Arquivos Mensais:janeiro 2012
Você tem perfil de liderança?
Contratar um gestor sem conhecê-lo, ou tê-lo avaliado com profundidade, pode resultar, no fim das contas, em um belo tiro no pé. Nossa sociedade cultua uma ideia de que para você “chegar lá” na vida profissional, você precisa assumir um cargo de gestão. Essa falsa verdade prejudica muitas empresas e profissionais que se iludem ao tentar assumir um cargo de liderança, sem ter a menor aptidão ou preparo para a função e, principalmente, sem ser feliz no que faz. Qual é o problema em ficar num cargo mais baixo, se isso te faz feliz?
Nem todos sonham e tem como objetivo se tornar um diretor ou presidente de uma empresa. Da mesma forma que nem todos querem liderar, nem todos podem fazê-lo. Hoje em dia, é mais importante que um gestor tenha características comportamentais de liderança bem desenvolvidas do que um currículo vasto e rico, porém sem habilidades para lidar com pessoas. São poucos os profissionais que dispõem de competências técnicas e, principalmente, comportamentais para assumir um cargo de gestão.
Está errado quem pensa que apenas acumulando títulos acadêmicos (como mestrado, doutorado e MBA) é possível ser um verdadeiro general na liderança. Para exercer cargos de gestão com qualidade, visando o crescimento de uma empresa e a equipe sob sua gestão, o profissional, além de dominar os aspectos técnicos do trabalho, precisa saber delegar tarefas, ter foco em resultados, inspirar, ensinar e guiar a equipe. Somado a isso, o gestor deve ser autoconfiante e carismático, preocupando-se em formar sucessores, pois ele entende que seu principal papel é orientar os profissionais subordinados a ele, para que possam se desenvolver e crescer dentro da empresa – fazendo todos assumirem novas posições no futuro e subirem um ou mais degraus na hierarquia da empresa.
Achou muito? Esse é só o começo. O líder deve ser imparcial em suas decisões e buscar o novo, como também ser paciente e respeitar as peculiaridades de cada um de seus funcionários. Resumindo, acredito que qualquer gestor precisa ter inteligência emocional para não prejudicar a empresa com investidas de nervosismo e pensar objetivamente e racionalmente na hora de tomar decisões.
Agora eu pergunto: por melhor que seja o currículo técnico de um profissional, é possível dizer que ele será um bom líder? Provavelmente não. É por isso que o desenvolvimento de lideranças dentro da empresa é muito importante, afinal, ao colocar um profissional incapaz de liderar num cargo de gestão, a empresa é prejudicada, o profissional é iludido e os subordinados ficam descontentes.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Parar ou não parar, eis a questão
Existem diferentes tipos de carreiras para diferentes tipos de profissionais. Há aqueles mais empreendedores, que acabam optando por montar seu próprio negócio. Outros, buscando maior estabilidade e segurança, escolhem seguir a carreira pública. E há também os que trabalham para alguma empresa da iniciativa privada, que são a grande maioria. Independentemente do caminho escolhido pelo profissional, muitas pessoas, em algum momento de suas vidas, entram em um ou ambos desses dilemas: Mudar ou não mudar de emprego? Parar ou não parar de trabalhar?
São duas questões muito delicadas e cada profissional deve pensar friamente em sua situação, afinal de contas, tudo é relativo. Falemos primeiro sobre a mudança de emprego. São dois os motivos mais comuns: o primeiro, obviamente, é o aspecto financeiro. Se o profissional sente que não está sendo bem remunerado onde trabalha, procura outra empresa com mais benefícios e um salário mais atrativo; o segundo motivo é o emocional, que envolve diversos fatores, dentre eles a cultura da empresa, o clima organizacional e o estilo de gestão. Sendo assim, o profissional pode estar insatisfeito com seu trabalho mesmo ganhando muito bem por aquilo. Da mesma maneira, pode ser muito feliz em seu trabalho, mesmo que o salário não fosse o que ele gostaria de ganhar. Entretanto, mais que saber ou não se deve-se procurar outro emprego, muitas pessoas não sabem quando parar de trabalhar. Não é porque o dia de se aposentar chegou que você deve parar de trabalhar, mas também não é porque ele ainda não chegou que você deve continuar. Cada caso é um caso.
