial, a empresa busca também outras características: capacidade de implementação, condução de projetos e pessoas, intuição, liderança e, mais que tudo, tenha bom relacionamento interpessoal – com subordinados, superiores, parceiros e fornecedores/clientes. Mas afinal, o que é preciso para se tornar um líder?
Liderança é a capacidade de demonstrar comprometimento com o trabalho e transmiti-lo para a equipe, bem como a habilidade de inspirar pessoas a atingir e superar os objetivos. Para ser um líder, primeiramente, é necessário que a pessoa tenha capacidade de interagir com os subordinados e chefes de forma adequada e eficiente. Ou seja, alguém que consegue tratar todos de forma igual, mas que saiba as características individuais de cada um e entenda como se relacionar com cada pessoa dentro de suas particularidades. Liderança também exige carisma, que é algo nato do ser humano e varia de acordo com a pessoa. Alguns são mais e outros menos carismáticos. Essa qualidade permite que alguém consiga influenciar um grupo de pessoas, além de saber lidar com conflitos e outras situações. Um bom líder também deve manter sua cabeça aberta para novas ideias, ouvir os subordinados e colegas e respeitar e considerar a opinião das pessoas para a tomada de decisões. Aceitar as ideias dos outros e saber que elas podem ser, algumas vezes, melhores que as suas é uma qualidade que resultará em bons resultados e melhor relacionamento com a equipe.
Além disso, um líder deve ter a capacidade de influenciar outras pessoas a desempenharem melhor seu trabalho e de planejar e intuir sobre o futuro da empresa. Alguém que consegue “prever” como a empresa estará situada no mercado nos próximos anos baseado em análises e conclusões fundamentadas conseguirá com mais facilidade planejar os próximos passos da empresa e guiar melhor a equipe. No final das contas, os aspectos comportamentais contam mais que os aspectos técnicos para conseguir uma promoção. Isso significa que não basta realizar as tarefas corretamente e cumprir os prazos estabelecidos, é preciso ter potencial para crescer e ser um bom líder, além, é claro, de constantemente propor novas ideias e buscar, cada vez mais, resultados melhores.
Levando isso em consideração, o sujeito novo conseguiu a promoção, provavelmente, por que ele enxergou diversas mudanças que poderiam ser feitas para uma melhora de desempenho profissional e mostrou ter potencial. Não importa se ele é mais novo que você ou tem menos experiência na empresa. Se for proativo, constantemente oferecer ideias e estratégias e possuir características de líder, provavelmente conseguirá a promoção.
Se você acha que tem a capacidade de ser um líder, pare de fazer seu trabalho mecanicamente, exatamente da forma que foi mandando, pois isso provavelmente não lhe proporcionará uma promoção no futuro. Para merecê-la, é preciso manter a cabeça aberta, desenvolver suas habilidades técnicas e comportamentais, mostrar e aprimorar seu potencial. Essa é a hora de você vender seu peixe. Mostre, através do seu comportamento e de melhor desempenho no trabalho, que você tem as características e habilidades que um bom líder deve ter.
Por outro lado, se você se esforça, é um líder nato, possui carisma e já trouxe inúmeras mudanças positivas para a empresa por meio de suas ideias, mas mesmo assim não consegue ser reconhecido na empresa com uma promoção, é bom conversar com seu superior. Pergunte a ele sobre como ele o enxerga na empresa e o que pretendem fazer com você no futuro. Se os conselhos e constatações dele não forem suficientes para as suas expectativas, a solução é clara: procure um novo emprego.
Vale lembrar que nem todos são líderes natos. Existem os que sabem liderar na igreja ou no jogo de futebol com os amigos, mas não na empresa. Inclusive, há também os que sabem liderar, mas não querem. Não possuir características de liderança não é motivo para desilusão, afinal, qualquer profissional, chefe ou subordinado, pode conquistar metas dentro da empresa e, principalmente, ser feliz.
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Por Bernt Entschev
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Uma surpresa inesperada
De todas as situações que os profissionais enfrentam no trabalho, talvez uma das mais frustrantes seja a seguinte: alguém que acabou de entrar na empresa consegue aquela tão desejada promoção quando, na verdade, você pensava que deveria ser sua. Imagine só você, com anos de trabalho e dedicação na mesma empresa, perde a vaga para alguém mais novo, há menos tempo na empresa.
