Arquivos Mensais:junho 2011
A sua empresa dos sonhos
Você trabalha numa empresa dos sonhos de qualquer profissional? Sinceramente, acho difícil que todos respondam sim. Outro dia conversando com um jovem que trabalha numa dessas empresas consideradas as melhores para trabalhar, percebi o brilho em seus olhos ao falar da companhia. Observei que aquele profissional provavelmente teria um orgulho fora do comum em trabalhar naquela empresa e certamente faria o que fosse possível para fazê-la progredir sempre e sempre. A questão é: será que todos os profissionais que ali trabalham sentem o mesmo entusiasmo que aquele jovem?
Costumo brincar que não existe empresa perfeita. Mas, a verdade é que mesmo que umas empresas se destaquem mais que outras, algumas menores têm condições em proporcionar ambiente tão agradável quanto as maiores (e famosas por isso), guardadas as devidas proporções.
Proporcionar boas condições de trabalho, programas de desenvolvimento, salários compatíveis aos cargos, bonificações e benefícios atraentes é algo que a maioria das empresas pode fazer por seus colaboradores. Porém, infelizmente, a realidade é muito diferente. Grande parte das corporações que conheço está tão preocupada em pagar suas contas no fim do mês, que mal pensam nas necessidades de seus funcionários. Muitas não se preocupam em proporcionar subsídios para que seus colaboradores se especializem, ou não pensam na importância de desafiá-los, acrescentando funções a seus trabalhos e, consequentemente, agregando valor e aumentando seus salários de tempos em tempos. Sem contar nos famosos PRL’s (Participações nos Resultados e Lucros), que dão um gás naqueles que contribuem ano após ano para os resultados da empresa. Aliás, convenhamos, não é só a recompensa financeira que conquista um profissional. Há todo um contexto, desde a mesa mais confortável para trabalhar, até a forma com que os líderes se reportam a suas equipes.
Essas empresas consideradas as melhores para trabalhar não se preocupam apenas com a remuneração de seus funcionários. Pelo contrário, sua preocupação abrange situações que vão muito além do holerite puro e simplesmente. São empresas que pensam o tempo todo no bem-estar de seus funcionários, afinal, colaborador satisfeito é sinônimo de trabalho bem feito e bons resultados para a empresa. Normalmente se preocupam com transporte confortável, café da manhã e da tarde reforçados, almoço, ginástica laboral e espaços destinados a um breve descanso. Sem contar, é claro, de estações de trabalho ergonômicas, com equipamentos de última geração que propiciam um trabalho bem feito. Afinal, como exigir, por exemplo, um relatório em uma hora, se o computador que a empresa oferece a seu funcionário parece ter sido fabricado na idade da pedra e demora horas para salvar um documento? Acredite, tem empresas que ainda usam fax!
Mas, voltando à empresa dos sonhos… pode ser que a sua empresa dos sonhos não ofereça tantas regalias assim. Costumo dizer que cada um sabe o tamanho das montanhas que gostariam de subir. Alguns profissionais que conheço almejam essas grandes e admiráveis empresas para construir suas carreiras. Outros preferem pequenas empresas, onde podem atingir patamares mais altos num espaço menor de tempo. Alguns, ainda, querem ter suas próprias empresas e se tornam pequenos empresários para tentar colocar em prática aquilo que não podiam enquanto funcionários de outra companhia.
Vejam, gostaria de demonstrar aqui minha profunda admiração por essas empresas realmente maravilhosas que vêm construindo uma bela história no meio corporativo. Mesmo assim, ainda acredito que é possível que pequenas e médias empresas possam fazer coisas tão boas aos seus colaboradores. E a eles, por sua vez, aconselho: o que você quer para sua vida? Então vá em busca do que quer. Pode não ser fácil conseguir uma oportunidade naquela empresa que você almeja pra sua carreira. Mas, se souber aonde quer ir, isso já será um passo para chegar lá. Se você está insatisfeito numa companhia, não precisa ficar nela. Esperar que seu empregador decida o seu futuro é uma das piores coisas que alguém pode fazer por si próprio.
Teste
Façamos uma breve avaliação de sua empresa. Será que ela está adequada aos funcionários ou será que há muito o que fazer por ela e por seus funcionários?
( ) A direção pensa que está tudo bem com todos os funcionários, apesar de nos corredores e cafés todos fazerem queixas.
( ) A direção não realiza pesquisas de clima, logo, não sabe o que está bom e o que precisa melhorar.
( ) Gestores percebem que os funcionários escondem ou demonstram insatisfação por algo, mas não sabem ao certo o que é.
( ) A carga horária dos funcionários é excessiva ou inadequada de acordo com as funções.
( ) Mesmo sabendo de problemas como trânsito e distância devido à localização geográfica, a empresa não flexibiliza os horários de entrada e saída.
( ) A remuneração média de determinados (ou todos) cargos está abaixo do que o mercado proporciona e ninguém se preocupa em oferecer mais a todos para ser benquista no mercado.
( ) Apesar de a empresa crescer sem parar, nada é investido no bem-estar dos funcionários. Seja com melhorias em benefícios, equipamentos, transporte, alimentação ou infraestrutura.
( ) Os funcionários vivem se queixando da empresa. A infraestrutura está aquém do tamanho dela.
( ) A empresa poderia investir bem mais no bem estar e qualidade dos equipamentos que oferece aos seus empregados.