Para explicar melhor essa situação, que chega a ser um tanto polêmica, vou contar a história de um velho amigo meu, o Lima. Jovem e determinado, ele estudou em boas escolas, graduou-se em uma universidade renomada e, enfim, começou a trabalhar. Lima era muito estável em tudo que fazia: casou-se com a primeira namorada e nunca se divorciou, comprou uma casa na qual morou por trinta anos e quando começou a trabalhar, ainda recém-formado, não saiu mais da empresa.
Começou sua carreira como assistente de vendas, tinha vinte e dois anos, e logo se destacou entre os demais. Produtivo, sistemático e muito competente, rapidamente alcançou outros cargos. Aos quarenta e oito, assumiu um cargo de gerente sênior. Nessa situação permaneceu por mais quinze anos e completava, naquele momento, quarenta e um anos de trabalho e contribuição para a empresa. Ele tinha ótimas condições para se aposentar neste momento, mas preferiu continuar trabalhando – afinal de contas, gostava muito do que fazia. Três anos depois, aos sessenta e seis, a saúde começava a piorar e a prejudicar seu desempenho. Apresentava algumas doenças, além de falhas na memória, e isso certamente reduziu sua produtividade significativamente.
Todos os colegas sempre o respeitaram e admiraram, porém, com o passar do tempo, a situação começou a lhes irritar. Lima já não conseguia gerenciar como antes, prejudicava não só o seu trabalho, mas o de todos os subordinados e não dava espaço para alguém mais jovem, com condições de saúde melhores para trabalhar, ocupar o seu lugar.
Quando a sua situação de saúde ficou crítica, ele foi obrigado a abandonar o trabalho a pedido dos médicos. É evidente que ele poderia tê-lo feito anos antes. Saber quando se aposentar é uma grande virtude. De nada adianta continuar trabalhando quando a saúde está prejudicada ou quando a pessoa não está em condições físicas e emocionais para realizar um bom trabalho.
Sabe aquela história do profissional exemplar que errou somente uma vez em toda a vida, e é justamente por isso que a pessoa é lembrada? Isso realmente acontece. Inteligente é aquele profissional que para de trabalhar quando alcança o auge de sua carreira. Ele sai “por cima”, não se desvaloriza e fica reconhecido pelo seu ótimo trabalho, e não pelos seus últimos anos de improdutividade.
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Estudos – Eles não acabam com um diploma
Não é porque muitas personalidades alcançaram o sucesso sem um diploma na mão que você vai se arriscar a fazer o mesmo. A menos que você seja o próximo Bill Gates ou Steve Jobs, um diploma a mais, nunca é demais. Para poder competir de igual para igual no mercado de trabalho atual, minha dica é que, no mínimo, você possua uma graduação e, se possível uma pós-graduação também.
Aqui, aquela velha máxima “menos é mais” não combina. É claro que você não vai se matricular em qualquer curso. É preciso ser criterioso ao escolher a graduação e todos os cursos complementares que decidir estudar. De nada adianta acumular títulos e diplomas se eles não serão úteis na sua vida profissional. Portanto, na hora de escolher qual será o seu próximo curso, é preciso analisar as suas expectativas e pretensões. Por exemplo: Se você pretende seguir na área acadêmica, o ideal é optar por um curso de Mestrado ou Doutorado. Por outro lado, se a sua ideia é aplicar o conhecimento adquirido na vida profissional corporativa, o ideal são os MBA’s e pós-graduações.
