Estudos – Eles não acabam com um diploma

Não é porque muitas personalidades alcançaram o sucesso sem um diploma na mão que você vai se arriscar a fazer o mesmo. A menos que você seja o próximo Bill Gates ou Steve Jobs, um diploma a mais, nunca é demais. Para poder competir de igual para igual no mercado de trabalho atual, minha dica é que, no mínimo, você possua uma graduação e, se possível uma pós-graduação também.

Aqui, aquela velha máxima “menos é mais” não combina. É claro que você não vai se matricular em qualquer curso. É preciso ser criterioso ao escolher a graduação e todos os cursos complementares que decidir estudar. De nada adianta acumular títulos e diplomas se eles não serão úteis na sua vida profissional. Portanto, na hora de escolher qual será o seu próximo curso, é preciso analisar as suas expectativas e pretensões. Por exemplo: Se você pretende seguir na área acadêmica, o ideal é optar por um curso de Mestrado ou Doutorado. Por outro lado, se a sua ideia é aplicar o conhecimento adquirido na vida profissional corporativa, o ideal são os MBA’s e pós-graduações.

Escolhido o curso, está na hora de escolher a instituição. Infelizmente, hoje são abertos inúmeros cursos que são vendidos como mercadorias. Portanto, é preciso tomar cuidado ao escolher aonde vai estudar. Por mais que digam que é o aluno que faz o curso, é necessário escolher uma instituição que ofereça os melhores professores e seja reconhecida dentro da área que você escolheu atuar.

Atualmente, a correria do mercado de trabalho infelizmente não nos disponibiliza muito tempo para dedicarmos a outros assuntos. Se já é difícil reservar tempo para descansar com a família e ir à academia, imagine para começar ou voltar a estudar. É preciso tempo para dedicar-se a um novo curso, mas isso não é desculpa para largar os estudos. Conheço muitas pessoas que conseguem conciliar estudo, trabalho e família. É claro que não é uma tarefa fácil. Exige planejamento e disciplina, mas é possível adaptar uma pós-graduação ou qualquer tipo de especialização na sua agenda atribulada. Existem cursos de um mês, um ano, cursos de final de semana e de semana inteira. Basta você pesquisar e escolher aquele que melhor se encaixa na sua rotina.

Além de todos os benefícios que uma graduação pode trazer em relação ao aprendizado de novos conhecimentos, você ainda pode ter a sorte de estar sentado à mesa ao lado de um futuro grande cliente ou mesmo de seu futuro empregador. O importante é aproveitar essas oportunidades e entender que precisamos desenvolver nossas habilidades o tempo todo para estarmos em constante aprendizado e sermos seres humanos melhores tanto na vida profissional quanto na pessoal.

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Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Motivação da equipe

A motivação da equipe talvez seja uma das maiores preocupações do gestor de cada equipe. Ninguém quer ter uma equipe desmotivada sob seu comando, afinal de contas. Mas o que compõe a motivação, exatamente?

Ela nada mais é que um conjunto de fatores psicológicos compostos por três fatores: fisiológico, intelectual e emocional. Esses fatores interagem entre si e determinam a conduta final de um indivíduo, positiva ou negativamente.

Mas, antes de explicar que maneiras um líder pode motivar sua equipe, conto-lhes a história de Valdir.

Gaúcho natural de Pelotas, o rapaz, que foi meu superior, era o gerente regional da companhia e liderava, no total, uma equipe de aproximadamente 400 pessoas.

Apesar de parecer muita gente para comandar, ele tinha uma consciência enorme de todas as ações que tomava e, quando precisava exercer seu papel de liderança, tinha um método de abordagem que despertava o fascínio dos subordinados.

Além de ter a “coleira curta” com a equipe, ou seja, acompanhar de perto seu desempenho, conseguia envolver com paixão todos no processo de criação de soluções para a empresa.

Com discursos diretos e bastante pessoais, Valdir ressaltava as habilidades da pessoa, antes que partisse diretamente para a solicitação. “Olha, Bernt, temos um grande problema e acho que você é a pessoa perfeita para me ajudar. A área de recrutamento precisa de um processo novo que diminua isso aqui e ali. Aqui na equipe, acredito que você tenha as melhores características pra pensar em uma solução pra área X, já que foi tão bem naquele outro projeto anterior”. E desta maneira, o papo fluía.