( ) Havendo ou não pesquisas de opinião, havia sugestões de colaboradores, mas todos pararam de enviá-las. A empresa simplesmente não as ouve ou realiza quaisquer mudanças propostas por quem praticamente vive na empresa todos os dias.
Se qualquer uma dessas opções foi marcada, está na hora de reavaliar as políticas da empresa. O mercado se adapta facilmente e os concorrentes estão sempre buscando profissionais competentes para compor seus quadros e fazer a empresa prosperar. Quem não acompanha as mudanças ou se preocupa com a felicidade dos funcionários simplesmente afasta os talentos da empresa. Oferecer somente um salário, seja ele bom ou ruim não é tudo. Para ser atraente, primeiro uma empresa precisa querer ser atraente e, para isso, é claro, deve por a mão no bolso.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Brilho nos olhos
Recentemente conheci um rapaz muito especial. Adriano trabalha numa dessas multinacionais gigantes, consideradas as melhores empresas para se trabalhar. O jovem, que cursa pósgraduação numa instituição de ensino bastante renomada, assistiu a uma de minhas palestras e após a apresentação me abordou para um bate-papo. Acho curioso como alguns jovens têm brilho nos olhos ao falar das empresas em que trabalham. É interessante ver como eles são engajados e como se dedicam às organizações e às suas próprias carreiras. São pessoas talentosas com um futuro muito promissor pela frente.
Mas de onde vem tanta admiração dos funcionários por essas empresas tão maravilhosas? Vem da preocupação que tais empresas têm pelo bemestar e desenvolvimento desses funcionários. Na verdade, eu conheço bem os programas da empresa em que Adriano trabalha, pois, coincidentemente, são meus clientes. Mas, justamente pelo sigilo, e também por um pouco de curiosidade, quis ouvir dele o que ele tinha a dizer sobre aquela empresa. É claro que não explanarei aqui as palavras de Adriano, ipsis literis, afinal não gravei nossa conversa. Mas, tentarei colocar para vocês o que minha memória me permitir.
“A empresa em que trabalho é a empresa dos sonhos de qualquer profissional, tenho certeza. Sinto-me honrado em trabalhar lá e acredito que poderei galgar muitos degraus ali dentro. Meu dia a dia é leve, trabalho extremamente interessado pelos resultados e, quanto mais eles se superam no que diz respeito aos benefícios que nos proporcionam, mais eu sinto vontade de dar 110% de mim para a empresa.
De manhã uma van passa a uma quadra da minha casa e me pega. Chego na empresa cerca de meia hora antes do expediente para o café da manhã. E não estou falando de pão com mortadela, não… refiro-me a um café da manhã de qualidade, com frutas, pães e frios. Minha estação de trabalho é confortável. Tenho uma mesa de tamanho considerável, cadeira ergonômica e todo o equipamento de última geração necessário para o desenvolvimento de minhas tarefas. Não é um local muito silencioso, mas nada que incomode e atrapalhe. A iluminação é boa para o tipo de trabalho que desempenhamos naquele setor e volta e meia até ouvimos uma musiquinha ambiente.
Na hora do almoço, normalmente nos fartamos com pratos bem feitos e apetitosos. Podemos esticar nosso horário de almoço numa praça interna da empresa ou mesmo sair para resolver assuntos pendentes. À tarde ainda temos um lanche reforçado e, antes de pegar a van de volta para casa, temos à disposição o jantar. Eu confesso que não usufruo disso, pois sempre estou muito bem alimentado. Mas acho o máximo que a empresa se preocupe tanto com seus funcionários.
Sem contar, é claro, com os inúmeros programas de desenvolvimento. Hoje, por exemplo, estou aqui assistindo a sua palestra porque a companhia subsidia meus estudos. No meu caso eles arcam com 100%, pois foi uma solicitação deles que eu fizesse esse curso, mas isso varia de caso para caso. Tenho uma remuneração compatível com o que desempenho e com o que espero da empresa, além de bonificações ao longo do ano, atreladas ao nosso desempenho e, obviamente, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que anualmente nos dá a oportunidade de fazer um bom pé de meia.
Eu ocupo o cargo de analista, mas me sinto muito mais que isso lá dentro. Sinto-me valorizado, benquisto e recompensado. Sou jovem, ainda não completei meus 30 anos, mas percebo que para minha idade já tenho uma vida relativamente estável, se comparado a outras pessoas que conheço.”
O que mais me deixa admirado é saber que tudo isso foi dito por um funcionário e não pelos diretores, ou pela equipe de RH, que sempre acha que o que fazem está de bom tamanho. Isso, sem dúvida, é fruto de um trabalho muito bem feito e de uma empresa que realmente merece estar no patamar de reconhecimento em que ela está. Se você sonha com uma empresa assim para trabalhar, não deixe de ler a coluna Talento em Pauta de terça-feira.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Já cogitou sobre um período sabático?
Sair da rotina muitas vezes é uma ótima solução. O descanso e o afastamento temporário dos afazeres profissionais forçam a pessoa a refletir sobre a profissão, estudos, o cargo atual e uma infinidade de outros assuntos, entre eles os pessoais
Viagens intermináveis, correria, trabalho sob pressão, ansiedade por resultados, cobranças ferrenhas e, dia após dia, estresse e mais estresse. Para aqueles profissionais que andam em dúvida sobre a carreira, sobre a permanência na empresa ou profissão, uma possível saída é o período sabático.