Escolhido o curso, está na hora de escolher a instituição. Infelizmente, hoje são abertos inúmeros cursos que são vendidos como mercadorias. Portanto, é preciso tomar cuidado ao escolher aonde vai estudar. Por mais que digam que é o aluno que faz o curso, é necessário escolher uma instituição que ofereça os melhores professores e seja reconhecida dentro da área que você escolheu atuar.
Atualmente, a correria do mercado de trabalho infelizmente não nos disponibiliza muito tempo para dedicarmos a outros assuntos. Se já é difícil reservar tempo para descansar com a família e ir à academia, imagine para começar ou voltar a estudar. É preciso tempo para dedicar-se a um novo curso, mas isso não é desculpa para largar os estudos. Conheço muitas pessoas que conseguem conciliar estudo, trabalho e família. É claro que não é uma tarefa fácil. Exige planejamento e disciplina, mas é possível adaptar uma pós-graduação ou qualquer tipo de especialização na sua agenda atribulada. Existem cursos de um mês, um ano, cursos de final de semana e de semana inteira. Basta você pesquisar e escolher aquele que melhor se encaixa na sua rotina.
Além de todos os benefícios que uma graduação pode trazer em relação ao aprendizado de novos conhecimentos, você ainda pode ter a sorte de estar sentado à mesa ao lado de um futuro grande cliente ou mesmo de seu futuro empregador. O importante é aproveitar essas oportunidades e entender que precisamos desenvolver nossas habilidades o tempo todo para estarmos em constante aprendizado e sermos seres humanos melhores tanto na vida profissional quanto na pessoal.
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Por Bernt Entschev
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Motivação da equipe
A motivação da equipe talvez seja uma das maiores preocupações do gestor de cada equipe. Ninguém quer ter uma equipe desmotivada sob seu comando, afinal de contas. Mas o que compõe a motivação, exatamente?
Ela nada mais é que um conjunto de fatores psicológicos compostos por três fatores: fisiológico, intelectual e emocional. Esses fatores interagem entre si e determinam a conduta final de um indivíduo, positiva ou negativamente.
Mas, antes de explicar que maneiras um líder pode motivar sua equipe, conto-lhes a história de Valdir.
Gaúcho natural de Pelotas, o rapaz, que foi meu superior, era o gerente regional da companhia e liderava, no total, uma equipe de aproximadamente 400 pessoas.
Apesar de parecer muita gente para comandar, ele tinha uma consciência enorme de todas as ações que tomava e, quando precisava exercer seu papel de liderança, tinha um método de abordagem que despertava o fascínio dos subordinados.
Além de ter a “coleira curta” com a equipe, ou seja, acompanhar de perto seu desempenho, conseguia envolver com paixão todos no processo de criação de soluções para a empresa.
Com discursos diretos e bastante pessoais, Valdir ressaltava as habilidades da pessoa, antes que partisse diretamente para a solicitação. “Olha, Bernt, temos um grande problema e acho que você é a pessoa perfeita para me ajudar. A área de recrutamento precisa de um processo novo que diminua isso aqui e ali. Aqui na equipe, acredito que você tenha as melhores características pra pensar em uma solução pra área X, já que foi tão bem naquele outro projeto anterior”. E desta maneira, o papo fluía.
Ao puxar o discurso para as habilidades individuais das pessoas, e incentivá-las em um tom leve de desafio, as pessoas se sentiam confiantes em executar o que lhes fosse pedido, por mais que soubessem que enfrentariam grandes dificuldades. Caso isso acontecesse, ele estava lá para ouvir e ajudar. Com ele, todos sempre entregaram projetos que iam além das expectativas iniciais.
Um líder como Valdir conquista a confiança de sua equipe, pois, além de tudo, era exemplar em seu comportamento. Todo gestor é muito responsável pela motivação da equipe e deve entender, com profundidade, de pessoas – para que possa utiliza-las da maneira mais positiva possível.