Apesar de ser dura de engolir, a situação é bastante comum e me lembra de uma história que reflete bem esse sentimento de “injustiça” que muitos vivenciam.
Miguel tinha trinta e oito anos e trabalhava numa empresa de médio porte. Magro, esguio e de feição séria que combinava com sua postura conservadora e objetiva. Casado e pai de dois filhos já adolescentes, mantinha um padrão de vida muito bom, devido a seu cargo e ao ótimo desempenho no trabalho.
Era o mais experiente dos três coordenadores que a empresa possuía e todos o respeitavam e admiravam pelo seu perfil ético e profissional. Sempre executou seu trabalho como lhe era requisitado, nunca cometera um deslize profissional. Fazia tudo dentro dos prazos estabelecidos, ajudava os colegas e obtinha ótimos resultados ao final do mês. Por sinal, os melhores.
Um dia, o seu superior, o diretor da empresa, anunciou a todos que se afastaria do trabalho por motivos pessoais e precisaria de um substituto definitivo para o cargo. Por mais que Miguel gostasse de seu trabalho como coordenador, queria muito assumir a diretoria da empresa. A posição de destaque lhe permitiria ter controle sobre as outras áreas e, assim, poderia aprimorar várias coisas na empresa – além de ter uma remuneração maior, é claro.
Durante todo esse período de preparação para a saída do diretor, Miguel mostrou ainda mais serviço. Finalizou todas as suas tarefas antes do prazo, trabalhou horas e horas extras em projetos que ele pretendia implantar como diretor e conseguiu aprimorar ainda mais os resultados da equipe. Queria mostrar que era o mais apto e preparado para assumir o cargo. Afinal, esperava aquilo há quatro anos.
Por ter consciência de seu ótimo desempenho durante todos aqueles anos, tinha certeza de que entre todos os coordenadores, seu superior o escolheria. Ele nunca tinha ouvido reclamações ao seu respeito e sempre realizou adequadamente o seu papel. Miguel estava confiante e certo de que seria devidamente reconhecido.
O dia da saída do diretor havia chegado, e o presidente da empresa chamou, além do diretor, os três coordenadores para uma reunião. Animado, Miguel tinha certeza que daquele dia em diante ele seria o diretor da empresa.
O diretor fez questão de tecer pomposos comentários a Miguel, o mais experiente de todos, e sucessivamente a cada um dos outros dois coordenadores – um deles há apenas um ano na empresa, porém de grandes resultados. Após os feedbacks chegarem ao fim, e o anúncio oficial da saída do diretor ser dado, o presidente comentou sobre a dura decisão de escolher quem ocuparia a direção. E veio a grande surpresa.
Miguel não fora o escolhido para o cargo. O colega que estava há menos tempo na empresa foi eleito o novo diretor, pois possuía características de liderança que eram mais compatíveis com os objetivos da empresa.
Miguel ficou enfurecido e sentiu-se injustiçado, afinal, sempre desempenhou muito bem o seu trabalho. Por que então ele não foi promovido?
O que Miguel não entendeu naquele momento – e a maioria das pessoas não entende – é que não basta simplesmente cumprir ordens corretamente para ser um líder. É preciso ter características comportamentais específicas como capacidade de planejamento, intuição, potencial para aprender e se adaptar rápido, competência para implementação e condução de projetos, carisma, entre outros. A liderança também não se resume ao bom desempenho do trabalho, pelo contrário, os aspectos comportamentais são ainda mais importantes que os técnicos.
Felizmente, após certo tempo, Miguel reconheceu que não conseguiria executar o trabalho de um diretor tão bem quanto executava o de coordenador. Sabendo das suas qualidades e limitações, continuou coordenando a empresa, porém negociou uma remuneração superior já que era, de longe, o mais eficiente e experiente no cargo em relação aos demais.
E você? Passou por uma situação semelhante? Descubra se você tem o perfil de líder e porque esse tipo de promoção acontece na Coluna Talento em Pauta desta terça-feira. Até lá!
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Quebrando o tabu – Trabalhar por dinheiro ou por amor?