Mas de onde vem essa palavra? O termo sabático vem do hebraico e significa “repouso”. Tem relação ao dia semanal em que os judeus tiravam para descansar e se dedicar aos assuntos de interesse pessoal.
Sair da rotina muitas vezes é uma ótima solução. O descanso e o afastamento temporário dos afazeres profissionais forçam a pessoa a refletir sobre a profissão, estudos, o cargo atual e uma infinidade de outros assuntos, entre eles os pessoais. Por mais que soe exagerado, em alguns casos os 30 dias de férias remuneradas não são suficientes, tamanho estresse ou estado psicológico que as pessoas acabam entrando.
Aliás, ledo engano que alguns cometem, o período sabático nada tem a ver com férias. É, como eu disse, um período em que o profissional geralmente refletirá sobre o rumo de sua carreira, o caminho que a carreira tomou, outros aproveitam para estudar, fazer cursos e/ou viagens, já que não conseguem colocar esses planos em prática devido a rotina enquanto funcionário. Vários outros, inclusive, também decidem se continuam como colaboradores de uma empresa ou abrem a própria.
Resumidamente, entrar em um período sabático significa se afastar do mercado e do emprego para avaliar melhor a condição em que estava e o que quer da vida, dentro e fora do âmbito profissional. O lado negativo, e que geralmente acaba acontecendo é, após a negociação com a empresa, abdicar a posição atual para voltar em um nível hierárquico inferior, em outro setor, ou mesmo não haver a possibilidade de volta. Isso tudo exige cuidadoso estudo e planejamento antes de propor entrar no período de reflexão, principalmente nas finanças, já que o vínculo empregatício formal é quebrado enquanto o colaborador está afastado.
Várias empresas liberam seus profissionais para um ou dois anos sabáticos, mas afastar-se do mercado tempo demais nem sempre é uma boa ideia. O relacionamento com a network acaba esfriando, muitos contatos são perdidos, além da negociação da volta à empresa, que é complicada. As empresas, por sua vez, precisam reconhecer a importância em dar esse “tempo” à alguns profissionais. Várias, pensam, inclusive, que é melhor garantir aquele excelente profissional de volta com potência total em um ano do que simplesmente demiti-lo ou deixar-se demitir. Mas, infelizmente, a maioria das empresas recusa acordos assim (de retornar após 1 ou 2 anos), é exatamente por esse motivo que o profissional precisa pensar muito bem se quer ou não se afastar. Tudo exige muita estratégia e conversa e tem seus prós e contras, sempre se lembrando que a felicidade pessoal, profissional e a própria carreira estão em jogo.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Preconceito com obesos
Apesar de a sociedade estar mais civilizada, muitas pessoas carregam alguma carga negativa sobre determinados tipos físicos ou de personalidades
Desde que há registros do Homem na História, há contos sobre preconceitos. Fossem eles de cor, raça, credo, beleza ou gênero, o homem sempre julgou seus semelhantes à forma que tinham e ao modo que pensavam. Atualmente, mesmo havendo penas legais sobre o assunto, a temática continua polêmica e está, também, no meio empresarial.
Apesar de a sociedade estar mais, digamos, civilizada, muitas pessoas carregam consigo alguma carga negativa sobre determinados tipos físicos ou de personalidades. Seja porque a vida lhes ensinou isso (experiência), seja pelos padrões que a sociedade em que cada um vive prega. Mas o principal problema neste pré-julgamento está na ignorância: porque julgar alguém que, na maioria das vezes, sequer conhece?
Hoje eu venho discorrer sobre as pessoas que estão acima do peso. Sempre alvo de chacotas, ou bullying para os termos mais modernos, muitos obesos têm problemas no âmbito profissional, seja para conseguir um emprego, seja para construir uma imagem competente. E isso não é achismo, pesquisas comprovam que uma série de empresas têm fortes preferências por não contratar pessoas com peso excessivo. O curioso é o motivo que elas dão para não fazê-lo.
Muitas delas alegam sobre a morosidade para execução de trabalhos e outras várias apontam para o “desleixo”. Elas seguem a seguinte linha de raciocínio: “como só é gordo quem quer, qualquer um que apareça aqui e seja gordo é uma pessoa desleixada por não cuidar da própria saúde e aparência”. Grandioso engano. Ninguém, ou quase ninguém, tem quilos a mais porque quer.
Vários são os fatores: ou há predisposição genética para ganho de peso e retenção de gordura ou, realmente, a pessoa não regula a alimentação que ingere e também não procura por exercícios físicos, ou por questões emocionais etc.. É verdade que o estilo de vida hoje, na maioria das sociedades, favorece muito ao sedentarismo, mas todos sabem que a escolha pela prática de exercícios físicos só beneficia o corpo.
As empresas simplesmente não podem vetar pessoas pelo quanto elas pesam, pois isso simplesmente não faz sentido. Se formos seguir a lógica da questão, e considerando que todo obeso seja desleixado, ou desorganizado com a vida, quer dizer então que todo magro é saudável? Ser magro não é sinônimo de saúde, tampouco ser obeso. Há muitos gordinhos que cuidam, e muito bem, de suas dietas e rotinas, mas simplesmente não conseguem emagrecer por razões genéticas. Muitos acabam se submetendo às cirurgias bariátricas por conta disso, mas esse não é o foco de nossa discussão.