Além disso, quanto mais tempo de trabalho uma equipe tem, maior é a intuição e conexão nas atividades desenvolvidas, o que torna os reflexos cada vez mais automáticos. Isso leva tempo para que seja desenvolvido, mas é a responsabilidade do líder saber conduzir o time e criar um comportamento coeso e íntegro no grupo.
Sobre aqueles três fatores do início do texto: as influências fisiológicas se referem a um ambiente de trabalho com condições apropriadas para o homem. Ou seja, em que a pessoa fique à vontade para produzir, em uma temperatura agradável, que não seja ruidoso etc.; as influências intelectuais estão ligadas ao desafio a que o profissional é submetido, e que a relação rotina/novidades seja bem dosada; e, por último, a emocional, que pode ser resumida às relações no trabalho. É proporcionar um trabalho de maneira que a pessoa tenha prazer em executa-lo, de maneira que se sinta integrado ao grupo.
Os times de sucesso geralmente recebem essas influências muito bem combinadas. Por essas razões, os valores dos profissionais têm que combinar com os da empresa: a combinação do comportamento deles, com o do líder, com a cultura da empresa, resultarão em um time motivado e muito mais produtivo.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

A importância do descanso
É muito comum os profissionais associarem produtividade com trabalho incessável. Para alguns, quanto mais trabalho, maior a produção e melhor o desempenho, assim como a impressão de “profissional determinado” que se passa ao superior. Se fôssemos robôs, essa teoria de quanto mais trabalhar, melhor, seria aplicável. Entretanto, a realidade é outra.

O ser humano é feito de carne e osso e não possui um botão “on/off”, onde é possível desligar-se por algumas horas durante a noite e religar-se no próximo dia, mantendo a mesma qualidade e produtividade. Aliás, a qualidade do trabalho é algo que varia muito, pois o homem é imperfeito e suscetível a erros e quedas ou aumentos de desempenho, e isso muda de acordo com o humor, saúde e disposição. Portanto, por mais que as intenções positivas e a ambição seja grande, é preciso ter autocontrole, além de definir muito bem os limites de quantidade de trabalho para que não afetem a saúde física e mental.
Ninguém é capaz de ser um bom funcionário sem descanso. Quando falo em descanso me refiro a qualquer período de tempo que se passa fora do ambiente de trabalho, como as férias, os finais de semana e as horas de sono. Entendo também que, dependendo da profissão e da posição hierárquica do profissional dentro da empresa, é preciso trabalhar algumas horas a mais e ter menos descanso, caso contrário, as coisas não funcionam como deveriam.
Porém, mesmo nesses casos, é preciso saber aproveitar os dias e horas de tempo livre para descansar, ou simplesmente fazer o que mais gosta. Por mais redundante que essa frase pareça, é a mais pura verdade. Muitas pessoas não conseguem se desligar do trabalho mesmo durante as férias e fins de semana e ficam pensando e repassando as tarefas na sua cabeça, com medo de ter deixado algo pendente ou que o substituto ou subordinado não saiba executar as tarefas adequadamente.
Para essas pessoas, meu único recado é: esqueça o trabalho e relaxe. Ficar com a cabeça no trabalho, mesmo estando fisicamente fora dele, pode comprometer facilmente o desempenho sobre as atividades comuns. Além disso, sinais como a fadiga, estresse, alterações comportamentais, dores corporais etc começam a aparecer. Não digo que o esforço extra no trabalho é algo ruim, ele somente deve ser planejado. Observe que os bons profissionais têm rotinas de descanso e lazer muito bem definidas, e só fazem o esforço extra no escritório quando isso agrega benefícios para o âmbito pessoal ou profissional.
Já podemos corrigir, portanto, uma das frases que abrem este artigo: quanto mais se trabalha sem descanso, menor a qualidade e produtividade no trabalho. Pense nisso e valorize seus momentos de folga. Eles são verdadeiras fontes de energia para todos os profissionais.