Ao puxar o discurso para as habilidades individuais das pessoas, e incentivá-las em um tom leve de desafio, as pessoas se sentiam confiantes em executar o que lhes fosse pedido, por mais que soubessem que enfrentariam grandes dificuldades. Caso isso acontecesse, ele estava lá para ouvir e ajudar. Com ele, todos sempre entregaram projetos que iam além das expectativas iniciais.

Um líder como Valdir conquista a confiança de sua equipe, pois, além de tudo, era exemplar em seu comportamento. Todo gestor é muito responsável pela motivação da equipe e deve entender, com profundidade, de pessoas – para que possa utiliza-las da maneira mais positiva possível.

Além disso, quanto mais tempo de trabalho uma equipe tem, maior é a intuição e conexão nas atividades desenvolvidas, o que torna os reflexos cada vez mais automáticos. Isso leva tempo para que seja desenvolvido, mas é a responsabilidade do líder saber conduzir o time e criar um comportamento coeso e íntegro no grupo.

Sobre aqueles três fatores do início do texto: as influências fisiológicas se referem a um ambiente de trabalho com condições apropriadas para o homem. Ou seja, em que a pessoa fique à vontade para produzir, em uma temperatura agradável, que não seja ruidoso etc.; as influências intelectuais estão ligadas ao desafio a que o profissional é submetido, e que a relação rotina/novidades seja bem dosada; e, por último, a emocional, que pode ser resumida às relações no trabalho. É proporcionar um trabalho de maneira que a pessoa tenha prazer em executa-lo, de maneira que se sinta integrado ao grupo.

Os times de sucesso geralmente recebem essas influências muito bem combinadas. Por essas razões, os valores dos profissionais têm que combinar com os da empresa: a combinação do comportamento deles, com o do líder, com a cultura da empresa, resultarão em um time motivado e muito mais produtivo.

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Por Bernt Entschev

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A importância do descanso

É muito comum os profissionais associarem produtividade com trabalho incessável. Para alguns, quanto mais trabalho, maior a produção e melhor o desempenho, assim como a impressão de “profissional determinado” que se passa ao superior. Se fôssemos robôs, essa teoria de quanto mais trabalhar, melhor, seria aplicável. Entretanto, a realidade é outra.

O ser humano é feito de carne e osso e não possui um botão “on/off”, onde é possível desligar-se por algumas horas durante a noite e religar-se no próximo dia, mantendo a mesma qualidade e produtividade. Aliás, a qualidade do trabalho é algo que varia muito, pois o homem é imperfeito e suscetível a erros e quedas ou aumentos de desempenho, e isso muda de acordo com o humor, saúde e disposição. Portanto, por mais que as intenções positivas e a ambição seja grande, é preciso ter autocontrole, além de definir muito bem os limites de quantidade de trabalho para que não afetem a saúde física e mental.

Ninguém é capaz de ser um bom funcionário sem descanso. Quando falo em descanso me refiro a qualquer período de tempo que se passa fora do ambiente de trabalho, como as férias, os finais de semana e as horas de sono. Entendo também que, dependendo da profissão e da posição hierárquica do profissional dentro da empresa, é preciso trabalhar algumas horas a mais e ter menos descanso, caso contrário, as coisas não funcionam como deveriam.

Porém, mesmo nesses casos, é preciso saber aproveitar os dias e horas de tempo livre para descansar, ou simplesmente fazer o que mais gosta. Por mais redundante que essa frase pareça, é a mais pura verdade. Muitas pessoas não conseguem se desligar do trabalho mesmo durante as férias e fins de semana e ficam pensando e repassando as tarefas na sua cabeça, com medo de ter deixado algo pendente ou que o substituto ou subordinado não saiba executar as tarefas adequadamente.

Para essas pessoas, meu único recado é: esqueça o trabalho e relaxe. Ficar com a cabeça no trabalho, mesmo estando fisicamente fora dele, pode comprometer facilmente o desempenho sobre as atividades comuns. Além disso, sinais como a fadiga, estresse, alterações comportamentais, dores corporais etc começam a aparecer. Não digo que o esforço extra no trabalho é algo ruim, ele somente deve ser planejado. Observe que os bons profissionais têm rotinas de descanso e lazer muito bem definidas, e só fazem o esforço extra no escritório quando isso agrega benefícios para o âmbito pessoal ou profissional.