Algumas pessoas, eu diria corajosas, alegam que obesos deveriam ganhar menos, já que a probabilidade de eles serem preguiçosos, lentos, improdutivos e suscetíveis a afastamentos por motivos de saúde é muito maior que outra pessoa qualquer. Piada. Se a profissão necessita esforço físico constante, isso talvez possa ser verdade. Mas qual a relação entre peso e liderança, inovação, negociação, capacidade de vendas e produtividade? Nenhuma. Exatamente por esses motivos eu repugno qualquer um que releve a capacidade de um profissional, simplesmente baseado pelo tipo físico que ele apresenta.
Só para complementar: nos últimos dois anos, estatísticas apontam que o Brasil possui pouco mais de 40% da população com sobrepeso e aproximadamente 13% com obesidade. Imagino quantos destes, que são excepcionais profissionais, são descartados por recrutadores sem sequer poderem mostrar a que vieram. O que torna cada um diferente do outro, falando principalmente no âmbito profissional, é o esforço que se faz para colocar em prática toda a capacidade que todos os indivíduos têm. As aparências, jamais.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Feedforward
Criticar é fácil, não é mesmo? Apontar erros, dizer que o trabalho poderia ter sido diferente, mostrar falhas é muito simples quando não nos envolvemos no processo. E é sobre isso que vim falar hoje.
O feedback, já conhecido por todos nós, normalmente aponta o passado, ou seja, faz uma análise do que passou. Infelizmente, porém, a maioria dos gestores pecam ao dar o feedback a seus subordinados, por entenderem que ele deve ser utilizado como forma de apontar erros e defeitos. Alguns, inclusive, mal conseguem elogiar o desempenho de seus funcionários, pois acreditam ser desnecessário.
Outro termo, ainda desconhecido por muitos, mas com um princípio muito mais lógico, é o feedforward. Enquanto o feedback olha o passado, o feedforward controi o futuro. Trocando em miúdos, a pessoa que vai dar um feedforward ao colega, subordinado, ou seja lá quem for, já vai preparado para apontar a direção. Ex: “seria interessante se da próxima vez utilizássemos tal abordagem ao cliente”. Desta forma, quem se arrisca a botar um defeito, reclamar de algo ou apontar falhas na execução de certo trabalho, acaba se envolvendo no processo, comprometendo-se como parte integrante na busca de um resultado melhor.
Se observarmos, ao dar feedback nos prendemos em algo que passou e, como dizem, não vale a pena “chorar o leite derramado”. O que passou, passou, não dá para mudar. Porém, quando identificamos um problema e focamos nossas energias em encontrar soluções para o futuro, potencializamos nossos recursos e inteligência na construção de algo que pode dar certo desta vez, se feito de forma diferente.
Isso, porém, não quer dizer que a prática do feedback acabará, já que é ela quem permite nos orientarmos com base no que somos hoje. Para que um trabalho seja reorientado, é preciso que antes ele seja identificado como ineficaz e o feedback que nos permite isso. Com isso, é possível dizer que um complementa o outro. Primeiro se faz uma análise do que foi feito de forma ineficaz, depois se reconstrói de forma mais eficiente.
Porém, independentemente dos termos em si, e se eles se complementam ou não, o fato a que quero me ater aqui é o seguinte: todos nós devemos saber olhar a empresa em que estamos inseridos de forma sistêmica e contribuindo para que os processos sejam sempre otimizados. Ao invés de apontarmos de longe que fulano faz tal coisa errado, ou que sicrano não segue os processos internos adequadamente, é melhor focarmos nossas energias no esclarecimento do que se espera de fulano e sicrano.
Quanto mais desenvolvidos intelectualmente são os colaboradores de uma empresa, mais possível é conseguir achar soluções para a reorientação de coisas que não estão adequadas. Aliás, incentivar que eles ajam desta forma é uma maneira de fazê-los se desenvolver em áreas distintas, sem contar que é desta forma que se aprende a enxergar a empresa sistematicamente.
Para entender melhor, vamos praticar: pense em algo que um funcionário ou colega de trabalho fez e que você não considerou adequado. Ao invés de criticá-lo em pensamentos ou, simplesmente, chegar e apontar o erro, pense em como aquela tarefa poderia ser executada de forma mais assertiva. Mas, atenção, você precisa embasar essa reorientação. Ou seja, nada de “achismos” baseados em opiniões pessoais, afinal, opinião cada um tem a sua. Quando embasados em estudos, dados e estatísticas, você deixa de ser um mero crítico “reclamão”, e passa a ser alguém que entende do que está falando, que tem base sobre aquilo e que pode ajudá-lo a fazer tudo de forma mais inteligente.
Cuidado, é claro, com a arrogância. Achar que somos melhores em tudo e que sabemos mais que nossos colegas o tempo inteiro pode soar arrogante. Saiba falar. Aliás, é por isso que apenas falar sobre o passado não é interessante. O ideal é construir, juntos, o futuro.
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TESTE
Hora de praticar. Será que você prefere criticar o passado ou ajudar as pessoas a melhorarem no futuro?
1) Seu colega tem contato com clientes o tempo todo, por telefone e pessoalmente, fala muito errado e tem vários vícios de linguagem, você:
a) Reclama para “Deus e o mundo” que o colega fala errado, mas não faz nada para que isso mude.
b) Chega para a pessoa, delicadamente, e pergunta se pode fazer algumas observações a respeito do atendimento dela, a fim de melhorar o desempenho. No final, indica um curso ou um livro que a ajudará a melhorar seu vocabulário.