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Por Bernt Entschev
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Imaturidade Profissional
De todos os fatores que considero cruciais no desenvolvimento profissional, um dos mais necessários, sem dúvidas, é a maturidade. Mais importante que ter um desempenho acima da média, é ser um profissional que mede as consequências de uma atitude ousada, que equilibra o ego e motiva a equipe e pares de maneira eficaz e constante. Um erro comum, porém, é a crença popular e intuitiva de muitos de nós ligarmos a palavra “maturidade” à palavra “idade”.
Antes de prosseguir para a história de hoje, lembro que o processo ou estado de maturidade se dá quando uma pessoa desenvolve – ou não – suas capacidades emocional, intelectual e moral. Ao passo que alguns profissionais têm um senso mais apurado para cada uma das áreas, outros profissionais simplesmente não desenvolvem estas percepções e podem passar a atrapalhar o desempenho de suas equipes. Isso pode se dar pela falta de senso autocrítico e feedback, principalmente.
A história de hoje ilustra bem essa situação.
Algumas décadas atrás, quando fui realocado para o setor de recrutamento, conheci Luís. O carioca de riso farto era um funcionário excepcional do setor de finanças. Apesar de jovem, era muito responsável profissionalmente. Tinha também um pavio muito curto. Tão curto que quase não o tinha!
Havia uma característica nele, porém, que demonstrava sua falta de crescimento pessoal. Ele era irredutível e não gostava de receber qualquer represália. Isso, aliado ao fato de ter um pavio curto, fazia com que todos o temessem, e nunca o contrariassem – principalmente sobre seu hábito de tirar um pequeno cochilo, de 10 a 15 minutos, após o almoço. Nesse momento do dia, ele sempre tirava um tempo para descansar para que pudesse trabalhar melhor.
Se estivesse viajando, parava o carro no acostamento e dormia para que pudesse continuar. Se estivesse no trabalho, também dava um jeito de dormir para depois continuar com seus afazeres.
Um dia Luís viajou comigo para o Rio de Janeiro. Tínhamos uma reunião importante com a diretoria internacional da empresa. Os executivos de nossa matriz londrina vieram ao Brasil para que apresentássemos a evolução de nossas áreas, projetos, além de discutirmos outros assuntos.
A reunião duraria quase o dia todo. Após uma longa manhã, todos pararam brevemente para um almoço, e continuaram logo em seguida. Seu corpo, porém, acostumado com o hábito, gritava por um momento de relaxamento. Não querendo abrir mão de seus hábitos – e querendo dar uma de espertinho – Luís disse “a luminosidade está forte aqui, e meus olhos são sensíveis à luminosidade. Se incomodam se eu colocar meus óculos escuros?”. Ele havia preparado óculos especiais, tamanho garrafal, para essas situações. E por algum motivo inexplicável, ele pensou que ninguém notaria sua apatia na reunião, ocasionada pelo cochilo.
O que veio em seguida, porém, foram roncos e até um pouco de saliva escorrendo pelo paletó. Um dos diretores da empresa, ao perceber, pediu que todos se retirassem da sala, em silêncio, e que as luzes fossem apagadas. A reunião prosseguiu em outra sala. Uma hora e meia depois, ele acordou sozinho na sala de reuniões.
Voltando à maturidade, ela não está somente no reconhecimento das responsabilidades e deveres que o trabalho de cada um exige, em qualquer posição hierárquica que esteja. Está, também, no modo de se comunicar, escrever e, principalmente, nos atos.
Luís foi inconsequente e imaturo ao tentar enganar os outros com sua desculpa. Colocou toda sua honra e reputação em risco – e perdeu. Sua nova alcunha de “sonequinha” havia pegado muito forte em toda a corporação, e os milhares de funcionários sabiam sobre seu caso. A vergonha era tão grande que não aguentou muitos meses na empresa após o ocorrido e pediu demissão. Tudo culpa de uma imaturidade simples de ser corrigida.