Já podemos corrigir, portanto, uma das frases que abrem este artigo: quanto mais se trabalha sem descanso, menor a qualidade e produtividade no trabalho. Pense nisso e valorize seus momentos de folga. Eles são verdadeiras fontes de energia para todos os profissionais.

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Por Bernt Entschev

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Imaturidade Profissional

De todos os fatores que considero cruciais no desenvolvimento profissional, um dos mais necessários, sem dúvidas, é a maturidade. Mais importante que ter um desempenho acima da média, é ser um profissional que mede as consequências de uma atitude ousada, que equilibra o ego e motiva a equipe e pares de maneira eficaz e constante. Um erro comum, porém, é a crença popular e intuitiva de muitos de nós ligarmos a palavra “maturidade” à palavra “idade”.

Antes de prosseguir para a história de hoje, lembro que o processo ou estado de maturidade se dá quando uma pessoa desenvolve – ou não – suas capacidades emocional, intelectual e moral. Ao passo que alguns profissionais têm um senso mais apurado para cada uma das áreas, outros profissionais simplesmente não desenvolvem estas percepções e podem passar a atrapalhar o desempenho de suas equipes. Isso pode se dar pela falta de senso autocrítico e feedback, principalmente.

A história de hoje ilustra bem essa situação.

Algumas décadas atrás, quando fui realocado para o setor de recrutamento, conheci Luís. O carioca de riso farto era um funcionário excepcional do setor de finanças. Apesar de jovem, era muito responsável profissionalmente. Tinha também um pavio muito curto. Tão curto que quase não o tinha!

Havia uma característica nele, porém, que demonstrava sua falta de crescimento pessoal. Ele era irredutível e não gostava de receber qualquer represália. Isso, aliado ao fato de ter um pavio curto, fazia com que todos o temessem, e nunca o contrariassem – principalmente sobre seu hábito de tirar um pequeno cochilo, de 10 a 15 minutos, após o almoço. Nesse momento do dia, ele sempre tirava um tempo para descansar para que pudesse trabalhar melhor.

Se estivesse viajando, parava o carro no acostamento e dormia para que pudesse continuar. Se estivesse no trabalho, também dava um jeito de dormir para depois continuar com seus afazeres.

Um dia Luís viajou comigo para o Rio de Janeiro. Tínhamos uma reunião importante com a diretoria internacional da empresa. Os executivos de nossa matriz londrina vieram ao Brasil para que apresentássemos a evolução de nossas áreas, projetos, além de discutirmos outros assuntos.

A reunião duraria quase o dia todo. Após uma longa manhã, todos pararam brevemente para um almoço, e continuaram logo em seguida. Seu corpo, porém, acostumado com o hábito, gritava por um momento de relaxamento. Não querendo abrir mão de seus hábitos – e querendo dar uma de espertinho – Luís disse “a luminosidade está forte aqui, e meus olhos são sensíveis à luminosidade. Se incomodam se eu colocar meus óculos escuros?”. Ele havia preparado óculos especiais, tamanho garrafal, para essas situações. E por algum motivo inexplicável, ele pensou que ninguém notaria sua apatia na reunião, ocasionada pelo cochilo.

O que veio em seguida, porém, foram roncos e até um pouco de saliva escorrendo pelo paletó. Um dos diretores da empresa, ao perceber, pediu que todos se retirassem da sala, em silêncio, e que as luzes fossem apagadas. A reunião prosseguiu em outra sala. Uma hora e meia depois, ele acordou sozinho na sala de reuniões.

Voltando à maturidade, ela não está somente no reconhecimento das responsabilidades e deveres que o trabalho de cada um exige, em qualquer posição hierárquica que esteja. Está, também, no modo de se comunicar, escrever e, principalmente, nos atos.

Luís foi inconsequente e imaturo ao tentar enganar os outros com sua desculpa. Colocou toda sua honra e reputação em risco – e perdeu. Sua nova alcunha de “sonequinha” havia pegado muito forte em toda a corporação, e os milhares de funcionários sabiam sobre seu caso. A vergonha era tão grande que não aguentou muitos meses na empresa após o ocorrido e pediu demissão. Tudo culpa de uma imaturidade simples de ser corrigida.

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Por Bernt Entschev

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Happy Hour e Cia. Ltda.