Há coisas que sempre despertaram minha atenção, e a evolução e mudança das profissões ao longo dos anos é uma dessas coisas. Vim da Alemanha ainda pequeno e comecei a trabalhar muito cedo, era um adolescente. Na minha época, ser bem sucedido significava ser médico, advogado ou engenheiro. Você provavelmente já ouviu um discurso semelhante, seja do pai, mãe, avós, família. Não há como negar que isso mudou em, quem diria, 50, 60 anos.
Quem já não pensou em escolher uma profissão por ela ter uma boa remuneração? Muitos fizeram exatamente isso. Alguns continuam nelas, infelizes com seus trabalhos, mas contentes com o retorno no fim do mês (caso tenham conseguido algum sucesso na carreira). Quem nunca se espelhou em profissionais que se tornaram referência na área ao entrar na profissão? Por que há pessoas tão bem sucedidas na carreira, ocupando cargos de destaque em grandes empresas e outros milhares perdidos em um tempestuoso mar de concorrentes? E quem nunca pensou que para ganhar dinheiro é preciso escolher alguma das profissões tradicionais?
Sinto-me na necessidade de desmentir este tabu, que consegue sobreviver de alguma maneira. Quem disse que para ganhar dinheiro é necessário estar restrito a essa mentalidade? Mas, antes de falar sobre a carreira propriamente dita, começo falando da capacidade do Homem em aprender, e do que todo Homem sabe quando vem ao mundo: nada.
É durante a vida, principalmente em seus 20 primeiros anos, que se estuda sobre os mais diversos assuntos. Ao fim desse período aparentemente longo o indivíduo já sabe quais são suas aptidões (caracterizada pela afinidade, facilidade e/ou inclinação com determinadas tarefas ou assuntos) e dons (facilidade acima do comum em aprender ou realizar determinada atividade). Quando a habilidade é nata, ou mesmo quando a afinidade com uma temática específica é grande, não se faz grandes esforços para que haja superação e resultados de alto nível.
E o que se faz ao fim desse período de 20 anos? Muitas pessoas erram ao querer escolher o que lhes trará mais dinheiro, mesmo que isso não tenha a ver com as afinidades pessoais. Inevitavelmente, os pais, muito presentes neste processo de decisão, sempre desejam a estabilidade financeira aos filhos no futuro, mas não é estimulando os jovens desta maneira que se constrói um profissional de sucesso. Está bem longe disso na verdade.
A escolha certa vem da própria pessoa. São seus gostos e paixões que irão inspirar a pessoa a desempenhar com paixão a profissão que escolherão seguir para, preste atenção, o resto da vida. Quando se ama o que faz, por mais que o trabalho seja pesado, ele não será considerado como tal pela pessoa. Ela não verá isto como um grande esforço, mas como uma diversão.
Costumo dizer a cada pessoa que entra na empresa que fundei que não se deve ir à empresa para trabalhar, para fazer isso ou aquilo. A pessoa deve ir se divertir. Esse é o espírito da coisa. Ou seja, adequando-se a esta situação, o trabalho feito pela pessoa será, e muito, melhor do que aqueles que escolheram fazer o mesmo por dinheiro. O trabalho deve ser um local onde o profissional sinta prazer em realizar, em aprimorar, em estudar.
Já passei das bodas de prata de minha profissão e posso dizer que vi profissionais de todos os ramos nas mais variadas condições financeiras, nas mais variadas empresas. Há profissionais bem remunerados de todas as áreas. Assim como há profissionais formados em grandes instituições, com profissões que teoricamente renderiam muito dinheiro, mas que não conseguem “deslanchar” na carreira pela falta de inspiração, de paixão.
O que compõe o salário de um profissional, como já disse aqui anteriormente, é: a qualidade de serviço oferecida, a qualificação do profissional, o potencial de desenvolvimento e o conhecimento e técnica que este profissional pode entregar e agregar à empresa, além, claro, de sua integridade, perfil comportamental e referências de mercado. Como alguém vai conseguir tudo isso? Amando. Se o profissional não ama o que faz, ele não vai buscar novos conhecimentos, não dará o melhor de si e não buscará a perfeição. Simples assim.
Novas profissões
Indo além da “tríplice entente” EMA (engenheiro, médico, advogado), a tecnologia, as mudanças do mercado e a iniciação científica trouxeram novas profissões, além de que muitos ramos foram aprofundados. Da mesma maneira, assim como algumas profissões deixam de existir com o tempo, e outras tantas passam por modernizações e atualizações, os profissionais devem passar pelo mesmo caminho.