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Por Bernt Entschev
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Happy Hour e Cia. Ltda.
Quando se entra em uma empresa, salvo exceções, é normal só haver pessoas desconhecidas. Dependendo da cultura da empresa, conhecer melhor o lado pessoal dos colegas de trabalho pode ser penoso. Como uma maneira de auxiliar a integração das equipes e melhorar o clima organizacional, uma das maneiras mais rápidas de acelerar esse processo é promovendo eventos extra empresariais.
Os conhecidos happy hours, churrascos aos finais de semana, futebol, clube de chá, jantares ou corridas no parque podem virar agentes integradores de colegas de trabalho.
Em uma das empresas em que trabalhei, o próprio chefe do setor promovia quatro ou cinco grandes churrascos por ano. Todos os funcionários deviam comparecer e podiam levar, inclusive, seus pares e filhos.
E quais as vantagens de realizar outras atividades com os colegas? Nesse tipo de ambiente, geralmente informal, as pessoas ficam mais relaxadas e isso facilita a troca de experiências diversas entre você e o grupo. Isso aumenta o entrosamento entre a equipe, melhora o clima organizacional e relaxa os envolvidos, tornando a rotina cada vez menos pesada e cada vez mais prazerosa.
Porém, ambientes como esses oferecem uma série de riscos. Comportamentos exagerados expõem as pessoas a situações vexatórias, dignas de ressacas morais que demoram longos períodos para serem amenizados ou esquecidos. Nesse pacote estão inclusos itens como danças exageradas e roupas indiscretas, mas, quem reina absoluto na lista dos responsáveis pelas maiores gafes é o álcool.
Ano após ano repito sobre o cuidado que as pessoas devem ter com o álcool, sobretudo nas festas corporativas, mas canso de ver pessoas com o comportamento alterado, falando alto e fazendo coisas as quais se arrependem profundamente mais tarde. Ora, quando o sujeito bebe, baixa a guarda, e isso dá brechas para que qualquer coisa ocorra: de paquerar o colega do outro setor a literalmente fazer escândalos.
E como nesses eventos a presença de bebidas é bastante comum, acho pertinente contar a história de Eliseu. Todas as semanas, eu e ele nos reuníamos com um grupo diferente de funcionários. Era comum vermos os ânimos se exaltarem conforme as horas passavam, e nos divertíamos à beça. Porém, nunca havia visto Eliseu fora de controle uma vez sequer. E ele bebia como todos os outros.
Um dia, aparentemente sufocado por guardar o segredo, contou-me o que o tornava tão “resistente” em relação aos demais. “Sabe como e por que eu nunca dei um vexame?”. Muito curioso, pedi que me contasse logo. Ele soltou então o seguinte: “Toda vez que vou a um bar ou restaurante com o pessoal, converso com o garçom antes de a festa começar. Peço para que ele intercale as bebidas que me serve. Enquanto para todo mundo eu peço uma atrás da outra, na verdade, em uma rodada eu bebo cerveja, e na outra, guaraná”.
Eu não acreditei, ele então pediu para que eu provasse o que havia no copo. “Veja, é guaraná!”. E era. Com isso, ele conseguia equilibrar de maneira muito consciente e responsável o quanto de álcool consumia, enquanto se divertia à custa dos erros dos outros.
Eventos como esses são muito benéficos, sim, para todos os envolvidos, porém, preservar a responsabilidade é o grande segredo. Ninguém quer sujar a imagem ou a reputação de longos anos de trabalho benfeito por causa de uma noite de comportamento inadequado. Por mais que o relacionamento com o chefe ou os colegas de trabalho seja muito bom, é preciso lembrar que você não está em casa ou com os amigos de faculdade e manter o profissionalismo mesmo nos momentos de lazer. É claro que você deve se divertir e aproveitar esses momentos, porém com muito cuidado para não ser responsável por boicotar sua própria carreira.