Quando se entra em uma empresa, salvo exceções, é normal só haver pessoas desconhecidas. Dependendo da cultura da empresa, conhecer melhor o lado pessoal dos colegas de trabalho pode ser penoso. Como uma maneira de auxiliar a integração das equipes e melhorar o clima organizacional, uma das maneiras mais rápidas de acelerar esse processo é promovendo eventos extra empresariais.

Os conhecidos happy hours, churrascos aos finais de semana, futebol, clube de chá, jantares ou corridas no parque podem virar agentes integradores de colegas de trabalho.

Em uma das empresas em que trabalhei, o próprio chefe do setor promovia quatro ou cinco grandes churrascos por ano. Todos os funcionários deviam comparecer e podiam levar, inclusive, seus pares e filhos.

E quais as vantagens de realizar outras atividades com os colegas? Nesse tipo de ambiente, geralmente informal, as pessoas ficam mais relaxadas e isso facilita a troca de experiências diversas entre você e o grupo. Isso aumenta o entrosamento entre a equipe, melhora o clima organizacional e relaxa os envolvidos, tornando a rotina cada vez menos pesada e cada vez mais prazerosa.

Porém, ambientes como esses oferecem uma série de riscos. Comportamentos exagerados expõem as pessoas a situações vexatórias, dignas de ressacas morais que demoram longos períodos para serem amenizados ou esquecidos. Nesse pacote estão inclusos itens como danças exageradas e roupas indiscretas, mas, quem reina absoluto na lista dos responsáveis pelas maiores gafes é o álcool.

Ano após ano repito sobre o cuidado que as pessoas devem ter com o álcool, sobretudo nas festas corporativas, mas canso de ver pessoas com o comportamento alterado, falando alto e fazendo coisas as quais se arrependem profundamente mais tarde. Ora, quando o sujeito bebe, baixa a guarda, e isso dá brechas para que qualquer coisa ocorra: de paquerar o colega do outro setor a literalmente fazer escândalos.

E como nesses eventos a presença de bebidas é bastante comum, acho pertinente contar a história de Eliseu. Todas as semanas, eu e ele nos reuníamos com um grupo diferente de funcionários. Era comum vermos os ânimos se exaltarem conforme as horas passavam, e nos divertíamos à beça. Porém, nunca havia visto Eliseu fora de controle uma vez sequer. E ele bebia como todos os outros.

Um dia, aparentemente sufocado por guardar o segredo, contou-me o que o tornava tão “resistente” em relação aos demais. “Sabe como e por que eu nunca dei um vexame?”. Muito curioso, pedi que me contasse logo. Ele soltou então o seguinte: “Toda vez que vou a um bar ou restaurante com o pessoal, converso com o garçom antes de a festa começar. Peço para que ele intercale as bebidas que me serve. Enquanto para todo mundo eu peço uma atrás da outra, na verdade, em uma rodada eu bebo cerveja, e na outra, guaraná”.

Eu não acreditei, ele então pediu para que eu provasse o que havia no copo. “Veja, é guaraná!”. E era. Com isso, ele conseguia equilibrar de maneira muito consciente e responsável o quanto de álcool consumia, enquanto se divertia à custa dos erros dos outros.

Eventos como esses são muito benéficos, sim, para todos os envolvidos, porém, preservar a responsabilidade é o grande segredo. Ninguém quer sujar a imagem ou a reputação de longos anos de trabalho benfeito por causa de uma noite de comportamento inadequado. Por mais que o relacionamento com o chefe ou os colegas de trabalho seja muito bom, é preciso lembrar que você não está em casa ou com os amigos de faculdade e manter o profissionalismo mesmo nos momentos de lazer. É claro que você deve se divertir e aproveitar esses momentos, porém com muito cuidado para não ser responsável por boicotar sua própria carreira.

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Por Bernt Entschev

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Planeje seu novo ano

Entra e sai ano, mas algumas coisas não mudam, e o planejamento pessoal e profissional do ano seguinte é uma dessas coisas. É comum pessoas fazerem “promessas”, muitas vezes da boca para fora. Emagrecer, ganhar um aumento salarial, comprar um carro. Mas o que efetivamente é necessário ser feito para que essas metas se tornem realidade? É inevitável falar sobre planejamento nesta época, que representa o fim de um ciclo e o início de outro.