2) Sua equipe cometeu um grande erro. Você:
a) Dá o feedback somente aos culpados, apontando todos os erros e problemas que surgiram com o acontecimento.
b) Reúne todos para que atualizem as conquistas e problemas do processo. Ao apontar os erros, não mostra necessariamente o dono. Orienta toda a equipe sobre a melhor forma de realizar as tarefas, assim, esse tipo de problema não acontecerá novamente com ninguém.
3) Como subordinado, você:
a) Espera que o chefe sempre lhe dê retornos, mas nunca dá. Quando dá, é só um “muito bom” ou uma enorme bronca.
b) Caso o chefe não seja do tipo que fala, você periodicamente pede um retorno sobre seu desempenho e nos pontos que pode melhorar.
4) Ao apresentar sugestões de mudanças ou novos projetos para o superior, ele:
a) Não aceita mudanças, tenta boicotar os planos, dizer implicitamente que você não é capaz e que você sempre errou ao fazer outras atividades ligadas a isso. “Como conseguiria colocar uma coisa dessas em prática?”
b) Ele reconhece e elogia a iniciativa e avalia a aplicabilidade da ideia, sempre orientando a melhor maneira de colocar aquilo em prática.
Personalidade é algo difícil de se mudar, mas há sempre uma maneira de orientar e conduzir. Ao pedir feedbacks (positivos ou negativos) e feedfowards você lembra que não é criticando que se pode fazer uma equipe melhorar os resultados. Se marcou as alternativas A, é bom reavaliar se o problema está no seu comportamento, na equipe ou no superior. “Não encontro defeitos. Encontro soluções. Qualquer um sabe queixar-se.” – Henry Ford. Vale a reflexão.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Bússola corporativa
Constantemente vejo gestores, até mesmo dentro da minha empresa, dando feedback aos seus funcionários. Porém, outro dia, lendo sobre o assunto, percebi que nem sempre esse tipo de prática pode ser a melhor opção. Vide o exemplo a seguir:
Camila, uma jovem recém-formada em psicologia, fora efetivada na área de Recursos Humanos de uma empresa familiar do segmento da construção civil. Extremamente empolgada com a nova etapa de vida, a moça acabou se envolvendo com muitos projetos da empresa, chegando a sugerir algumas inovações… coisas que havia aprendido na teoria e pretendia colocar em prática. Camila, porém, era apenas uma assistente de RH e sua chefe, Paula, não dava muito crédito às coisas que ela propunha. Ao contrário disso, vivia criticando tudo que a moça fazia. Nada era bom o suficiente aos olhos de Paula.
Certa vez, Camila recebeu a incumbência de montar a apresentação que Paula faria numa reunião com a diretoria. O conteúdo abordaria um projeto de subsídio a especialização que eles pretendiam conceder aos seus funcionários. A chefe da jovem passara mais de um mês estudando as possibilidades para aquele projeto e esse era o momento em que ela buscaria a aprovação da sua diretoria. Camila, engajada com o projeto da chefe, aceitou a tarefa de bom grado e virou a noite montando uma apresentação com direito a vídeos, fotos e muitas animações.
No dia seguinte, porém, ao chegar ao escritório em pouco menos de meia hora antes da reunião, Paula quis checar a apresentação para entender a ordem das explanações que Camila havia organizado. Ao abrir o arquivo, entretanto, tomou um susto. Não era nada daquilo que ela esperava. Nervosa com a situação, colocou-se a esbravejar com a moça. Mas, sem tempo para discussões, disse que assim que saísse da reunião, teria uma séria conversa com Camila sobre o ocorrido.
Dito e feito: na conversa com Camila, Paula foi extremamente arrogante. Disse que esperava que a jovem tivesse se empenhado mais em fazer uma apresentação séria e não cheia de “bichinhos” como aquela. Camila, por sua vez, defendia-se dizendo que Paula não havia lhe orientado sobre a forma como gostaria que apresentação fosse feita e que acabou montando o arquivo de acordo com sua própria percepção. A chefe não admitia os contra-argumentos de Camila e pôs-se a fazer uma série de críticas ao trabalho da jovem executado até então. Buscou coisas do fundo do baú, da época que Camila ainda era uma estagiária, para exemplificar o quão seu trabalho era pífio. Citou vários erros que a jovem vinha cometendo, mas que a chefe jamais parara para lhe alertar sobre a necessidade de melhoria.
A jovem, entretanto, insistia na falta de orientação que recebera de Paula. Como ela nunca havia falado nada positivamente ou negativamente a respeito de seu trabalho, sempre acreditara que estava tudo certo. E, pior, não só não recebia retornos, como quando delegada para alguma atividade, simplesmente não era orientada sobre a melhor forma de executá-la. Baseava sua execução na teoria do que aprendia em sala de aula.
Paula não aceitava os comentários da assistente. Era inconcebível, a seu ver, que uma pessoa menos experiente que ela falasse algo tão plausível. Pois, inconscientemente, ela poderia até admitir seus erros, mas jamais assumiria isso a Camila.
A assistente ficou dias magoada com o ocorrido. Desacorçoada, chegou a pensar em pedir demissão. Desistiu, porém, quando entendeu que o problema da chefe poderia ser facilmente corrigido com uma simples atitude: pedindo sempre sua opinião, quando fosse executar qualquer projeto.