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Por Bernt Entschev
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Planeje seu novo ano
Entra e sai ano, mas algumas coisas não mudam, e o planejamento pessoal e profissional do ano seguinte é uma dessas coisas. É comum pessoas fazerem “promessas”, muitas vezes da boca para fora. Emagrecer, ganhar um aumento salarial, comprar um carro. Mas o que efetivamente é necessário ser feito para que essas metas se tornem realidade? É inevitável falar sobre planejamento nesta época, que representa o fim de um ciclo e o início de outro.
Planejar o ano é muito importante para que você possa estar em controle da sua vida pessoal e profissional. O que sempre acontece é aquela sensação de querer cumprir tudo o que desejamos à meia-noite do dia 31 de dezembro, porém, na manhã do primeiro dia do ano, já deixamos o planejamento para depois ou até mesmo esquecemos que ele existe. É muito mais difícil atingir todas as metas que desejamos sem planejamento. Imagine emagrecer cinco quilos sem planejar uma dieta ou uma rotina de exercícios físicos. É quase impossível. O mesmo acontece com as nossas metas profissionais e financeiras. Saber planejar o ano e cumprir com esse planejamento todos os dias é uma tarefa difícil, que exige disciplina e foco, porém as recompensas são gratificantes.
Isso me faz lembrar a história de Flávio, o filho de um motorista de táxi. Engana-se quem pensa que ele simplesmente herdaria o ofício do pai. O sonho dele era trabalhar em uma multinacional. E assim o fez.
Ao concluir seus estudos, entrou na tal multinacional como trainee. O rapaz, aparentemente sonhador, tinha a cabeça de um grande estrategista. Ele simplesmente amava aquela corporação, e não pensava em sair de lá tão cedo. Movido a pensamentos grandes e aparentemente distantes, traçou um objetivo “simples”: alcançar, no mínimo, um cargo da alta direção da empresa em vinte anos.
Para atingir seu objetivo, estabeleceu um planejamento a longo prazo. Ele deveria estudar mais. Cursou dois MBAs e fez um curso de Finanças para Não Financeiros, além de ter decidido que falaria de maneira absolutamente fluente o inglês. Além disso, planejava seu dia da seguinte forma: todos os dias trabalharia dez horas, além de, em uma hora de seu dia, dedicar-se a aprender algo novo.
Ele planejava cada etapa de sua carreira, assim como o que precisaria fazer para chegar aonde queria. Planejou, inclusive, que relacionamentos deveria fazer e cultivar. Primeiro conquistaria seus subordinados, então seus pares, em seguida os superiores e diretores. Em menos de vinte anos, Flávio não só alcançou a direção, como assumiu a presidência da multinacional. Com o planejamento bem feito, a história não poderia ter sido outra.
Que tal seguir o exemplo de Flávio e começar a planejar 2012? Primeiramente, trace metas e objetivos que deseja conquistar. Reflita sobre o que gostaria atingir em sua vida, seja aprender um novo idioma, mudar de emprego ou subir na carreira. Além disso, tenha visão, metas e estratégias bem estabelecidas. Minha dica é sempre escrever numa folha de papel esses desejos e metas e planejar cada uma delas. Se você deseja aprender um novo idioma, deve pensar em como encaixar as aulas em sua rotina, ou pesquisar quais são as melhores escolas para estudar. É importante deixar essa lista de desejos visível o ano inteiro, seja na mesa do trabalho, ou como papel de parede do seu computador. Enfim, planejar é o primeiro passo para tornar seus sonhos realidade. E nada melhor que traçar metas para um novo começo de ano. Finalmente, para começar o ano com o pé direito, reflita sobre os erros que cometeu no ano anterior. Isso é fundamental para não correr o risco de repeti-los, mas sim fazer com que as coisas sejam diferentes no próximo ano.
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Por Bernt Entschev
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