Planejar o ano é muito importante para que você possa estar em controle da sua vida pessoal e profissional. O que sempre acontece é aquela sensação de querer cumprir tudo o que desejamos à meia-noite do dia 31 de dezembro, porém, na manhã do primeiro dia do ano, já deixamos o planejamento para depois ou até mesmo esquecemos que ele existe. É muito mais difícil atingir todas as metas que desejamos sem planejamento. Imagine emagrecer cinco quilos sem planejar uma dieta ou uma rotina de exercícios físicos. É quase impossível. O mesmo acontece com as nossas metas profissionais e financeiras. Saber planejar o ano e cumprir com esse planejamento todos os dias é uma tarefa difícil, que exige disciplina e foco, porém as recompensas são gratificantes.

Isso me faz lembrar a história de Flávio, o filho de um motorista de táxi. Engana-se quem pensa que ele simplesmente herdaria o ofício do pai. O sonho dele era trabalhar em uma multinacional. E assim o fez.

Ao concluir seus estudos, entrou na tal multinacional como trainee. O rapaz, aparentemente sonhador, tinha a cabeça de um grande estrategista. Ele simplesmente amava aquela corporação, e não pensava em sair de lá tão cedo. Movido a pensamentos grandes e aparentemente distantes, traçou um objetivo “simples”: alcançar, no mínimo, um cargo da alta direção da empresa em vinte anos.

Para atingir seu objetivo, estabeleceu um planejamento a longo prazo. Ele deveria estudar mais. Cursou dois MBAs e fez um curso de Finanças para Não Financeiros, além de ter decidido que falaria de maneira absolutamente fluente o inglês. Além disso, planejava seu dia da seguinte forma: todos os dias trabalharia dez horas, além de, em uma hora de seu dia, dedicar-se a aprender algo novo.

Ele planejava cada etapa de sua carreira, assim como o que precisaria fazer para chegar aonde queria. Planejou, inclusive, que relacionamentos deveria fazer e cultivar. Primeiro conquistaria seus subordinados, então seus pares, em seguida os superiores e diretores. Em menos de vinte anos, Flávio não só alcançou a direção, como assumiu a presidência da multinacional. Com o planejamento bem feito, a história não poderia ter sido outra.

Que tal seguir o exemplo de Flávio e começar a planejar 2012? Primeiramente, trace metas e objetivos que deseja conquistar. Reflita sobre o que gostaria atingir em sua vida, seja aprender um novo idioma, mudar de emprego ou subir na carreira. Além disso, tenha visão, metas e estratégias bem estabelecidas. Minha dica é sempre escrever numa folha de papel esses desejos e metas e planejar cada uma delas. Se você deseja aprender um novo idioma, deve pensar em como encaixar as aulas em sua rotina, ou pesquisar quais são as melhores escolas para estudar. É importante deixar essa lista de desejos visível o ano inteiro, seja na mesa do trabalho, ou como papel de parede do seu computador. Enfim, planejar é o primeiro passo para tornar seus sonhos realidade. E nada melhor que traçar metas para um novo começo de ano. Finalmente, para começar o ano com o pé direito, reflita sobre os erros que cometeu no ano anterior. Isso é fundamental para não correr o risco de repeti-los, mas sim fazer com que as coisas sejam diferentes no próximo ano.

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Por Bernt Entschev

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Fazendo o bem sem olhar a quem

Já percebeu como essa época de final de ano é cercada por um espírito natalino de solidariedade e gratidão? Muitas pessoas aproveitam esse momento para ajudar quem precisa e agradecer com palavras e presentes quem esteve ao seu lado durante o ano. Acho isso muito bonito e tenho certeza de que quem realiza esse tipo de ação recebe muitos benefícios em todos os aspectos de sua vida. O ideal seria ser tomado por esse de sentimento durante o ano inteiro e não só quando o Natal se aproxima. Mas como estamos em dezembro, ainda há tempo de fazer o bem e colocar um sorriso no rosto de alguma pessoa.

Todos nós sabemos que o mercado é competitivo e gera concorrência até dentro da mesma empresa, onde muitos tentam puxar o tapete do colega de trabalho. Porém, o que poucos sabem é que fazer o contrário, ou seja, ajudar o colega pode fazer sua carreira subir pelo simples fato de que você sabe trabalhar em equipe, divide os méritos e, no final, todos ganham. Quem sabe esse espírito de solidariedade não faça você colaborar com seus colegas e ser grato por eles? Pode ter certeza de que isso só lhe trará benefícios.