Um líder precisa se envolver nos processos executados pelos seus subordinados. Envolver-se não é o mesmo que colocar a mão na massa, mas sim, orientar, mostrar o caminho e chegar, junto deles, a uma concordância sobre a melhor forma para colocar aquele projeto em prática.
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Por Bernt Entschev
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Não fale mal do antigo empregador
Muitos profissionais falam mal de seus colegas, da empresa que trabalham, dos concorrentes. É uma lástima isso acontecer com tamanha frequência
Você provavelmente já ouviu aquela máxima que diz: “o sujo falando do mal lavado”. No meio empresarial existe algo semelhante. É quando profissionais falam mal de seus colegas, da empresa que trabalham, dos concorrentes, seja para colegas, amigos, network ou mesmo para o emprego que ele deseja conquistar (em uma entrevista de emprego, por exemplo). É uma lástima isso acontecer com tamanha frequência.
Assim como as empresas se preocupam com a imagem que passam aos clientes, os profissionais deveriam ter o mesmo zelo e preocupação com a imagem que passam aos outros. O grande defeito desse tipo de profissional, que fala mal do antigo empregador, é que ele, muitas vezes, não foca no próprio desempenho. É aquele que responderia que o copo está meio vazio.

A maioria de vocês provavelmente já ouviu este conselho, mas não custa lembrar. Em uma entrevista da emprego, um dos maiores erros do candidato é falar mal da última empresa que trabalhou. Quando perguntarem, por exemplo, qual foi o motivo do desligamento, nunca culpe a empresa antiga, a impressão que se passa ao entrevistador é de que, caso no futuro você saia dali também, falará mal desta empresa a outros. O ideal é dizer a verdade, mas de maneira neutra, sem reclamar ou apontar acontecimentos isolados. Entrar em detalhes da antiga empresa geralmente acaba colocando o candidato em maus lençóis também. E isso tudo vale mesmo que a empresa estivesse errada no momento da demissão. Afinal de contas, a impressão comportamental que se passa com uma atitude dessas é de que você é rancoroso, infantil e, principalmente, desleal.
Procure trabalhar em empresas que pensem como você, que priorizem os mesmos valores. Também é importante buscar seu desenvolvimento de maneira constante. Aqueles que se preocupam em apontar falhas dos outros geralmente têm a personalidade, o currículo e a ética fracos. O bom profissional toma os erros dos outros como aprendizado, para que não os cometa, e também busca a qualificação constante. Desta forma, ele não depende do fracasso dos outros para ter sucesso, ele faz por merecer ter o próprio lugar ao sol.
Por último, lembre-se que as empresas que trabalhou ajudaram a compor o profissional que você é agora. Falar mal delas é como falar mal de você mesmo, pois você tem um pouco de cada uma em seu modo de ser. Além disso, aprenda a ser grato e a não guardar rancor. Se há rancor, provavelmente não houve acordos e transparência suficientes no momento do desligamento. Quem se acerta de maneira limpa só tem a ganhar: a empresa mantém a integridade e o respeito do funcionário, e o profissional desligado sai de lá consciente dos motivos que o levaram a sair e mantém o respeito pelo antigo empregador.
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Por Bernt Entschev
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A importância dos estagiários
É bom relembrar que os estagiários não devem ser aproveitados como mão de obra barata e muito menos como escravos
Ao contrário do que se pensa, não é somente nos cargos altos e estratégicos que falta mão de obra qualificada. Há algum tempo vi uma matéria que falava sobre a falta de uma mão de obra essencial em todas as empresas: os estagiários. Nesse caso o problema é claro, é a falta de interesse de jovens querendo trabalhar. Muitos jovens, ainda embalados pelo espírito jovial, pensam somente nos prazeres que essa época proporciona. Querem somente “curtir” as inúmeras festas, divertir-se com os amigos e sem ter uma vida cheia de responsabilidades. Não desejo proibir isso de maneira alguma, mas ressaltar que há como equilibrar carreira e lazer perfeitamente.
Obviamente não se pode generalizar, há muitos jovens mais responsáveis que alguns adultos, mas o que entristece muito os recrutadores é a oportunidade que eles mesmos estão desperdiçando de construir e iniciar uma carreira sólida.
Todos os profissionais deveriam passar por estágios. O maior exemplo, acredito, são os médicos. Mesmo depois de formados, eles passam anos fazendo residência, que nada mais é que um estágio. Nesse tempo eles colocarão em prática tudo aquilo que estudaram por muitos anos, sob a orientação de quem já tem anos de prática e experiência. Afinal de contas, seria muito perigoso e irresponsável que os recém-formados saíssem, por exemplo, receitando remédios e operando sem qualquer experiência. Sendo assim, não há porque ser diferente com as outras profissões.
Mas para aqueles jovens que têm esse zelo com a própria carreira é bom lembrar de algumas regras. Os jovens, no geral, tem um espírito muito apressado. É preciso ter humildade com suas habilidades (pois eles facilmente têm mais conhecimentos nas novas tecnologias que os chefes) e paciência para esperar as coisas acontecerem.
Além disso, a empresa não é uma extensão da casa e é preciso agir com moderação, sem exageros na conduta. Se todos dessem a devida importância a essas empresas, certamente sairiam com mais experiência e, por sua vez, com mais oportunidades de se formar já empregados.