Estando em posição de destaque ou não, a observação e adequação ao mercado de trabalho se fazem necessárias. Sobretudo, em algumas profissões é realmente um pouco mais difícil ganhar dinheiro e conseguir uma posição de destaque. O problema, em suma, é o excesso de profissionais oferecendo o mesmo tipo de serviço, que influencia a remuneração média dos profissionais para baixo.
Marketing pessoal
Qual a melhor maneira de garantir um lugar ao sol? Não há uma fórmula do sucesso, mas há uma série de ações e cuidados que podem ajudar. Independentemente da área em que se trabalha, o marketing pessoal precisa ser feito. Faça sempre sua imagem ser adequada aos olhos de quem vai comprar. Isso vale para o currículo, ao fazer network, no rastro que é deixado com ex-colegas, em eventos, com colegas de profissão, entre outros.
Esteja em harmonia com o que você faz. Se não estiver, sentirá, e isso prejudicará o resultado de seu trabalho a longo prazo. Ame o que faz e dedique-se de corpo e alma por prazer a isso. Se você não acreditar em seu potencial, quem acreditará?
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Ame o seu trabalho, dinheiro é consequência
Esses dias ouvi uma história que me deixou até um pouco emocionado. Um garoto, daqueles que aparentemente não sabe qual caminho percorrer na carreira, ou se escolheu o curso certo na faculdade, mostrou-me o quão preparados e profissionais os jovens podem ser e estar, muito apesar da idade. Mostrou-me também que, definitivamente, dinheiro não compra felicidade: é preciso amar o que se faz para ter sucesso.
Rodrigo sempre foi um rapaz aplicado. Bom aluno nos estudos e amante da Arte e da História, o garoto se dava bem em todas as matérias. “Não sei em que área aplicar meus conhecimentos quando crescer”, dizia, ainda no ensino fundamental. Ao entrar no ensino médio, fez um teste de admissão para o ensino público, o qual passou em segundo lugar. Escondeu a nota dos colegas por muito tempo, com medo de que lhe discriminassem como “nerd” ou aquelas coisas que os jovens costumam fazer. O ensino médio oferecia também um curso técnico em Ciências Contábeis, o que lhe rendeu o primeiro estágio ainda no segundo ano, voluntário. O estágio lhe incentivou muito a seguir estudando na área.
Continuou a carreira acadêmica na graduação estudando a área contábil. Passou novamente em segundo lugar na prova que tinha mais de 400 concorrentes. Desta vez, não conseguiu esconder o orgulho. Os colegas, ao invés de o criticarem ou o invejarem, o homenagearam muito.
Além dos estudos da graduação, era ávido leitor de livros e adorava estudar idiomas. Aprendera o inglês ainda na escola e praticava muito com a ajuda do computador – que literalmente coloca os jovens em contato com pessoas de todo o mundo. Começou a estudar francês, empolgou-se, e já fez planos para o italiano, alemão e até japonês. “Quero ser poliglota em dez anos”, dizia.
Inscreveu-se, certo dia, em vários dos processos seletivos de trainee de grandes empresas do ramo. Dos milhares de candidatos inscritos, um a um eles caíam, etapa após etapa, menos Rodrigo. Fora aprovado em dois processos diferentes, das maiores empresas do ramo de auditoria do mundo. Optou por aquela que mais se identificava com seus valores.
Notavelmente empolgado com a promissora carreira de auditor em uma multinacional, Rodrigo imergiu no trabalho, o qual submetia os jovens a fortes desafios e intensos treinamentos. De todos os jovens trainees recém-admitidos, ele era o único que ainda estava no segundo ano da Graduação. Todos os outros já eram recém-formados ou tinham até dois anos de formação. Os gerentes e diretores da empresa sabiam, em segredo, que ele era definitivamente um “ás”, promissor, e o colocavam a provas mais intensas que os outros.
Sobrecarregado com os estudos e, agora com o trabalho, ele conseguia conciliar as “vidas” e abdicava de suas horas de lazer. Pensava no futuro próximo, onde já havia feito o planejamento de carreira para os próximos anos. Os títulos e benefícios obviamente deslumbrariam qualquer um. Ele inclusive.