É preciso lembrar-se de contribuir não só com nossa família, amigos e colegas de trabalho, mas também com aqueles que mais precisam. Ações voluntárias com pessoas carentes, principalmente nesta época do ano, por menores que sejam, fazem uma enorme diferença não só na vida dessas pessoas, como também na sua, tanto pessoal quanto profissional.

Quando falo sobre esse assunto, lembro-me de uma situação que ocorreu na empresa há uns cinco anos. Nossa equipe foi realizar entrevistas para encontrar a pessoa certa para a posição de diretor de uma multinacional. Após muito procurar, analisar e discutir, discutir e analisar, chegamos a dois candidatos finais: Bruno e Pedro. Mapeamos todas as habilidades e competências desses profissionais e, em seguida, demos notas a essas competências – afinal de contas, a posição era muito estratégica.

A escolha tinha se tornado muito difícil. Ambos os candidatos encaixavam perfeitamente nas necessidades da empresa: possuíam graduação em universidades excelentes, inglês fluente e pós-graduações invejáveis. Mas por que escolheríamos um e não outro? Visivelmente ambos estavam aptos a assumir o cargo. Depois de muito pensar, meu sócio Cláudio e eu decidimos ter um breve descanso. “Após o almoço decidiremos”, falei a ele.

Ao retornarmos do almoço, averiguamos os currículos de ambos e vimos tudo de novo cuidadosamente. Tentamos achar um diferencial em um dos profissionais que não fosse necessariamente técnico, pois, para a vaga, ambos seriam competentes nesse quesito. De repente, Cláudio disparou “escolhi”. Curioso, eu perguntei o que o fizera ter tomado a decisão. No currículo de Bruno constava um discreto “Trabalho voluntário em uma ONG há mais de dois anos”, com alguns detalhes. Foi o ponto decisivo da escolha, e o cliente concordou com nossa decisão mais tarde. Bruno, além possuir todas as competências técnicas iguais ou muito parecidas às de Pedro, ele ainda conseguia se doar para outros, sem cobrar nada por isso.

O que quero dizer com isso, é que essas ações caridosas e voluntárias fazem diferença não só na vida pessoal, mas também na profissional. Entretanto, é fundamental que elas sejam feitas de coração aberto, com o intuito único de ajudar, agradecer e ser solidário com o próximo, seja ele seu pai, seu colega de trabalho ou um completo estranho. Tudo isso perde o propósito se for feito somente para cumprir um protocolo social ou empresarial. A partir do momento em que você realmente se entrega “de corpo e alma” a uma dessas causas e ações voluntárias, sua vida sofre transformações positivas no âmbito familiar, pessoal e profissional, além, é claro, de deixar sua vida mais feliz e completa.

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Por Bernt Entschev

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Trabalhos Temporários

Apesar de ser um assunto pertinente durante o ano inteiro, os trabalhos temporários sempre entram em foco ao final do ano, quando muitos funcionários entram em férias e precisam ser substituídos por um ou dois meses. Ou, também, quando muitas empresas precisam contratar para suprir a demanda superior de consumo no fim do ano. Nessa hora, esse tipo de trabalho não deve ser visto como uma ameaça, por ser aparentemente “instável”, mas sim como uma oportunidade, principalmente, para os jovens. Sempre acreditei que escolhemos a profissão muito cedo. Aos dezesseis anos, o adolescente ainda não tem conhecimentos suficientes para decidir o que deseja fazer por toda a sua vida, justamente por não conhecer o mercado de trabalho na prática e o que ele realmente oferece.

Nesse momento de escolha, os trabalhos temporários podem ser uma oportunidade para quem ainda não tem certeza de que rumo tomar em sua careira, ou somente para confirmar se aquela área que pretende estudar e trabalhar é realmente compatível com o seu perfil. Isabela, por exemplo, foi uma jovem que sabiamente decidiu optar pelo trabalho temporário antes mesmo de entrar na universidade.

Aos dezesseis anos, a moça estudava o último ano do ensino médio e ainda não tinha certeza de que rumo gostaria que sua carreira tomasse. Com seus longos cabelos dourados, sempre bem presos num rabo-de-cavalo, Isabela era determinada, criativa e transmitia confiança para quem a conhecia. Por ter interesse e facilidade em aprender outros idiomas e ser criada numa família de “negócios”, achava que Relações Internacionais seria uma boa escolha. Também era filha única e, por isso, vivia cercada de pressões por todos os lados: dos pais, que queriam que ela administrasse a loja de móveis da família, da avó que sonhava com uma neta médica, e dos professores, que cobravam notas e resultados cada vez melhores nos simulados de vestibular.