Às empresas
Olhando pelo ponto de vista do empregador, é bom relembrar que os estagiários não devem ser aproveitados como mão de obra barata e muito menos como escravos. Conheço pessoas que pedem: o paletó que esqueceu no carro, o café na mesa às 9h15 e até mesmo “faça orçamentos de bolos de chocolate. Hoje é aniversário do meu filho e não tenho tempo para ver isso”. A escravidão acabou há séculos. Muitos estagiários têm um potencial imenso, como uma pedra preciosa é preciso lapidar para tirar o melhor deles. Nunca se sabe o potencial que cada um guarda dentro de si. Você pode estar subestimando um verdadeiro talento, ou então descobri-lo e fazer dele “a menina dos olhos da empresa”.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Namoro no trabalho
Todos os anos bato na mesma tecla. No jornalismo chamam isso de “pauta NQM (nem que morra)”, ou seja, pautas que sempre serão abordadas por causa de datas, épocas ou acontecimentos. E, como considero de suma importância falar sobre os relacionamentos amorosos dentro das organizações, venho novamente abordar o assunto. Afinal, é ou não é proibido ter relacionamento amorosamente com seu colega de trabalho? Não há uma resposta, pois cada empresa possui uma cultura diferente.
Infelizmente, porém, não mandamos nos nossos sentimentos e pode ser que a paixão nos arrebate a qualquer momento, justamente por aquele colega que senta ao nosso lado. É aí que eu entro na história… se isso tiver acontecido com você, é importante tomar alguns cuidados:
Conheça a cultura da empresa
Sempre que entramos numa nova organização é fundamental conhecermos a sua forma de agir e reagir diante de algumas situações. Isso evita que façamos coisas que não condizem com sua forma de pensar. Todas as empresas possuem regras e quando você aceita trabalhar numa delas, aceita também suas regras e, por isso, deve segui-las à risca, caso queira continuar ali. Se na sua empresa é proibido se envolver amorosamente com seus colegas de trabalho, entenda que você precisará tomar uma decisão. Talvez, pedir demissão seja a solução.
Comunique seu chefe
Se, por um acaso, você se viu apaixonado por um colega de trabalho, a primeira atitude que deve ser tomada é o comunicado ao chefe. Sei de alguns casos onde os funcionários, por medo de represálias, preferem esconder o enlace. Porém, convenhamos, mais cedo ou mais tarde as pessoas descobrirão. Um casal vai à shoppings, shows, bares, festas e sempre estarão correndo o risco de serem flagrados nos momentos de lazer por algum colega de trabalho. Esconder não é uma atitude inteligente. E, se você teve coragem suficiente de assumir um namoro, é melhor que tenha a mesma coragem para avisar seu chefe sobre o ocorrido. Lembre-se, isso é seu dever, não um favor que faz à empresa. Porém vale um alerta: esteja preparado para as consequências. Algumas empresas aceitarão tranquilamente o fato, outras verão isso como um motivo justo para uma demissão.
Namoro assumido, cuidado dobrado
Se você já contou para seus chefes e eles aceitaram a situação, chega a hora de respeitar ao máximo seus colegas de trabalho. Ambiente de trabalho é feito para trabalhar e não para ficar trocando carinhos. O casal deve entender que suas intimidades devem ser deixadas de lado quando estiverem na empresa. Nada de beijos, abraços e demonstrações exacerbadas de carinho. Outro cuidado importante é a discrição ao presentear. Alguns casais têm o costume de mandar flores, cestas de café e homenagens ao amado no ambiente de trabalho. Quando o casal trabalha junto, isso deve ser evitado. Pode não parecer lógico, mas quando os dois estão no mesmo ambiente profissional, tudo que outros casais fazem deve ser evitado. Digo isso porque as reações tendem a ser melosas demais, e, como disse anteriormente, qualquer demonstração mais aguçada de carinho deve ser poupada da relação na presença de colegas de trabalho.
Na festa da empresa e no happy hour
Acredito que as únicas situações em que os abraços (discretos) são permitidos são em festas corporativas e happy hour. Mas, com uma ressalva: se a festa for destinada apenas aos colaboradores, ainda assim o contato físico deve ser evitado. Os abraços e mãos dadas só são permitidos se os cônjuges forem convidados para a festa, assim vocês não serão os únicos casais da festa.
Por fim, se me perguntarem se sou a favor ou contra de namoros dentro da empresa, diria que sou contra. No trabalho devemos ter foco e muitos profissionais ainda são muito imaturos no que diz respeito a relacionamento interpessoal. Pior ainda se entre seus colegas tiver um relacionamento amoroso. Por outro lado, defendo a ideia de que todos nós precisamos ter o lado emocional bem cuidado… se o seu grande amor trabalha com você, o que se pode fazer? Apenas, assumir o risco e dar a cara a tapa.
Teste
1) Você está sentindo uma atração por alguém do trabalho:
a) Você segue os instintos sem sequer calcular riscos ou as consequências possíveis de algo não planejado.
b) Sabe que não pode controlar as emoções, mas tem consciência de que deve ir com calma.
2) Você está em um relacionamento com alguém do trabalho:
a) Tenta esconder de qualquer forma: inventa mentiras, pede ajuda a colegas próximos para disfarçar, nega com veemência.
b) Já deixa claro que trabalho é lugar de trabalhar, não para se distrair com afetos, deixar o ar cheio de dúvidas.
3) Você percebe que há fofocas e comentários no ar:
a) Decide assumir e comunicar o superior (você e a pessoa) para evitar que boatos coloquem o emprego de ambos em risco.
b) Combina com o outro para não “bobearem” mais no ambiente de trabalho, continuam escondendo, mas com cuidado redobrado.