Dois meses após ter entrado na multinacional, pediu demissão. “Não é o que eu quero para a minha vida. Quero ser professor de idiomas. Isso é o que eu amo”. Os colegas lamentaram a oportunidade “perdida”, a empresa assentiu, os familiares apoiaram.
Já fluente em um idioma e quase proficiente em outro, o rapaz de apenas 19 anos foi em busca do sonho e espalhou seu currículo em todas as escolas que tinha interesse. A dificuldade agora era maior, já que suas habilidades contábeis não seriam tão requisitadas em escolas de idiomas. Mergulhou novamente nos estudos de idiomas, sem abandonar o curso de contábeis que já havia começado.
Um ano e meio após ter decidido o novo futuro para a carreira, ele é professor em uma importante rede de idiomas, com a agenda disputada pelos alunos, que querem aulas particulares somente com ele.
Na história de Rodrigo, como na de muitas outras pessoas que conheci, a paixão fez a diferença para que ele se destacasse e, assim, alcançasse o sucesso, ainda com certas limitações, mas em ótimas proporções para alguém que ainda tem a idade dele.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Informação x formação
Dias vêm e vão e muitos dos profissionais que atendo têm uma dúvida em comum, variando em pequenas nuances apenas sua essência: é importante se manter informado sobre o mundo? Até que ponto se qualificar? Como saber que tipo de vaga cada um consegue preencher pela sua capacitação? Informação e formação são fundamentais para o desenvolvimento completo do profissional, mas é preciso saber dosar estas escolhas com sabedoria.
Profissionais que optam por realizar somente um curso ou outro não se bastam no mercado por muito tempo. Da mesma maneira, ter uma boa formação somente não basta, é preciso se manter atualizado sobre os acontecimentos, nos mais variados âmbitos. Isso ajuda no desenvolvimento crítico e social da pessoa em seu âmbito profissional e pessoal.
É interessante analisar o quanto o conceito de acessibilidade à informação mudou, para melhor. Na minha época eu tinha que recorrer às grandes bibliotecas públicas, que tinham as clássicas coleções de enciclopédias e outros grandes livros. Atualmente, a internet reúne grande parte do conhecimento e tem o que você quiser, como quiser, quando quiser, a um clique.
Porém, nesta delicada relação entre a formação e a informação, que envolve o conhecimento como matéria-prima, disparidades aparecem. Há pessoas que procuram se informar mais que se formar, e vice-versa. Com isso, surgem alguns problemas. Um deles são as pessoas que se tornam “estudantes profissionais”. Estudam muito, têm uma qualificação muito boa e geralmente têm dificuldades em achar um cargo que utilize toda a sua capacidade cognitiva e técnica. E também há as pessoas que, apesar de se manterem muito informadas acerca de assuntos gerais, não detêm a formação técnica e específica em sua área de atuação, sendo barrada nos processos seletivos ainda nas primeiras etapas.
Por isso, é crucial que as pessoas saibam selecionar o conteúdo e a quantidade de informação e formação que procuram. A dificuldade está, porém, em saber o que as empresas querem e buscam.
E o que as empresas esperam das pessoas? Esperam basicamente duas coisas: a primeira é que o profissional entregue, com qualidade, aquilo para o que foi contratada. Segundo, esperam potencial.
As empresas não desejam um profissional que saiba fazer somente uma coisa, uma função ou atividade, querem pessoas com potencial de desenvolvimento e crescimento. Isso significa que ela não ficará acomodada às atividades, irá propor mudanças em seu ambiente de trabalho, buscará o desenvolvimento pessoal e da empresa em conjunto.
O interesse neste potencial está, também, naqueles momentos em que o profissional é demandado para fazer atividades muito superiores às quais foi contratado. Isso significa, em curtas palavras, conseguir entregar o próprio trabalho e substituir o chefe em eventualidades, suprindo demandas superiores às quais está habituado a fazer. Ou seja, é aquela pessoa que dá conta do que faz e conseguiria, também, fazer o que seu chefe faz, sem maiores problemas (além da questão de habituar-se ao trabalho dele).