Isabela decidiu se candidatar a uma vaga temporária como assistente na área de comércio exterior numa câmara de comércio internacional voltada para o vestuário. Decidiu tentar conquistar a vaga por ser a área que desejava atuar: relações internacionais. Após um mês na empresa, aprendendo e se aprofundando no assunto, Isabela percebeu que gostava de trabalhar na empresa, mas não por causa das atividades que envolviam compra e venda de produtos para o mercado internacional, mas sim pelas roupas que ajudava a escolher para exportar ou importar. Todos na empresa perceberam a habilidade criativa da jovem de escolher as peças mais adequadas para compra e venda, dependendo do clima local, comportamento das pessoas, etc. Nessa experiência, Isabela descobriu um enorme gosto e talento por moda e design, algo que nunca tinha imaginado antes.

Ao sair da câmara de comércio, Isabela tinha certeza do que gostaria de tentar no vestibular: Design de Moda. Hoje em dia, aos 30 anos, Isabela trabalha como estilista de uma grande empresa de vestidos de festa no Rio de Janeiro, para onde se mudou ao terminar a faculdade em Curitiba.

Assim como Isabela, muitos outros jovens também podem descobrir se possuem aptidão para uma ou outra área antes de tomar uma das decisões mais importantes de suas vidas: a escolha da profissão. O trabalho temporário, além de ajudar na escolha da carreira, poupa o tempo “perdido” em cursos ou empregos que o profissional não se encaixa. Muitas vezes, a pessoa passa por mais de um curso de graduação para descobrir o que realmente deseja fazer com sua vida profissional. Portanto, se você está decidindo que futuro dar à sua carreira, minha dica para essas férias é: procure um trabalho temporário. Mesmo se você passar por um ou dois empregos de curta duração que não gosta, no mínimo ganhará experiência, mais conhecimento e uma visão mais abrangente dos negócios, o que sempre é positivo para qualquer tipo de profissional.

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Por Bernt Entschev

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Até quando trabalhar?

Final de ano é sempre um tempo para reflexões. O que será deixado para trás, o que será adotado, implantado, mudado? Pla­nejamentos e metas são fechados, alguns são contratados e outros voltam ao mercado. Já falei aqui sobre o que fazer após se aposentar, mas muitos leitores pediram para que eu abordasse os assuntos diretamente envolvidos nessa questão.

Nossa vida de trabalho, na verdade, começa muito cedo. É logo na escola, quando se recebem as primeiras tarefas que começamos a ser testados e treinados para o futuro. A noção de recompensa já começa a se desenvolver também: para os trabalhos bem feitos, boas notas; já para os maus alunos, recuperação ou reconstrução.

Mas é por volta dos 16 anos, em média, que se começa a trabalhar. Na conta, são 40, 45 anos de trabalho, fora os de estudo, com uma aposentadoria prevista para os 55, 60 anos aproximadamente.  Uma dura e longa jornada, não? Não, se a escolha pela profissão for a correta. O problema na hora de as pessoas puxarem o freio de mão, a meu ver, é muito ligado à cultura. O que observo de maneira geral aqui no Ocidente é que as pessoas têm pouca intimidade com o ócio.

Do lado de cá do mundo, fazer nada é geralmente comparado à vagabundagem e, inclusive, “preguiça” e “falta de trabalho” são palavras diretamente relacionadas a Ócio no dicionário.

Quais são os benefícios e malefícios por trás de parar ou continuar trabalhando? O primeiro ponto a ser levado em consideração é se a pessoa tem condições financeiras para viver com conforto nessa nova etapa da vida. Os gastos com medicamentos e assistência médica inevitavelmente tornam-se maiores, além dos outros gastos comuns já existentes.

Por que parar?

Chega o momento na vida em que é preciso descansar depois de tantos anos de trabalho. É a hora de passar mais tempo com a família, viajar mais e relaxar. Recompensa muito merecida para quem soube planejar a sua aposentadoria durante toda a vida profissional, pagou os impostos e guardou dinheiro no banco. Para esses, o dia da aposentadoria chega e muitos se sentem perdidos, sozinhos e entediados. Pessoas vêm me perguntar o que fazer ao “parar”. Na verdade, não se trata de parar, mas de utilizar as energias para realizar tarefas diferentes.