4) O casal decidiu assumir à chefia o relacionamento, a empresa então:
a) Reconheceu o seu relacionamento mas não o aprova. Você se compromete e tenta um acerto. Diz que vai separar o trabalho do relacionamento e que isso não afetará, de maneira alguma, sua produtividade. Propõe até mesmo trocar de setor/cargo se for necessário.
b) Não o aprova e você admite que não conseguirá separar as coisas e também nem prefere imaginar como ficariam as coisas no ambiente caso houvesse, por exemplo, uma separação.
Como está no texto, a ética, o profissionalismo e a maturidade devem prevalecer com todos. Esconder um relacionamento é como esconder um grande problema: cedo ou tarde descobrirão, e o preço geralmente é mais caro do que assumir a verdade. Assuma somente quando tiver certeza do que quer e que não será algo passageiro.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.
Tadeu e Marieta
Todos os anos volto a esse tema quando nos aproximamos do Dia dos Namorados e, neste ano, especialmente, não hesitei em falar sobre os romances corporativos, já que a data caiu exatamente no dia da Coluna Talento em Pauta. Hoje contarei a história de Tadeu e Marieta. Os dois eram trainees de uma multinacional do segmento automotivo e tinham uma carreira bastante promissora pela frente. Quando Marieta entrou na empresa, Tadeu já estava ambientado, com mais de um ano de casa. Foi ele, inclusive, que se incumbiu de mostrar a empresa à Marieta, apresentando-a a cada área e cada colega.
Menos de dois meses depois, ambos já marcavam happy hour com os colegas de área e almoços aparentemente inocentes onde comemoravam qualquer coisa: o aniversário do estagiário, a goleada do time para o qual os dois torciam, o aumento salarial e por aí vai… Tudo era motivo para os dois se juntarem e organizarem um encontro com o resto da turma. Eles sempre incluíam os demais da equipe, mas eram sempre os primeiros a chegar nos lugares e, curiosamente, os últimos a saírem.
Talvez nem eles tivessem percebido no começo, mas ambos pareciam ter sido feitos um para o outro. A relação que se iniciou com uma amizade em pouco tempo chamava a atenção de todos na empresa. Seus colegas começaram a reparar que a proximidade de ambos passava da mera e simples cordialidade entre colegas e as piadinhas logo começaram a importunar a vida de ambos. É claro que no começo negavam e até se afastaram um pouco para não dar “pano pra manga”.
Todavia, isso durou muito pouco. Menos de duas semanas depois, voltaram a marcar encontros furtivos na tentativa de evitar que os comentários se intensificassem. Mas aqueles encontros e a sensação do proibido despertaram nos jovens a vontade de realmente colocar em prática aquilo que ocultamente sentiam um pelo outro. Tadeu, que era um rapaz muito responsável, culpava-se por ter se interessado pela colega de trabalho. Altamente dedicado ao trabalho e às regras que a organização impunha, negava-se a admitir. Marieta, por sua vez, jovem romântica e sonhadora, rejeitava a ideia de não engatar um relacionamento com alguém, simplesmente por ser seu colega de trabalho: se fosse preciso, pediria demissão!
Os jovens começaram a se relacionar algumas semanas depois. Com a desculpa de serem altamente comprometidos com seus afazeres, saíam mais tarde para almoçar e ficavam até altas horas da noite no escritório, para evitar que muitos colegas os vissem indo embora juntos. Qualquer indício do casinho dos dois deveria ser evitado e para isso eles faziam o que fosse preciso. Porém, o feitiço parecia virar contra o feiticeiro cada vez que tentavam esconder alguma coisa. Sempre que tentavam disfarçar a proximidade que tinham, deixavam escapar vestígios que sinalizavam que “onde havia fumaça, certamente haveria fogo”.
Ao perceberem que os olhares dos colegas demonstravam cada vez mais incredulidade de que ali nada haveria, resolveram tomar alguma atitude consciente e responsável. Tadeu, que era o mais antigo de empresa, chamou o chefe para uma conversa e explanou o que estava acontecendo. Explicou que estava disposto a encarar todas as possíveis consequências, mas preferia ser fiel à sua ética e abrir o jogo de que estava amando Marieta.
Seu chefe não ficou surpreso, pois já desconfiava do enlace. Explicou que admirava a atitude do rapaz em assumir tal situação, ao invés de continuar burlando uma situação que não existia. O gestor foi mais além. Disse que, se ele continuasse escondendo o romance, seria obrigado a demiti-lo assim que tivesse a confirmação do que desconfiava, já que não poderia continuar convivendo com dois funcionários tão irresponsáveis e antiéticos. Porém, já que eles haviam decidido assumir o namoro diante de todos, seu chefe tomou isso como um ato responsável e ampliou seu voto de confiança a Tadeu.
O chefe dos trainees aceitou o namoro dos dois. Porém deixou claro que esperava deles o máximo de discrição possível, já que local de trabalho era para trabalhar e não para namorar. Como medida preventiva, mudou Marieta de área – assim o contato não seria tão próximo. Disse que não queria mais que eles ficassem até altas horas na empresa só para não serem vistos saindo juntos e pediu que procurassem se integrar mais com o resto da equipe, evitando almoçar juntos todo santo dia.
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Por Bernt Entschev
O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.