Outro dilema que acompanha os profissionais é a remuneração. Diria que existem duas variáveis para que se chegue ao salário final de uma pessoa: a primeira é que todo trabalho tem um custo e um valor de retorno (em forma de lucro) para a empresa. A empresa pode optar por valorizar ou não um trabalho específico, e determinará o valor (do salário) baseado na dificuldade que o trabalho consiste e na pessoa que o executa. Se o profissional tem o potencial de crescimento, ele será consequentemente mais valorizado. O segundo fator é o valor de mercado.
O que o mercado tem ofertado para este tipo de trabalho é o que também será levado em consideração na hora de estabelecer o salário de uma pessoa. O salário é visto uma commodity (ou matéria-prima, matéria-comercial): quanto mais gente estiver oferecendo um determinado tipo de serviço, a remuneração média irá cair. Agora, quanto maior a complexidade de um serviço, e menos gente se dispor a executá-lo, maior será o valor agregado ao custo desse serviço. É a lei da oferta e procura.
Mas o que salário, commodity, informação e formação têm em comum? Apesar da salada mista de conceitos, saber isto tudo ajuda também que o profissional saiba determinar o “próprio preço” e saiba, em média, “quanto ele vale”.
Esse conhecimento ajuda a fugir do que eu gosto de chamar de “dilema do trapézio”. Muitos profissionais gostam de construir uma base grande e sólida, rica em informação de um lado, e rica em formação do outro. Mas, na hora de se candidatarem a uma vaga, acabam caindo em vagas menos importantes hierarquicamente, sendo subaproveitados na empresa. Ou seja, continuam acima o “trapézio da carreira” com arestas menores que as da base.
Para fugir disto tudo é preciso ter somente um pouco de objetividade. Primeiro, defina o que você quer fazer. Isto é possível fazer em qualquer momento de sua carreira. Seja para escolher uma profissão (na época de vestibular), quando já se iniciou a carreira (para escolher uma especialização) ou quando já se está no meio dela (MBAs e outros). Com isso, será possível determinar qual o tipo de informação que lhe interessa e, consequentemente, que tipo de formação (se necessária) lhe agregará valor de mercado e lhe tornará um profissional mais completo. Com isso em mãos, a chance de se dar bem, escolhendo empregos que se encaixem nas suas qualificações será muito maior.
Como já diria o velho bordão utilizado por jornalistas e outros profissionais da comunicação: Informação demais, nunca é de menos”. Literalmente.
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TESTE
Sua carreira está no caminho certo? Marque as alternativas que se encaixam com o seu perfil.
1) Você possui um curso superior e trabalha na área, sem crescimento algum na carreira, há mais de cinco anos.
2) Numa reunião de negócios, seus colegas sempre apreciam as informações e ideias que você expõe.
3) Você, apesar de ser formado em diversos cursos, não procura se manter atualizado sobre conhecimentos diversos, inclusive sobre a sua área de atuação.
4) Apesar de ser formado e possuir cursos de especialização e conhecimento sobre diversos assuntos pertinentes à sua profissão, está descontente com o seu salário ou cargo.
5) Apesar de já estar consolidado no mercado, você está sempre estudando e procurando se aprimorar na sua profissão. Sua empresa acompanha de perto esse processo.
6) Acredita que “a prática leva à perfeição”, por isso não se preocupa em estudar mais.
7) Você é praticamente um noticiário ambulante. Está por dentro de tudo que envolve política, economia, tendências de mercado e lê todas as revistas de sua área de atuação. Acredita que já sabe de tudo e por isso não precisa de uma complementação formal na qualificação.
8) Você procura se manter informado através de jornais, revistas e internet, pois acredita que, quanto mais conhecimento, melhor é para sua carreira.
Se você marcou as alternativas 2,5 ou 8, continue a levar sua carreira da mesma maneira: construindo bases sólidas, cheias em conhecimento. Isso trará benefícios para sua profissão e, consequentemente, para seu bolso. Se você marcou as alternativas 1, 3, 4, 6 ou 7, está na hora de você rever seus conceitos sobre o mercado de trabalho. Se você busca esta combinação entre formação e informação, mas mesmo assim está descontente com sua remuneração, talvez esteja na hora de arriscar um emprego que esteja ao “seu nível”. Enxergue e acredite em seu potencial que, consequentemente, os outros passarão a lhe valorizar mais.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.