Tenho recomendado às pessoas que estudem, por exemplo, Filosofia. Estudar e entender melhor a existência das coisas, o conhecimento, os valores que compõe a sociedade e outras coisas ajuda também a dar um direcionamento para o momento “pós-carreira”. Outra opção é dedicar-se àquele hobbie ou passatempo deixado há anos por causa do trabalho. Lembra quando você era adolescente e gostava de pintar, tocar violão ou dançar? Essa é a hora para retomar essas antigas paixões.

Por que continuar?

Muitas pessoas, ao alcançarem a quantidade de anos de trabalho necessária para aposentar-se, ainda se sentem ativas e dispostas para continuar trabalhando, pois amam o que fazem. Nesse caso, a dica é óbvia: continue trabalhando enquanto isso lhe fizer feliz, ou sua saúde lhe permitir.

Entretanto, se você gostaria de descansar um pouco, porém não quer ficar parado por motivos financeiros ou pelo simples fato de ainda ter disposição, aposte em outras atividades que lhe proporcionem uma fonte de renda, porém que não sejam tão desgastantes. Nesse momento, existem diversas possibilidades dentre as quais você pode escolher a que mais combina com você, como a pintura, a costura, a fotografia, a música, enfim, as artes em geral. Isso lhe dará um novo motivo para manter-se trabalhando, mas num ritmo menos acelerado, proporcionando autonomia para você fazer seus horários e dar preferência a outros aspectos em sua vida. Lembre-se: nunca é tarde para aprender ou reaprender alguma coisa.

Manter-se ocupado em uma atividade menos cansativa agrega novos conhecimentos e aprendizados, além de fazer com que o indivíduo sinta-se renovado, renascido e pronto para começar uma nova etapa da vida.

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Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.


Brasil, valorize quem merece

Em todos os meus artigos, falo sobre carreira e trabalho. Procuro incentivar, esclarecer questões profissionais e, se possível, inspirar alguns a alavancarem suas carreiras. Sempre aconselhei o estudo após a graduação para que o profissional se aprimore constantemente na sua área, mas que, principalmente, ame o que faz e seja reconhecido por um bom desempenho no trabalho. Isso tudo funcionaria facilmente se vivêssemos num país justo, com leis que fossem cumpridas e políticos que pensassem menos em como encher seus bolsos de dinheiro sujo e mais em como melhorar o Brasil.

Não cabe a mim criticar governadores, vereadores ou prefeitos, mesmo por que isso não chegaria a nenhuma solução eficiente. Meu apelo aqui é para você, cidadão — que, acredite, pode fazer a diferença. É frustrante ser um consultor de carreiras e ver que algumas das carreiras mais dignas são nada ou pouco reconhecidas. Como pedir para que um professor melhore seu desempenho nas salas de aula e estude mais sendo que no final do mês seu salário é pouco maior que o de um estagiário?

Agora você pode pensar “mas estão reajustando os salários dos professores”. Sim, é verdade. Porém, mesmo com o reajuste, o Brasil continuará tendo um dos piores salários de professores do mundo. De acordo com os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2010, o salário médio de um professor de ensino fundamental é 40% menor que o de outro profissional com o mesmo nível de escolaridade. O número é ainda mais assustador quando comparamos o salário de um professor com o de um governador, que muitas vezes mais embolsa dinheiro público que trabalha com honestidade. A comparação é justa. Basta fazer a seguinte pergunta: Você conseguiria viver sem alguma dessas profissões? Eu não.

Nesse artigo, não dou um conselho de carreira, mas sim um de vida, para lutar por um Brasil mais justo. A realidade é dura, mas esse país não valoriza as profissões mais dignas por culpa não só do governo, mas sim de todos. Seja por omissão ou por ação. É possível mudar. Para isso, não é preciso sair às ruas em greve com caras pintadas e cartazes enormes. Temos, hoje, a internet que é uma forte ferramenta de comunicação e de dissipação de uma mensagem numa velocidade inacreditável. Espero ter inspirado você a fazer algo para seu país, para seu futuro. O Brasil está alguns cliques longe de se tornar um país justo, digno e que valoriza o seu trabalhador.

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Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.